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Tuesday, May 16, 2017
MUDAR DE MÃOS
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Friday, April 29, 2016
Wednesday, August 26, 2015
O TEU VOTO POR UM CARAMELO
Thursday, September 09, 2010
OS CUSTOS ESQUECIDOS DO COMÉRCIO LIVRE
A teoria económica garante que o comércio livre impulsiona o crescimento económico global, e a história tem confirmado a tese ricardiana, ainda que não pouca gente duvide da bondade da teoria.
Tuesday, February 16, 2010
IMPUREZAS ECONÓMICAS
Não é a primeira vez que solto aqui o meu espanto perante as afirmações de muitos académicos (nacionais e estrangeiros) responsabilizando a teoria económica prevalecente na gestação da crise, e, portanto, atribuindo no cartório grande parte das culpas às universidade, deste modo desculpando as manobras e os crimes cometidos por aqueles que forjaram e impingiram a banha da cobra.
Universidades em que eles ensinam e não consta que em alguma circunstância tenham sido compelidos a não expor e divulgar as suas teorias puras pelos meios que bem entendessem. Vivemos em ditadura? Houve bloqueios à liberdade de expressão intra-muros universitários? E ninguém se queixou? Ninguém ousou dizer não? Foi o Professor Reis* (e muitos outros) compelido a guardar secretamente os seus escritos na gaveta à espera que a crise escancarasse o armário? Foi a sua Universidade alvo das buscas e escutas de alguns esbirros ao serviço de um ditador da verdade oficial?
Não vale a pena repetir aqui os factores mediatos e imediatos de fomento da crise, nem sequer discutir se o ensino universitário (aqui e, pelos vistos, em quase todo o lado) está na génese do descalabro. É uma questão para-científica porque qualquer afirmação feita à sua volta, não sendo demonstrável, só admite teses opinativas.
O meu espanto, que é um espanto de um não académico, volta-se, sobretudo, para a forma generalizada com que vejo académicos subverterem conceitos epistemológicos fundamentais. Escreve José Reis no prefácio à sua obra que "a teoria económica que se arroga clarividente, dona de respostas sempre prontas para muitos aspectos da vida – mesmo aqueles em que se torna óbvio que não tem nada a dizer – é afinal, uma construção frágil"
Que o professor catedrático me desculpe a ousadia mas qualquer teoria (económica ou qualquer outra) que se arrogue clarividente e definitiva é uma tolice. Nada é definitivo e o conhecimento é uma evolução incessante e permanentemente posta à prova. Se escapa ao escrutínio permanente ou é opinião, superstição ou dogma.
De modo que, a menos que alguém se dê ao trabalho de explicar, eu não consigo entender o que é uma teoria económica dominante (ou má teoria, como alguns lhes chamam) desde logo porque não concebo o que seja uma teoria económica unificada. O que pode haver são explicações parcelares da realidade económica. Que ou são confirmadas ou rebatidas.
Fora dessa esfera em que a explicação da realidade física ou social tem de conter-se e ser posta à prova não vejo que se possa espremer sumo científico doseado mas tão somente um fluxo controverso inesgotável.
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*(...) Não me parece exagerado dizer que entre os temas que a crise pôs em primeiro plano estão certamente as relações da economia com os valores, a confiança, a subordinação do económico a padrões morais, a não redução da vida ao mercado. Também se percebeu, com dramática clareza, que a teoria económica que se arroga clarividente, dona de respostas sempre prontas para muitos aspectos da vida – mesmo aqueles em que se torna óbvio que não tem nada a dizer – é afinal, uma construção frágil, recorrentemente desafiada pela renovada complexidade da realidade, que com grande agilidade lhe evidencia os limites e as falhas. Seria preciso eclodir uma crise tão dramática como aquela que decorre para que isto acontecesse? Seria preciso que a produção de desigualdades, a fortíssima inversão dos padrões de repartição do rendimento, o desapossamento da esperança de gerações inteiras se tivessem disseminado pelo mundo para que, enfim, se rediscutisse na praça pública a economia, o saber económico e o poder económico? Certamente que não. Poderíamos aí ter chegado apenas através de um escrutínio crítico mais profundo. Poderíamos aí ter chegado se a academia onde se ensina economia fosse mais aberta, mais plural, mais crítica e, portanto, mais conhecedora. Também poderíamos aí ter chegado se a vida pública estivesse menos dependente de formas de pensamento monistas, e cultivasse a contraposição e o debate. É aqui que este livro reencontra o seu lugar, ao propor uma concepção larga da problemática económica. Por estas e outras razões compreendemos hoje melhor que aqui. Não foram apenas excessos, erros ou defeitos que desmoronaram o sistema bancário e financeiro, com profundas implicações na sociedade e na vida das pessoas (de umas, muito mais do que de outras). Na razão mais profunda da crise estão as convicções que se impuseram sobre o papel e o lugar que cabem ao mercado nas sociedades de hoje. O mercado como instrumento de optimização da sociedade foi uma ideia a que não resistiram mesmo alguns dos que se presumem interessados na justiça social. Mas estes estavam enganados. Ao acomodarem-se a visões quase tão liberais como a dos liberais pensaram que podiam ser eles a fazer da regulação dos mercados um instrumento sofisticado, com que, de maneira subserviente e cerimoniosa, iam aperfeiçoar o capitalismo, que queriam entender como um sistema de concorrência que nada desafiasse. Mas não foi assim.Por isso, os desafios estão aí. Desafios ao Estado, para que não seja apenas o bombeiro que salva acidentes e socializa prejuízos. Desafios ao mercado, para que se limite ao que é próprio da capacidade de iniciativa – gerar lucros através do exercício da liberdade para criar riqueza e não da submissão à lógica especulativa de todas as esferas da vida em sociedade, incluindo aquilo que, como a educação, a saúde, as poupanças, o bem-estar futuro das pessoas, só a esfera pública pode colocar num contexto onde impere a justiça. São, pois, claras as fronteiras entre o que deve ser próprio da provisão pública e o que é próprio da iniciativa privada. Mas a arbitragem só pode ser feita por um intenso escrutínio colectivo. (...)
José Reis. Prof. Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Investigador do Centro de Estudos Sociais.



