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Friday, November 18, 2011

SHIT SHARE

Perante os protestos dos banqueiros (vd aqui), em grande medida pertinentes, o ministro das Finanças declarou anteontem que, nos casos em que o Estado venha a intervir nos bancos, essa intervenção será o menos intrusiva possível.

Até agora, é desconhecida a fórmula de cálculo dos valores de entrada e de saída de eventuais participações nos capitais de alguns bancos, um requisito que se tornou menos premente após a prorrogação para Junho do próximo ano do prazo limite para a recapitalização imposta aos bancos. Sendo premente, contudo, não é menos relevante e é  no mínimo estranho que a questão não seja desde já objecto de discussão pública. O que está em causa é demasiado importante para ser deixada a discussão privada entre o Governo e os banqueiros porque pode determinar mais, e ainda mais gravosos, tributos para os portugueses do costume.

Por razões que só critérios de contabilidade recreativa podem explicar o governo vai transferir fundos de pensões de bancos (de quais e em que condições não sabemos) para cumprir (fazer de conta que cumpre) o défice orçamental previsto no memorando da troica. É uma habilidade canhestra, usada e abusada por executivos anteriores, tolerada pelos troicos porque, aqui e não só, em habilidade pública, as receitas contam-se como proveitos sem encargos às costas.

Por outro lado, estando o Estado endividado até ao cocuruto, não reduz, antes pelo contrário, tem aumentado a dívida aos bancos, deteriorando-lhe os rácios, e o compelindo-os à tal recapitalização que, tudo leva a crer, venha a ser feita pelo Estado com capitais que o Estado irá a outra parte pedir emprestados. Em tais montantes que, considerando as cotações actuais, o Estado será esmagadoramente maioritário, pelo menos em alguns casos, durante três anos, quem sabe se não será por um prazo a perder de vista.

Quando a recapitalização se tornou incontornável e o prazo de três anos de presença do Estado foi conhecido, os banqueiros clamaram que, tendo o governo mandado às urtigas por nada as golden share que o Estado detinha em empresas onde era minoritário, quer agora entrar nos bancos com golden share de peso.

Não sei em que é que todo este jogo de faz-de-conta vai dar. Mas, insisto, receio que seja num enorme buraco negro capaz de sugar de vez as nossas esperanças.

Tuesday, November 08, 2011

ADIVINHEM QUEM VAI PAGAR

Ouço na rádio, esta manhã, que a recapitalização dos bancos vai ser submetida com urgência a votação na AR, que a entrada do Estado não perdurará para além de três anos, menor que o período de cinco anos referido aqui, que durante o período de permanência do Estado no capital dos bancos intervencionados pode ser suspensa a distribuição de lucros aos accionistas, que findo o período de três anos o Governo se reserva o direito de nacionalizar ou alienar a sua participação.
O recado vai directo, sobretudo,  para os accionistas do BCP, too big to fail*, que hoje está a cotar já abaixo dos 12 cêntimos por acção, tendo o seu presidente, que transitou da presidência da Caixa, um dado importante que convém não esquecer para perceber a trama, afirmado que não o incomodava muito ter o Estado como accionista, resta saber se os accionistas a partir das notícias que vão saindo a conta-gotas subscrevem tanta disponibilidade. Continuamos, por outro lado, sem saber a que cotação se fará a entrada do Estado, neste e, eventualmente, noutros bancos, excluindo a Caixa, que não é cotada em bolsa, e onde  o que lá cair já de lá não sai, quando sair, com o mesmo nome.

A ajuda aos bancos vai ter carácter de urgência, o que confirma que a queda das cotações do BCP é tida como imparável por várias más razões e, mais imparável ainda, pela iminência da entrada do Estado.  O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, em clara desafinação com o Governo, entendeu desde já denunciar a falta de diálogo, que põe em perigo as relações entre o Governo e a banca, e o presidente do BES, visivelmente preocupado, afirmava ontem que as condições de entrada do Estado assemelham-se  a um retorno à golden share.

Parece que o único personagem em cena satisfeito com entrada do Estado lá em casa é o presidente do BCP. À espera, talvez, que se o mandarem sair no próximo acto pela esquerda baixa lhe encham os bolsos com uma remuneração medida pela escala utilizada para o seu antecessor.

Que alguém acabará por pagar. Quem será?

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*(wikipedia) -Too big_to_fail

Wednesday, July 07, 2010

SOL NA EIRA

(in Público)
Barroso diz que posição da CE sobre golden share é jurídica.
Com esta saída salvaguarda a sua independência como presidente da Comissão. Podia ser diferente? Não podia. Se um ou mais membros não acata as directivas da Comissão, a saída é a entrada dos processos nos tribunais comunitários. Que, aliás, já se prounciaram em casos idênticos anteriores sem demover os recalcitrantes.

O que é relevante neste caso da PT não é a sua vertente jurídica (que nunca se sabe de que lado fica; no PSD, Marcelo Rebelo de Sousa e Paula Teixeira Pinto, concordam com a decisão do Governo, Leite de Campos está contra) nem a sua perspectiva económica ( a cada qual a sua perspectiva; Ricardo Salgado discorda da utilização da golden share no bloquemento da venda da Vivo mas defende a sua utilização se a Telefónica avançar com uma OPA), mas o enquadramento político em que estes assuntos se movem.

Muita gente argumenta que a CE (leia-se, a Alemanha, neste caso) foi lenta na defesa das ameaças aos seus membros financeiramente mais fragilizados, que a UE assim não funciona, o euro está ameaçado, a UE caminha para a desintegração se não houver um governo económico.

Não sei o que é isso.
Um governo económico só pode ser realmente governo se for politicamente representativo, isto é, um governo de parte inteira. Questões como estas da golden share só acontecem porque a UE não é politicamente unificada e os nacionalismos perduram para além das regras comunitárias.

Aqueles que elegeram a Alemanha bode expiatório das consequências de uma União parcial não podem, coerentemente, entrincheirar-se numa posição de defesa intransigente do seu território. Mas se o defendem, e poderão existir muito boas razões para isso, não podem, coerentemente, reclamar a solidariedade de uma federação que não existe nem pode construir-se sem perdas de soberania dos seus membros.