
É uma desgraça», afirmou Wang acerca do caso do playback*. A voz que ouvimos era de outra garota que tinha sido seleccionada pela qualidade da mesma mas, que foi substituida por ter, como é habitual nestas idades, os dentes ligeiramente tortos.**
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*www.wangxiaofeng.net, endereço do blogue citado por António.
**Comentário de AChata
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Foi muito comentado, e reprovado, o caso do playback da menina chinesa apresentada na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Por razões idênticas, foi também muito criticado o facto de terem os chineses manipulado os efeitos visuais, transmitidos pela televisão, do fogo de artifício e da representação das diferentes etnias ter sido feita apenas por crianças da etnia maioritária. Muito provavelmente, ouve outras simulações e truques, mas estes três exemplos são mais do que suficientes para podermos fazer uma apreciação do que está em causa.
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E o que está em causa, isto é, do que estamos a falar é da forma como foi produzido um espectáculo e dos recursos e artifícios que foram utilizados na sua montagem. Um espectáculo que abriu, mais do que uma suprema manifestação desportiva, um negócio em larga escala. Do espírito amador que começou por animar os jogos da era moderna, os jogos evoluíram para um negócio espectacular em que participam atletas hiperprofissionalizados. Nenhum outro sector de actividade económica congrega tanta intensidade de esforço individual e colectivo. Assim sendo, nada é amador porque nenhum erro pode ser cometido por falta de ensaio suficiente para garantir o sucesso do negócio. Um requisito indispensável que, neste caso, foi potenciado pelo facto de a China querer aproveitar os jogos, e por isso mesmo se candidatou com indisfarçado interesse, para afirmar a sua condição de potência emergente incontornável.
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Se uma menina cantou e outra gesticulou, foi porque assim foi entendido como mais conveniente à encenação pretendida. Aliás, se aceitámos que em "Música no Coração" ou "West Side Story", e tantos outros, criados há dezenas de anos atrás, os protagonistas fossem dobrados por cantores profissionais, porque razão censuramos agora os chineses por fazerem o mesmo? O negócio do entretenimento é basicamente um negócio da ilusão. E nada é mais contraproducente, para quem assiste a um espectáculo de ilusionismo, passar todo o tempo a pensar onde está o truque.
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Ontem foi batido mais uma vez o recorde dos 100 metros. Para quê?
A tal pergunta que, quando é feita, estraga o espectáculo.
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...............*www.wangxiaofeng.net, endereço do blogue citado por António.
**Comentário de AChata

