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Tuesday, January 03, 2017

AZEITONAS EXPLOSIVAS

- Já foram almoçar ao Cantinho do Avillez, no São Carlos? ... Então vão. Tem lá um bacalhau à braz com azeitonas explosivas que são um achado, uma maravilha.


O José Avillez, dono de uma já notável cadeia de restaurantes, desde o económico "Cantinho" até ao estrelado "Belcanto" que fica do outro lado do largo, é um chef de inquestionável sucesso. Mas, note-se e tome-se em boa conta, chef sem é no fim; dos chefes com é no fim, as cadeias são outras. 
Vivemos na era dos chefs. 
Para quem não entra em casa dos chefs entram-lhe os chefs em casa em programas de televisão, em artigos de presença permanente nos jornais e revistas, livros e álbuns de cozinha, e, mais economicamente, por consulta gratuita na internet. 
E, de um momento para o outro, revelaram-se gastrónomos e críticos da especialidade personagens que nunca suspeitáramos que vestissem tais aventais. 
Pelas minhas contas, considerando o que ouço e observo de espaço dedicado às imaginações dos chefs, a culinária criativa está a conquistar espaço às telenovelas.

Há dias recomendava-nos uma amiga nossa acompanhar o bacalhau cozido não com grão mas com puré do mesmo. Tinha lido ou ouvido a receita, e ficara encantada, ela que adora purés e detesta sopas. É normal. Sempre que num restaurante pergunto se há sopa a resposta mais frequente que ouço é que há sopa, sim senhor, mas triturada, para as crianças, os pais muito raramente comem sopa. Se a evolução culinária continuar neste sentido, um dia a humanidade não terá dentes.

 - E que tal as azeitonas explosivas?
- São originais, fazem pfffffffffffff quando as trincamos. Mas não sabem muito a azeitonas, pois não?
- Deve ser por isso que gosto destas. Nunca fui muito fan de azeitonas, sabes. 

Wednesday, November 04, 2015

CALDEIRADA À MODA DO SR. COSTA

Para os apreciadores não há melhor petisco que uma boa caldeirada.
À Dona Catarina, habituada a lidar com o tema, ocorreu propor ao Sr. Costa uma caldeirada quando o viu atrapalhado sem saber que cozinhar.

- E lá em casa gostam todos?, perguntou Costa, incrédulo.
- Habituaram-se!, garantiu Catarina, peremptória. 

E o Sr. Costa avançou para a caldeirada, e telefonou aos convidados.

- Catarina, estás convidada para a caldeirada.
- Ainda bem que aceitaste a minha sugestão. 
- Pois, pois. Mas já tenho gente a protestar cá em casa.
- Essa é boa! Mas protestam porquê? Não gostam de tomate ou de cebola ou ...
- Não, não é nada disso. Dizem que nunca se provou caldeirada cá em casa, pode haver alergias, coisas complicadas ...
- Deixa-os falar, António. Avança e vais ver que se habituam. Já convidaste os Jerónimos?
- Convidei ... convidei ... 
- E, então?
- Aceitam o convite mas preferiam uma omelete. Só ovos, sem mais nada.
- Que sensaboria, António ... mas acabaram por aceitar, não?
-  Sim aceitam, mas, diz o Jerónimo, que a caldeirada não pode levar cebola ...
- Não pode o quê?
- Não pode levar cebola, nem louro, nem tomate ...
- Que mal lhes faz o louro?
- Arrotos ... Diz que já andam a arrotar só de pensar na caldeirada com louro.
- E o tomate? 
- Fica-lhes a pele agarrada ás gengivas ... É o que eles dizem ... 
- E alho?
- Nem pensar. Ficam com afrontamentos ... náuseas ...
- Espera aí, espera aí ... Se não leva  cebola, não leva louro, não leva tomate, não leva alho ... o que é que leva?
- Água ..
- Bom, até aí estamos de acordo. E que mais leva? Leva sal?
- Sal, pouco ... Querem que leve enguias ...
- Enguias??? Não posso!!! Tínhamos combinado fazer uma caldeirada, uma caldeirada, percebes?, nunca se falou numa caldeirada de enguias ...
- Pois não, mas o que é que tu queres, há quem goste de enguias ...
- Pois eu, quer dizer nós cá em casa detestamos enguias ... As enguias lembram-me as cobras, quando penso em cobras fico tensa e vêm-me, quer dizer, lá em casa vêm-nos as lágrimas aos olhos, espirramos, ficamos estragados de todo.
- Em casa dos Jerónimos, esse sintoma acontece mas é com a cebola, é por isso que eles vetam a cebola.
- E que mais vetam eles?
- Ainda não se pronunciaram em definitivo, vou hoje jantar com eles, quer dizer, com o Jerónimo, mas já me fizeram saber que engalinham com o facto da ideia da caldeirada ter sido congeminada por ti.
- Complexos ...
- Pois, também acho. Mas receio que, por este andar, não vamos ter caldeirada ...
- Vamos , vamos, ... já afiancei que vamos, portanto, vamos! Nem que seja uma caldeirada minimalista.
- Qual? Uma omelete?
- Uma quê? Desde quando é que uma caldeirada pode ser uma omelete?, ou vice-versa?
- Não sei. Ainda não sei. Vou saber só logo à noite ...
- De qualquer modo, António, alguma coisa tens que cozinhar! Não vais bater com a porta, António!
- Alguma coisa se há-de arranjar para comer, descansa... 




Friday, June 19, 2015

OS BÁLTICOS - 4




- E come-se bem por lá?, pergunta-me um amigo, bom garfo.
- Bem, e barato. Em Vilnius, menos de metade do preço de Lisboa para qualidade comparável. A apresentação é, no mesmo escalão de qualidade geralmente mais requintada. Em Riga, os preços já são mais elevados que em Vilnius, a qualidade é boa, a apresentação excelente.Em Tallinn, os preços são idênticos ao de Lisboa, para os mesmos escalões de qualidade e apresentação. 
- E quanto a trânsito, engarrafamentos, dificuldades de parqueamento?
- Vilnius tem agora uma população de cerca 540 mil habitantes; o município cerca de 806 mil. Riga cerca de 644000, Tallinn 435 mil.Em qualquer destas três capitais bálticas o trânsito flui de um modo só comparável com Lisboa fora de horas. A maior parte do trânsito urbano é assegurado por transportes colectivos, metropolitano,  eléctricos, troleys ou autocarros, geralmente duplos. Não há em qualquer caso a intensidade de carros estacionados que se observa nas nossas maiores cidades. 
- A independência ocorreu há pouco mais de vinte anos. São ainda fortes as marcas dos tempos da ocupação soviética?
- Geralmente os prédios estão menos bem conservados nas periferias sem contudo se observarem situações de abandono e deterioração que, lamentavelmente, ainda caracterizam os nossos maiores centros urbanos. E no centro das cidades a renovação e recuperação, em alguns casos quase total, de edifícios destruídos durante a Segunda Grande Guerra é notável. 




































1 - Em Vilnius, o Palácio dos Grandes Duques da Lituânia, situado na Praça Principal ao lado da Catedral, foi recentemente totalmente reconstruído sobre as ruinas do Palácio do Grão Ducado que no séc. xv foi sede de governo de um território que abrangia a Polónia e parte da Rússia actual. Uma exposição documental ao longo de um percurso de visita às ruínas dá conta aos visitantes da história de que aquelas pedras são testemunhas.
2 - O centro de Riga, arrasado pelos bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial, encontra-se hoje totalmente recuperado. O edifício mais emblemático da praça principal, que foi sede da Irmandade dos Cabeças Negras , é agora residência oficial do Presidente da República.
3 - Edifício da Ópera em Riga. Durante o mês de Junho,  festival Viva Puccini.Seria inimaginável este programa em São Carlos. O belíssimo parque central de Riga, onde se encontra o edifício da Ópera, recordou-nos algumas instalações despropositadas que com têm sido mimoseados os parques de Lisboa, nomedamente o Eduardo VII e o do Campo Grande. Neste último caso, de algumas dessas instalações são agora mantidos os escombros.
4 - Catedral Ortodoxa em Tallinn


5 - Igreja Ortodoxa de Riga
Recuperada recentemente para o culto, a abóbada da cúpula foi utilizada durante a ocupação soviética como planetário. Pormenor da entrada. É proibida a fotografia do interior.
6 - Embaixada da Rússia em Riga. A monumentalidade do edifício, situado numa zona da cidade caracterizada por um conjunto notável de edifícios Arte Nova, diz bem da afirmação que os russos colocam nas suas pretensões de influência em território hoje abrangido pela cobertura da Nato.

 7- Embaixada da Bélgica na mesma zona Arte Nova da cidade.



























8 - Castelo de Trakay, a 28 quilómetros de Vilnius. Reconstrução total recente. É um dos locais turísiticos mais visitados da Lituânia


9 - Castelo de Kaunas. Reconstrução total recente.

10 -  Sartre observa-nos.
São raros os graffiti nos Bálticos.
Estes foram fotografados nas imediações do castelo de Kaunas.














11 - Palácios de Rundâle, a 40 quilómetros de Riga, e de Kadriorg, hoje transformado em museu, em Tallinn. Heranças recentemente reconstruídas dos tempos em que os czares russos iam passar férias junto ao Mar Báltico.

12 - Recordações dos últimos czares em restaurante de Pärnu, uma estância balnear a uma hora e meia de carro de Tallinn. Num quadro, o czar, no outro a czarina. Noutro restaurante, na Rua Nikolai, da mesma cidade, o mesmo tributo de lembrança pelos czares levou-me a perguntar se o restaurante, cheio de comensais, era russo. O empregado respondeu-me que não.  
Se um dia destes se espevita o conflito entre as forças da Nato estacionadas nos territórios bálticos e as russas no outro lado, ali tão perto, de que lado se põem estas populações onde um em cada quatro habitantes é etnicamente russo?

13 - Arte Nova em Riga - Pormenor de uma janela


Corvo ou espião russo?
Gralha-preta-de-capuz
Frequente, e confiante, nos parques bálticos.

Saturday, March 28, 2015

A LAMPREIA JÁ NÃO É A QUE ERA

Lampreia? Não gosto. Tem um aspecto esquisito. Não. Só de a ver não me atrevo, sequer, a provar.  Nunca me arrisquei, não consigo, que queres? E aquele molho! Não sei como alguém consegue tragar uma coisa daquelas. 
O que é que há que se coma para além da lampreia? Só bifes? Bom, então traga o bife, que não seja muito duro, se faz favor.

Até há poucos anos os apreciadores do ciclóstomo eram relativamente poucos, a lampreia dava para todos, ainda que tivessem que esportular mais que o costume. De repente, por razões com que, tanto quanto se saiba, ainda nenhum académico compôs tese de doutoramento, começaram a multiplicar-se por esta altura do ano cartazes em restaurantes a publicitar que lá dentro há lampreia. Do Minho, reclamam muitos. 

Que alterações se observaram nos mecanismos cerebrais dos portugueses para esta mudança radical que transformou em delicatessen o que antes era simplesmente repugnante? Não sabemos. O que sabemos é que a procura aumentou tão desmesuradamente que logo se impôs a dúvida: de onde vem agora tanta lampreia?  E outra ainda: este súbito e acentuado aumento da procura não provocou um aumento dos preços, por quê? Muito simplesmente porque passaram a ser importadas toneladas de lampreia de França e do Canadá, pelo menos, onde a lampreia não motiva os grastónomos locais.

E é boa?
Há quem diga que é melhor, até. Mas também há quem diga o mesmo da sardinha congelada e assada em Dezembro. Gostos, são discutíveis. Mas o que é indiscutível é o facto desta lampreia importada não ter o gosto da lampreia capturada nos nossos rios. Melhor dizendo: não sabe a lampreia. Talvez por isso esteja a tornar-se tão popular.

Há gente assim:
- E de peixes, gostas? 
- Gosto.
- De qual gostas mais?
- Gosto mais de pescada, porque sabe menos a peixe.


Thursday, October 17, 2013

HOJE HÁ BOCHECHAS


Bochechas de porco assadas no forno. Acompanha com batatas assadas, esparregado de couve portuguesa e puré de maçã.

Tuesday, October 01, 2013

HOJE HÁ PETINGA NA TELHA


Aliás, houve.
Aviso à navegação - A telha deve ser porosa (telha portuguesa antiga), e deve ser lavada imediatamente após a utilização.