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Thursday, March 24, 2016

HIPOCRISIA INTERNACIONAL

A União Europeia decide hoje resposta a ataques terroristas, lê-se aqui, mas é certamente um exagero editorial. Ninguém, minimamente conhecedor dos meandros políticos em que se enleiam os burocratas comunitários em Bruxelas, pode acreditar que hoje, já hoje, eles sejam capazes de mobilizar os meios conjuntos necessários ao ataque aos ataques terroristas que estoiram mesmo ao seu lado. A União Europeia subsiste demasiado desunida para responder a este e a todos os desafios que exigem dos europeus um sentido de cidadania europeia. Um sentido que não existe, nunca existiu, e parece que se esvai até a intenção de que venha a existir de cada vez que esse sentido é posto à prova. 

"I don´t love Brussels, I love Britain", afirmou há poucos dias David Cameron.
Como, muito pertinentemente, se registava aqui, a afirmação de Cameron, aliás proferida num contexto de mobilização para a permanência do Reino Unido na União Europeia, só é chocante quando ouvida a quente; friamente, a subsistência dos nacionalismos no seio da União tem constituído, e tudo leva a crer que continuará a constituir, o grande obstáculo a uma união política que lhe justifique o nome. 
Quem é que "ama Bruxelas?". Ninguém. 

O terrorismo, e muito particularmente o terrorismo suicida mobilizado por interpretações sectárias do Corão, sendo inevitável pode ser minimizado. Propostas de combate ao flagelo não faltam, mas, como na história dos ratos que decidiram colocar o guizo no pescoço do gato*, falta aos líderes da UE capacidade para mobilizar os europeus no sentido de transformar uma união nominal numa união efectiva. 

E falta ainda aos líderes do mundo ocidental, aquele em que prevalecem valores culturais, para nós inalienáveis, combater os que, material e ideologicamente, suportam o terror espalhado pelos bombistas suicidas com o objectivo declarado de destruir esses valores. 
Se os fanáticos islâmicos detêm um poder militar tão flagrante, quem é que lhes fornece as armas e lhes municia as mentes e os estômagos? 
A Arábia Saudita, por exemplo, nem sequer é suspeita porque é um patrocinador confesso das interpretações corânicas que recompensam os suicidas bombistas no além realidade. Quem e quando vai alguém ser capaz de lhe colocar o guizo?  Quando é que a hipocrisia internacional deixa de derramar lágrimas de crocodilo em Bruxelas, Paris, Istambul, Madrid, Londres, Nova Iorque, além de outros locais onde morreram, e irão morrer, inocentes por nenhuma causa?

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Correl. -

Por que foi a Bélgica atacada por terroristas
A União Europeia decide hoje resposta a ataques terroristas.
Os atentados questionam a capacidade dos serviços de segurança belgas
Juncker culpa a passividade dos governos perante o terrorismo
Os ataques bombistas mostram como a Bélgica se transformou numa incubadora de terror - As forças de segurança não aproveitaram oportunidades de abortar atentados do ISIS
Os terroristas atravessam as fronteiras na Europa mas as informações dos serviços de segurança não
O Presidente Obama repreende a Arábia Saudita
Fanatismo do Daesh é apoiado pela Arábia Saudita

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* Os ratos reunidos em conselho

Tuesday, January 05, 2016

UM HOMEM CHORA



Enquanto os poltrões se enredam na teia tecida por um demagogo que excita os instintos mais brutais da condição humana. E que nada garante que não seja daqui a um ano o presidente da maior nação do planeta com todos os apocalípticos desvarios que o cargo lhe possa permitir.

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* Escrevo, de homens, porque de todos os morticínios provocados por tiros disparados por armas nos    EUA não me recordo de algum que tenha sido perpetado por mulheres.
   Sendo o Congresso norte-americano dominado muito maioritariamente por homens pode ser esta a      explicação para a renitente persistência de uma lei bárbara. Explicação que, contudo, não absolve as    mulheres norte-americanas pela passividade com que toleram ou agressividade com que estimulam    tal lei e as suas consequências.  

Tuesday, January 08, 2013

ANTENA ABERTA

...
- Após Newtown Connecticut há quem pretenda que as escolas estejam armadas para poderem defender-se. O que pensa disso?
- O direito de legítima defesa é inalieanável.
- Mas a posse de armas não garante nenhuma defesa contra as intenções homicidas de um criminoso.
Eles não costumam anunciar-se ...
- Pois não, mas pode dissuadi-los de correrem o risco de serem baleados. 
- Geralmente, eles acabam por atirar sobre eles mesmos...
- Às vezes, só às vezes.
- Já percebemos todos que o Jack é contra ...
- Sou, não, somos contra. Aqui, somos todos contra qualquer lei que restrinja os direitos dos cidadãos consignados na Segunda Emenda à Consituição dos Estados Unidos da América: "Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido.". Só isso.
- E os senhores entendem que a liberdade neste país não está convenientemente assegurada pelo normal funcionamento das instuições democraticamente eleitas. É isso?
- O senhor tem dúvidas?
- Eu não sinto nem pressinto essa ameça ...
- Falta-lhe sensibilidade, intuição, vivência ...é, falta-lhe vir para o campo. Venha até cá, e aperceber-se-á melhor do que lhe falo. Aí, no estúdio, os senhores desconhecem a realidade.
- Portanto, os senhores sentem a segurança da liberdade na América ameaçada ...
- Bingo! 
- ... a democracia corre perigo ...
- Evidentemente!
- E porquê? O Presidente Obama toma posse para um segundo mandato dentro de duas semanas. Foi eleito democraticamente. Será o 47º. presidente dos EUA, eleito segundo os mesmos preceitos constitucionais de sempre. 
- Obama é um socialista, um comunista. 
- Todos os democratas são comunistas?
- Só comunistas apoiam comunistas.
- Clinton é comunista ...?
- Se apoiou, é.
- Mas Obama foi eleito por uma maioria absoluta de norte-americanos.
- Hum! O presidente do Irão, como é que ele se chama?, também foi eleito por uma maioria de votos, não foi? E há mais casos.
- E os senhores pensam que a democracia norte-americana é comparável à iraniana, é isso?
- De modo algum, de modo algum. Mas, precisamente, porque não é, e queremos que nunca seja, que  jamais consentiremos que nos desarmem. 
- Mesmo que uma lei aprovada pelo Senado e pelo Congresso determine o contrário?
- Nem o Senado nem o Congresso podem derrogar um direito fundamental do povo norte-americano.
É por isso que não desarmaremos nunca.