Wednesday, April 14, 2021

SIMPLESMENTE, DESASTRAZENECA

 "Comissão Europeia não renovará contratos com AstraZeneca e Johnson & Johnson - aqui

(correl . SIMPLESMENTE, VAXZEVRIA )

Para quem ainda não foi vacinado ou foi vacinado com a AstraZeneca ( a notícia nada diz sobre a Johnson & Johnson que irá chegar a Portugal), a notícia é, no mínimo, desconfortável.

A Comissão Europeia decidiu não renovar os contratos de fornecimento de vacinas com a AstraZeneca e com a Johnson & Johnson, noticiou o diário italiano La Stampa esta quarta-feira, citando uma fonte do Ministério da Saúde italiano.

"A Comissão Europeia, em acordo com os líderes de vários países europeus, decidiu que os contratos com as fabricantes de vacinas com vector viral que são válidos para este ano não serão renovados quando expirarem", escreve o jornal italiano.

Bruxelas vai optar por vacinas que usam tecnologia de mRNA, como a da Pfizer/BioNTech e a da Moderna.

A Comissão Europeia está, neste momento, a aguardar explicação da Johnson & Johnson sobre o "absolutamente inesperado" anúncio sobre um atraso nas entregas de vacinas na Europa, adiantou fonte oficial à agência Reuters. "

---- 

Why Biden health officials decided to pause J&J’s coronavirus vaccine - aqui

Their goal was to protect the public and be transparent, but critics worry they overreacted and might undermine vaccine confidence

When top Biden administration health officials gathered on a Zoom call Monday night, they knew they faced a difficult decision. Six women in the United States had developed extremely rare but potentially life-threatening blood clots after getting the Johnson & Johnson coronavirus vaccine — a problem with disturbing parallels to the one in Europe linked to AstraZeneca’s vaccine.

Initially, some suggested the government could just issue a warning to consumers and doctors. They didn’t want to undermine confidence in vaccines given the danger of covid-19. But as they talked, two big worries emerged. They feared there might be additional cases of brain blood clots they didn’t know about. And what if the government didn’t act quickly, and as a result more people got the wrong diagnosis and treatment and were hurt or died?

Their unanimous agreement to recommend a pause in using the J&J single-shot vaccine early Tuesday morning set off a fierce debate. Critics suggested they were overreacting, predicting the result would be fewer people getting vaccinated and more dying of covid-19, the disease caused by the coronavirus. Others praised the federal officials for acting quickly on their concerns — especially since the conventional treatment with anticoagulant drugs can have serious harm. The argument suggested there are no easy answers in a pandemic that has posed one excruciating challenge after another.

 

Saturday, April 10, 2021

O JOGO DA CABRA CEGA

IVO ROSA - 172 - MINISTÉRIO PÚBLICO - 6

Resultado no fim da primeira parte, iniciada com a prisão de Sócrates em 21 de Novembro de 2014.
Segundo as previsões de alguns especialistas na matéria, a segunda parte do jogo não será decisiva, seguir-se-á prolongamento e a decisão final, por penalties, no Tribunal Constitucional.

No outros jogos do mesmo campeonato os resultados foram ainda mais arrasantes para o Ministério Público.Vai a julgamento, manda Ivo Rosa, o antigo motorista de Sócrates, João Perna, por posse ilegal de arma de fogo.

Siga o jogo, ainda há, para alguns, muitos anos para a justiça se continuar a arrasar. 

--- 13/04

Opinião - O acórdão do TC que afundou a Operação Marquês

João Miguel Tavares - 13 de Abril de 2021, 0:00

"Os tristes factos são estes: a acusação da Operação Marquês foi entregue em 2017 para depois ser dinamitada em 2021 por um juiz que baseou a sua decisão num acórdão do TC de 2019. Um acórdão absurdo e insensível ao mais elementar bom senso, que tem como relator um juiz escolhido pelo Partido Socialista e que é um antigo deputado do PS.

Prescreveu. Esta foi a palavra mais ouvida na sexta-feira. O negócio da PT prescreveu, o negócio da Oi prescreveu, o negócio de Vale do Lobo prescreveu, os negócios do Grupo Lena prescreveram. A palavra “prescrição” surge 305 vezes na decisão instrutória do juiz Ivo Rosa. Eis a pergunta fatal: porque é que aqueles crimes prescreveram? Rosário Teixeira enlouqueceu? O Ministério Público andou a esbanjar enormes recursos para perseguir crimes prescritos? O que é que permitiu a Ivo Rosa arquivar 172 crimes quando a circulação de 34 milhões de euros está tão bem documentada? Estas perguntas vão esbarrar no acórdão do Tribunal Constitucional de 6 de Fevereiro de 2019, que tem tudo para entrar para a pequena história da nossa democracia.

A primeira estranheza é esta: Ivo Rosa iniciou a fase de instrução da Operação Marquês a 28 de Janeiro de 2019 e dez dias depois recebeu de prenda o acórdão do Tribunal Constitucional (TC) que lhe permitiu destruir a acusação com base na prescrição de quase todos os crimes. Aquilo que o acórdão em causa – n.º 90/2019 – diz, em termos muito simples, é isto: a contagem da prescrição do crime de corrupção activa começa a partir do momento que a promessa de corrupção é feita, e não quando o dinheiro é entregue ao corrupto, e muito menos aquando do último suborno.

Imaginem que Ricardo Salgado acordava corromper José Sócrates em 2005, entregava a primeira tranche em 2007 e continuava a entregar-lhe dinheiro até 2011. Manda o bom senso que a prescrição do crime de corrupção comece a contar a partir de 2011, certo? Errado, segundo o TC: a contagem começa em 2005. O que significa – porque o prazo de prescrição da corrupção para acto lícito em 2005 era de apenas cinco anos – que em 2011 José Sócrates já estaria a receber dinheiro de um crime prescrito. Se declarasse o valor ao fisco e pagasse o respectivo imposto, provavelmente o dinheiro até seria legal. Viva o Estado de direito português!

O acórdão teve como relator Claudio Monteiro e recebeu os votos favoráveis dos conselheiros José Teles Pereira e João Pedro Caupers, actual presidente do TC. A conselheira Maria de Fátima Mata-Mouros votou contra e deixou uma declaração de vencida duríssima, na qual afirma que o “Tribunal Constitucional exorbitou a sua jurisdição”, e acrescenta que o conteúdo daquele acórdão poderia vir a ter (parece que é bruxa) “custos irreparáveis para o prestígio da Justiça e do Estado de direito”.

As instituições que deviam proteger-nos estão a alimentar uma cultura de impunidade – e não se vê quem esteja disposto a combatê-la e a travá-la

A segunda estranheza é esta: logo por azar, o conselheiro Claudio Monteiro, que apenas esteve três anos no TC (entrou em Julho de 2016 e renunciou ao cargo em Janeiro de 2020, mudando-se para o Supremo Tribunal Administrativo), foi escolhido pelo Partido Socialista e é um antigo deputado do PS. Significa isto que tal acórdão foi redigido para fazer favores a alguém? Não significa. Mas significa que a transumância entre a política partidária e o Tribunal Constitucional é péssima, e que o sistema, tal como o conhecemos, tem guardas pretorianos nas mais elevadas posições. Isto desprestigia o regime, alimentando todas as desconfianças.

Os tristes factos são estes: a acusação da Operação Marquês foi entregue em 2017 para depois ser dinamitada em 2021 por um juiz que baseou a sua decisão num acórdão do TC de 2019. Um acórdão absurdo e insensível ao mais elementar bom senso. As instituições que deviam proteger-nos estão a alimentar uma cultura de impunidade – e não se vê quem esteja disposto a combatê-la e a travá-la."