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Monday, October 19, 2009

ENVIADO ESPECIAL


Também faço parte daqueles que entendem que a RDP dedica ao futebol mais tempo de antena do que seria normal se o futebol não fosse mais importante para os portugueses do que qualquer outra actividade económica, cultural, política, religiosa. Como é, e a RDP também incentiva a inclinação, percebe-se o destaque mas contesto o exagero.

Vem isto a propósito do que ouvi esta manhã, a propósito da deslocação a Zurique de um "enviado especial" para assistir ao sorteio do play-off com a equipa portuguesa metida no primeiro pote à espera do adversário no segundo. Coisa para 15 minutos, se tanto, adiantava o locutor de serviço.

E a minha questão é esta: O que é que vai um "enviado especial" fazer a Zurique que não possa fazer em Lisboa? Com a transmissão feita em directo por tantos canais de televisão que especialidade tem o enviado para justificar os custos de deslocação envolvidos?

Como bem sabe, este é apenas um exemplo entre muitíssimos, tanto na Antena 1 como na 2, e, já agora, na RTP cada vez mais numerosa, de gastos que só são realizados porque são suportados pelos contribuintes forçados.

São peanuts? Talvez. Junte-os todos, em todos os locais onde são geridos os dinheiros públicos, e verá como a soma ajuda a submergir as contas públicas e não são senão reflexo do relaxamento geral que provoca estragos maiores no orçamento do Estado e, consequentemente, das famílias.

Salvo o do “enviado especial”, evidentemente.

Thursday, May 14, 2009

ANTENA ABERTA

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"Antena aberta" é um programa das onze ao meio dia na Antena 1 que escuto ocasionalmente se estou na marcha das viaturas. Hoje, o tema centrava-se no pedido de naturalização portuguesa do turco que tentou assassinar João Paulo II, em Fátima. O indivíduo, que se bem percebi ainda cumpre o resto da pena de prisão a que foi condenado, e foi perdoado pelo Papa que ele tinha tentado matar, para além de querer ser português, quer ser católico e baptizado na Praça de São Pedro, em Roma. Não o faz por menos. O realizador do programa matinal da estação do Estado entendeu dar a palavra aos portugueses através da Antena Aberta a propósito deste escaldante assunto do dia.
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Não ouvi muitos testemunhos, até porque a capacidade de expressão dos portugueses não é notável em geral, e se lhes dão trela estendem-se a perder de vista. Uma intervenção, contudo, se destacou das demais. O interveniente declarou desde logo que não se iria pronunciar sobre a pergunta porque a naturalização é uma questão de leis e o baptismo um assunto da Igreja. Mas tinha uma questão colateral a levantar a propósito da pergunta do dia: "O turco, ao que parece, actuou por intervenção de um desígnio superior, augurado no Terceiro Segredo, que deste modo ficou desvendado. Aconteceu o mesmo com Judas. Assim sendo, o homem não devia ter sido preso. Não sei se me estão a perceber."
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O que é que isto tem a ver com a transcrição que fiz de um texto de Pedro Lains a propósito do livro de Vitor Bento "Perceber a crise para encontrar o caminho"?
Palpites há muitos, mas os caminhos viáveis escasseiam. Ou não existem de todo. Se a Antena 1 se lembrasse um dia destes de perguntar aos seus ouvintes que caminho recomendariam para sair da crise, milhares deles, como é costume, tentariam desesperadamente a sorte de se fazerem ouvir aos microfones da "Antena aberta" para dar uma solução salvadora.
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Há uma infinidade de caminhos, pois há, mas para onde?

Thursday, October 02, 2008

ANTENA ABERTA

Hoje, na Antena 1, "a pergunta ao auditório da Antena Aberta " era se "concordava com o plano de construir um fundo europeu de apoio ao sistema bancário".
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As respostas, como era de esperar, afinavam todas pela repulsa por tal ideia, acompanhada pela invectivação dos piores qualificativos aos bancos que ocorriam a cada um dos participantes no desenrolar dos seus intermináveis contributos para o esclarecimento do assunto.
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Que às pessoas seja dada a possibilidade de falar na rádio, na televisão, nos jornais ou nos blogues, parece-me salutar para a vivência e convivência democráticas. É a errar que se aprende e este tipo de programas tem alguns méritos.
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No caso de hoje, teria sido bom que alguém tivesse dito aos ouvintes que o sistema financeiro, para o bem e para o mal, envolve-nos a todos, que se estoirar o sistema financeiro, estoira o sistema monetário, e a moeda evapora-se. Aquilo com que se compram os melões desvaloriza-se de forma galopante, o desemprego aumenta, a instabilidade instala-se e a guerra aproxima-se.
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Mas ninguém se atreveu a dizer isto. Ou não foi convidado.

Tuesday, September 02, 2008

O NEGÓCIO DO DESASTRE E O DESASTRE DO NEGÓCIO


É sabido que os senhores telespectadores se pelam por ver desgraças alheias, sentados comodamente em casa a resmoer o jantar. As televisões sabem dessa apetência sádica e aproveitam para ganharem "market-share" descarnando os casos que vão surgindo, por acção do homem ou revolta da natureza, até ao tutano.
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É uma vergonha, dizem algumas almas pseudo-puras, revoltando-se contra a exploração da desgraça, mas continuam a ver.
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Quando, por bondade divina, escasseiam por acaso os casos ao pé da porta, importam-se as imagens de canais internacionais e o abastecimento de imagens de misérias humanas ao domicílio continua garantido. Este ano, por enquanto, o flagelo dos fogos de Verão ainda não começou, devem andar enervadíssimos os pilotos dos helicópteros e toda a parafernália que em terra para arder ocupa o teatro das operações, segundo a terminologia que os soldados da paz pediram emprestada aos seus homólogos da guerra. Mais ansiosos devem estar os directores dos programas de informação, sem as imagens escaldantes próprias da estação.
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A RTP, empresa pública encostada ao OGE, não olha a despesas e não se contenta com a passagem de imagens mandadas por outros. Manda os seus enviados especiais onde cheira a chamusco ou a borrasca. Há dias andava o incansável J Rodrigues dos Santos nas ruas de Gori e Tbilisi a saltitar por onde tinha passado a guerra do dia. Para além do custo que estas deslocações implicam, e que eu tenho de ajudar a pagar, o rapaz poderia ter levado um tiro e o tiro levado o nosso esperançoso escritor para onde não há candidatos ao Nobel.
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Já várias vezes me referi a este assunto aqui no Aliás. Mas o facto de ter visto no Lóbi uma abordagem semelhante, que comentei, desafiou-me a voltar a este negócio do desastre.
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Não penso que a solução da moderação na exibição da desgraça alheia passe por discursos com lágrimas de crocodilo. Quase toda a gente concorda com a dieta mas quase toda a gente desfruta da abundância de desastres. Quanto a mim, uma acção deveria ser tomada: Cortar o governo nas receitas que levam a RTP e a RDP a deslocar jornalistas ao estrangeiro em missões onde da sua presença nos locais não resulta valor acrescentado que as justifique. E só há uma via para atingir este objectivo: privatizar e cativar espaço de serviço público nas estações privadas. Para o caso de haver serviço público.
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Pelo menos o negócio do desastre não seria para os contribuintes um desastre de negócio.