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Sunday, April 27, 2014

PROPOSTA INCONVENIENTE

Rui Rio, defendia há dias num programa da Sic Notícias, além do mais: a regionalização, o redimensionamento dos círculos eleitorais, por redução da sua extensão individual e consequente aumento do seu número e a atribuição de assentos na Assembleia da República (que ficariam vazios) aos votos brancos e nulos.

Subsistindo-me dúvidas quanto à regionalização, sobretudo pelos seus eventuais efeitos perversos, considero que fortaleceria a nossa democracia anémica a redefinição dos círculos eleitorais de modo a que a cada qual correspondesse o mesmo, e logo menor, número de deputados de cada círculo. A terceira ideia é tão aliciante para os eleitores quanto repugnante para os partidos e, por isso, porque são os líderes partidários os donos e senhores da democracia que temos, não funcionará.

E é pena. 
É pena, porque a impossibilidade de o eleitor poder manifestar o seu não apoio aos candidatos que lhe são apresentados sem a faculdade de rejeição de alguns, desacredita a democracia porque desmotiva muitos eleitores aumentando imparavelmente a dimensão da abstenção. Se o não apoio aos candidatos apresentados, manifestado pelo número de votos em branco, tivesse correspondente representatividade na AR, por redução do número de deputados equivalente ao número de cadeiras vazias conquistado pelos "brancos", seria maior o empenho dos deputados e mais limpa a transparência democrática.

E, nesse caso, votaria nas próximas eleições.

Monday, October 15, 2007

RECADO DA MANUELA

"Aplaudida de pé, Manuela Ferreira Leite fez um dos discursos mais aguardados do Congresso...

Ferreira Leite deixou alguns recados à liderança do PSD. Aconselhou o partido a não avançar com a discussão "fracturante" sobre a regionalização e a manter o silêncio quanto ao referendo europeu, já que não quer ver o PSD "de braço dado com Sócrates". Nos impostos, a ordem é para não pedir para baixar." (Diário Económico, de hoje).
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Se as posições de Ferreira Leite sobre a regionalização e impostos são sobejamente conhecidas (e contrariam num caso as intenções de Filipe Menezes e, no outro, as reclamações de Marques Mendes) já o pedido de silêncio sobre o referendo europeu "para não ver de braço dado o PSD com Sócrates" é intrigante: porque o silêncio significa ou indefinição ou puro calculismo político. Como não é razoável supor-se que Ferreira Leite não tem uma posição clara sobre o assunto, o facto de não querer desvendá-la nem querer que PSD desvende só pode ter a segunda interpretação. Podem os seus correligionários aplaudir a recomendação mas ela está longe de merecer aplausos de quem não se pauta por oportunismos, qualquer que seja a espécie.
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Além de que Sócrates, também ele se remeteu ao silêncio invocando que o Tratado se encontra ainda em discussão.
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De braço dado com Manuel Ferreira Leite, portanto.