Por que razão se estilhaça a esquerda em partidos, movimentos ou facções, por que é que a esquerda,
que compõe os seus discursos com reclamos de unidade, solidariedade, fraternidade, igualdade, é incapaz de encontrar pontes de compromisso e de união, por que se fractura a esquerda quando a direita se une, por que há tanta ânsia de poder individual à esquerda, que tende a fazer de cada militante um partido, se proclama a generosidade do sentido colectivo da sua ideologia e afirma a sua repulsa pelo egoísmo do individualismo da direita?
Por que é que a esquerda, mesmo sendo maioritária, é incapaz de se reunir para governar?
O PR tem sido criticado por ter afirmado estar seguro do que deve fazer a partir da próxima segunda-feira, mas aqueles que o criticam por isso não têm razão. Muito mau seria que o PR, este ou outro, na sequência dos resultados de amanhã não soubesse o que deveria fazer. Cavaco Silva fez saber há muito tempo que lhe desagradará ser eventualmente compelido a dar posse a um governo maioritário.
Ora a formação de um governo com suporte parlamentar maioritário depende, e apenas depende, da correlação de forças políticas representadas na AR.
Quaisquer que sejam os resultados de amanhã é sempre possível a formação de um governo suportado por uma maioria parlamentar. Se a coligação de direita vencer com maioria absoluta sabemos quem vai governar e quem suporta o governo. Se a coligação de direita não atingir a maioria absoluta, a esquerda terá representação maioritária, já que a eventualidade de um empate é remota e facilmente removível. Se for numericamente maioritária, compete à esquerda demonstrar uma vez por todas que comunga de princípios superiores aos interesses de cada um dos protagonistas que, até agora, se têm reclamado inconsequentemente de esquerda.
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Saturday, October 03, 2015
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