Tuesday, January 24, 2017

MRS. MAY AND MR. TRUMP

Mrs. May irá na próxima sexta-feira reunir-se com Mr. Trump em Washington. Será o primeiro líder estrangeiro a encontrar-se com o novo presidente dos EUA. Era esperável, Trump iniciou o seu discurso de posse garantindo determinar o futuro da América e do mundo durante muitos anos: 
"We, the citizens of America, are now joined in a great national effort to rebuild our country and restore its promise for all of our people. Together, we will determine the course of America and the world for many, many years to come." 
E o vassalo mais chegado apressa-se a reconhecer e a prestar vassalagem ao poder do suserano que supõe presidir aos destinos de toda a humanidade. May, na oportunidade, solicitará a Trump algumas concessões, geralmente atendidas aos mais próximos.



Segundo o FT de anteontem - Theresa May set for ‘frank’ discussions with Donald Trump - a primeira ministra britânica pretende abordar na audiência com Mr. Trump, nomeadamente, a cooperação entre o Reino Unido e os EUA contra o terrorismo e a Nato, tendo Mrs. May destacado, numa entrevista da BBC no sábado passado, as negociações  com os membros da UE, no âmbito do Brexit, acerca do sistema de controlo de fronteiras, Interpol e outros assuntos de defesa interna. 
Dito de outro modo: Mrs. May pretende assumir-se nas negociações com a UE como portadora dos acordos ou promessas de acordos que tenha obtido junto de Mr. Trump. 

Mrs. May irá propor a Mr. Trump, um antecipadamente garantido acordo bilateral de comércio post- Brexit  entre o Reino Unido e os EUA, que reforce as antigas relações entre os dois países, e (pasme-se!) convencer Mr. Trump a não minar a unidade da Europa! 
Recorde-se que Mr. Trump considerou o Brexit "um grande acontecimento" e disse na semana passada que que os EUA poderão subscrever um acordo com o Reino Unido "muito em breve", expressando cepticismo acerca do futuro da União Europeia, afirmando estar convencido que o Reino Unido não será o único país a abandonar a União Europeia.

Na sexta-feira, dia 20, numa entrevista do Financial Times Mrs. May tinha dito que era importante para os interesses britânicos que o bloco europeu se mantivesse forte. "Pretendo, disse Mrs. May, continuar manter uma associação estratégica conjunta com a União Europeia. É importante por razões de segurança, nos tempos que correm os perigos que defrontamos não recomendam que haja menos cooperação".

Hoje, dia 24, os juízes Supremo Tribunal votaram, cf. aqui (8 contra 3) a obrigatoriedade do parlamento em Londres votar a intenção do governo britânico activar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, primeiro passo para o início das negociações da saída do UK. Mas a aprovação parece estar garantida: a oposição de alguns deputados trabalhistas não será suficiente para rejeitar o Brexit.

Perante uma União Europeia aturdida, enrolada nas suas hesitações e contradições, Trump será mesmo o dono do mundo enquanto os norte-americanos deixarem. Desta vez, talvez, por portas travessas os europeus sejam resgatados de uma auto destruição se a dignidade se voltar a impor na política norte-americana.



Monday, January 23, 2017

MENSAGENS VELHAS

O porteiro deste caderno de apontamentos exige-me, para entrar, que clique  em "mensagem nova" e eu ou desisto ou disfarço. Decido-me por carregar, sem comentários, duas mensagens velhas:


Uma - "A dívida pública portuguesa atingiu 133,4% do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a segunda marca mais elevada entre os estados-membros da União Europeia (UE). Os dados revelados esta segunda-feira, 23 de Janeiro, pelo Eurostat mostram que a dívida pública portuguesa está entre as que mais subiram tanto em relação ao trimestre anterior como face ao período homólogo, em contra-ciclo com o que se passa no conjunto da zona euro e da UE." - cf. aqui

clicar para aumentar (a imagem ...)

Outra - Juros da dívida portuguesa disparam para quase 4% na maturidade a 10 anos após perspectiva de inflação na Alemanha

AUTO RETRATOS DE DOIS VELHOS QUANDO JOVENS

CORREDOR CENTRAL


- Diga-me, por favor, senhor guarda por que é que está cortado o trânsito automóvel aqui no Saldanha?
- É a inauguração do corredor central ... a senhora não sabe que vamos ter eleições este ano?
(ontem, cerca das 17 horas, nas proximidades do Saldanha) 

Público, 31/08/2003

Sunday, January 22, 2017

WE THE PEOPLE



"We thought (they) were the three groups that had been maybe criticized by Trump and maybe were going to be most, if not necessarily vulnerable in a literal sense, most feeling that their needs would be neglected in a Trump administration," Fairey told CNN.


Saturday, January 21, 2017

UM ATENTADO CONTRA A CRESMINA

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais*,

Consideramos o percurso nas dunas da Cresmina uma dádiva natural que, sempre que a oportunidade ocorre, sugerimos a amigos e conhecidos usufruir. 
Hoje voltámos lá, mais uma vez com convidados nossos. 
E ficámos surpreendidos, depois desapontados, e revoltados com o que vimos e ouvimos.

Surpreendidos por ver tantas ramadas de pinheiro serradas a ladear o passadiço.
Perguntámos porquê, disseram-nos que, com aquela barreira feita de ramos cortados no local, pretende o, ou os autores da ideia barrar a entrada de alguns passeantes que, contra o que lhes é permitido, ultrapassam as cordas limitadoras do percurso.

Desapontados porque nem as barreiras assim formadas são obstáculo bastante para impedir os intentos dos transgressores nem é visualmente agradável passear entre ramos, que agora estão verdes, mais tarde estarão secos, sujeitos à imprevidência ou ao crime de fogo posto. 

Revoltados porque para montar as desastradas barreiras decidiram os seus autores cortar pinheiros que ladeavam alguns troços do percurso. A reposição da vegetação de pinhal cortada vai demorar décadas.

Agora é tarde porque as árvores estão cortadas.
Mas não é tarde para evitar outros desmandos.
Continuam nos seus postos os responsáveis?


Foto copiada do site antes do corte de pinheiros.

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* Enviado para
presidencia@cm-cascais.pt

Friday, January 20, 2017

DESTA VEZ, DA AMÉRICA

A partir de hoje, não sabemos até quando, o amigo de Putin, Donald Trump será o 45º. Presidente dos Estados Unidos da América. Venceu o populismo (não venceu o voto popular) excitado pelas redes sociais, inundadas de forma provavelmente decisiva pelas interferências dos hackers russos. Trump já reconheceu publicamente essa interferência, (obviamente) negou que ela possa ter influenciado os resultados que lhe garantiram a presidência. 

Tenha sido ou não decisiva a interferência de Putin na eleição de Trump, é inquestionável que Putin reforça com a eleição do amigo norte-americano a aura atribuída pela Forbes de político mais poderoso do mundo. Se a Forbes o diz, Trump aproveita para engrossar nos EUA a onda de populismo ensaiada na Europa prometendo tornar a América grande outra vez - "Make America Great Again"-. Sub liminarmente, Trump intuiu nos norte-americanos, mas não na maioria, a ideia de que se Putin - líder de um país com uma economia que valerá quanto muito tanto quanto a economia espanhola - é o mais poderoso, é porque a América perdeu a liderança do poder mundial. E ele, Trump, vai reconquistar o poder perdido. Enfrentando Putin, o mais poderoso?

Não, de modo algum. Trump é um bilionário com muitos negócios e muitos amigos na Rússia, com Putin à cabeça da longa lista, e durante a campanha eleitoral, não se eximiram de trocar lisonjas entre eles. O populismo sustentado no exacerbamento  do nacionalismo, que garante a Putin o poder na Rússia e a ambição de a tornar outra vez grande tem a mesma índole daquele que tuíta Trump. 
Porém, o nacionalismo exacerbado em populismo necessita de se alimentar num inimigo externo. Trump escolheu a China, desfraldando a bandeira do proteccionismo para erguer barreiras ao comércio e à circulação de pessoas, e, por tabela, abanar a ainda inacabada estrutura europeia criticando-lhe a perda das identidades nacionais, a permissividade da circulação de pessoas e o disponibilidade no acolhimento de refugiados. 

Desta vez não virão da América os exércitos libertadores das amarras forjadas pelos nacionalismos endémicos no velho continente. A Srª. Theresa May já anunciou que vai forçar um "Brêxit" duro, ameaçando competir com as armas usadas pelos paraísos fiscais. Trump aplaude e augura um desmembramento da União Europeia, Le Pen rejubila, Putin conta com o apoio incondicional do homem soviético, que muitos distraidamente julgaram acabado, para recuperar a influência de Moscovo sobre o leste europeu sem rumo. 
Pela primeira vez na história, os Estados Unidos da América, por vontade de Trump, estarão do lado daqueles que pretendem a fragmentação do ocidente europeu. 
Cúmplices, admiradores ou simplesmente tácitos aliados, não faltam deste lado do Atlântico a Putin e a Trump.

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Correl.- Trump apossa-se

Thursday, January 19, 2017

UMA DESTRUIÇÃO COLOSSAL NA BANCA PORTUGUESA

O Negócios online resumia na sua edição de ontem as declarações de Fernando Ulrich* num encontro com os jornalistas. Transcrevo, vd. abaixo* o artigo, não vá a pérola perder-se pelo caminho.

Ulrich sempre se destacou do comportamento sonso dos seus confrades banqueiros Em alguns momentos foi premonitório, noutros polémico, em alguns casos surpreendente pela falta de razoável contenção ou equilíbrio no discernimento. Registei e comentei algumas das suas declarações públicas: aquiaqui, aqui, aqui ( Ulrich : Fusão PT/Oi é uma tragédia que deve ser travada imediatamente), aquiaquiaquiaquiaqui (se a medida relativa à taxa social única avançar, o BPI deverá ter um ganho de 10 milhões de euros em 2013), aquiaqui.

Ontem, as declarações de Ulrich registadas por Maria João Gago, só são surpreendentes quando "defende que custo suportado por Estado e contribuintes foi muito baixo quando comparado com accionistas ...". 
Mas só são surpreendentes para quem desconheça a convicção desde sempre cimentada na cabeça dos banqueiros de que lhes assiste o direito de embolsar rendimentos estratosféricos sob todas as formas possíveis e imaginárias, e endossar as perdas para os contribuintes quando os accionistas dos bancos batem a asa. Moral hazard, no jargão anglo-saxónico, uma designação dúbia para uma iniquidade evidente que torna legal a penalização dos inocentes. 

Não há outra explicação possível para interpretar a petulância de julgar responsável pelas perdas resultantes de actos de gestão quem não é, nunca foi, nunca será interveniente, nas decisões e moscambilhas dos que se aproveitam ou aproveitaram delas.

Em Outubro de 2006 escrevi aqui:

"É um facto indesmentível, porque eles próprios se encarregam de propagandear, que os lucros dos Bancos (consistentes ou não, um dia se verá) nada têm a ver com a miserabilidade em que a economia portuguesa se arrasta já há alguns anos. Não há Banco que se preze que não anuncie, semestralmente, pulos de lucros sempre de dois fortes dígitos.
Como é possível uma vaca esquelética ser tão generosa na produção de leite?"

Em Janeiro de 2013aqui

"Há muitos anos, em reunião com um banqueiro que hoje é presidente do banco de que na altura era administrador, referi que, com o andamento que se observava na economia portuguesa, enfezada e cada vez mais sugada pelos bancos, um dia a vaca acabaria por tombar para cima dos que dela mamavam em excesso.
Respondeu-me o banqueiro: Esteja tranquilo, os bancos nunca vão à falência.

E, até agora, o tal banqueiro acertou. O moral hazard que permite aos banqueiros tudo e mais alguma coisa, em Portugal não abriu até agora uma única excepção. "

Em Junho de 2014, aqui :
"Olhando para trás, da geração de banqueiros que se vangloriava dos lucros espantosos no meio de uma economia débil por, diziam eles, terem sabido aumentar os seus níveis de produtividade quando ela estagnava nos outros sectores, quantos sobram hoje? A maioria caiu dos pedestais para onde haviam pulado em trampolins manhosos de formas diversas mas geralmente indignas. Dos da primeira divisão sobra Ulrich, ou, se se preferir, a dupla Artur Santos Silva e Fernando Ulrich. Todos os outros tropeçaram, mais ou menos estrondosamente, nos seus próprios dribles."

Sabe-se agora que o La Caixa vai adquirir cem por cento do Grupo BPI.
O srs. Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, reformam-se, ainda que muito provavelmente continuem com um pé no estribo e financeiramente bem estribados. 

Nada estribados estão os portugueses com as dívidas que os banqueiros importaram. Se a taxa média de juro subir mais 1 ponto percentual, só não haverá novo resgate se a tempestade sobre a Europa for tão forte que nem um novo resgate seja possível. 

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* Desde 2001 "houve uma destruição colossal de capital" na banca portuguesa" ""O BPI fez contas ao capital injectado em cinco bancos e aos seus dividendos e resultados e concluiu que houve "destruição" de 35 mil milhões em capital. Ulrich defende que custo suportado por Estado e contribuintes foi muito baixo quando comparado com accionistas e outros países."  - aqui

"Cinco dos maiores bancos portugueses - CGD, BCP, BES/Novo Banco, Banif e BPN - destruíram cerca de 35 mil milhões de euros em capital injectado pelos seus accionistas entre 2001 e 2017, de acordo com as contas feitas pelo BPI com base em informação pública, cujas conclusões foram apresentadas esta quarta-feira, 18 de Janeiro, por Fernando Ulrich, num encontro com jornalistas.
"É uma história de destruição de capital brutal. Em 16 anos é uma verba verdadeiramente colossal", sublinhou o banqueiro. Em causa está "19% do PIB estimado para 2016".
Já o balanço dos apoios do Estado aos bancos analisados mostra que as perdas públicas nos bancos podem variar entre 4,4 e 6,4 mil milhões de euros, ou seja, o equivalente a 2,4% a 3,5% do PIB. "Até agora, o esforço efectivamente suportado pelo Estado e pelos contribuintes foi muito baixo quando comparado com o dos accionistas e o que foi suportado pelos outros países", defendeu Ulrich.
Com base nestes dados, o banqueiro pretende contestar a ideia muitas vezes transmitida na opinião pública de que "os custos dos bancos têm sido suportados pelos contribuintes. É mentira!", sublinhou o líder do BPI.
O levantamento também incluiu o BPI, mas no caso do banco que lidera, Ulrich conclui que entre dinheiro injectado pelos accionistas e os dividendos pagos, o balanço é positivo, já que os accionistas fizeram um esforço líquido de dividendos de 53 milhões. 
Já o apoio do Estado ao banco foi liquidado em 2014, com ganhos líquidos de 102 milhões de euros para o Tesouro "Os bancos não são todos iguais", frisou o banqueiro, garantindo que destacar a diferença do seu banco não foi o objectivo da análise realizada." 

Wednesday, January 18, 2017

FRANCISCO VS TRUMP

O canal National Geographic está a transmitir um docudrama (a próxima transmissão será na segunda-feira, 23, às 6,00h) sobre o papel desempenhado pelo Papa Pio XII durante a Segunda Grande Guerra. Foi Pio XII o "papa de Hitler" ou o anátema lançado é injusto?

"Nos dias mais negros da Segunda Grande Guerra, São Pedro estava encoberto pela sombra da suástica. Mas enquanto o Führer o rodeava, o Papa planeava uma contra ofensiva secreta. O Pontífice de Guerra Pio XII foi ridicularizado pelo seu silêncio sobre o Holocausto. Mas provas mostram que o seu silêncio poderá ter sido subterfúgio. E o homem marcado como "papa do Hitler" poderá ter querido eliminá-lo. Pio serviu de intermédio com os rebeldes alemães para montar uma revolta. Entretanto, uma rede de espiões da Igreja coloca os planos em marcha. Mensageiros católicos transportam mensagens entre Roma e Berlim, enquanto conspiradores se juntam na cripta de São Pedro. É um capítulo esquecido de uma guerra. Um confronto secreto entre o vigário de Cristo e o anti-Cristo. Papa Vs. Hitler é um docudrama entusiasmante de duas horas que explora uma das histórias menos conhecidas da Segunda Grande Guerra - o papel do Vaticano na conspiração para assassinar Adolf Hitler." - cf. aqui

Um docudrama, um neologismo que pretende significar uma versão entre a ficção e a realidade, e a ficção, neste caso, enrola-se sobretudo nas eventuais conexões entre o Pio XII e aqueles que na Alemanha arriscavam e pagavam com a vida a ousadia de parar as desmedidas atrocidades dos nazis. A realidade é um facto comprovado: Pio XII nunca fez ouvir publicamente a sua voz em protesto e condenação do holocausto em curso, que ele não ignorava porque viu, com os seus próprios olhos, uma amostra real do horror desencadeado pela fúria da besta. 

E hoje? 
O que diz o Papa Francisco perante a vaga de populismo carregado de ódios racistas, xenófobos, chauvinistas, que ameaçam desagregar a Europa e intensificar o incêndio ateado às suas portas? O que pensa, e se pensa deve dizer porque a força do Papa está na sua palavra, das declarações de Trump quando classificou de catastrófica a política de Merkel perante os refugiados?
Francisco esteve em Lesbos e até levou com ele 12 refugiados sírios para o Vaticano. É pouco, a bem dizer, é nada.
Fala Francisco!, "Estar atento não chega"* para que a história não venha a interpretar o teu silêncio como conivência.  
"Per ché non par li?".

foto c/p aqui
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* Correl . - Papa Francisco: " O que pensa de Donald Trump?"

"A resposta de Francisco que rejeita julgar políticos e diz que está atento às consequências que os seus comportamentos causam aos pobres e aos excluídos"

Tuesday, January 17, 2017

TRUMP NA GRELHA DE PARTIDA

cf. aqui

Entretanto, em Davos, no World Economic Forum, Xi Jinping, presidente da China, onde participou pela primeira vez, defendeu a globalização, o comércio livre, os acordos de Paris sobre políticas ambientais, a protecção aos refugiados, alertou para o perigo das guerras comerciais, atacou os populismos ... , atacando Trump, sem nunca o nomear.
Putin, por outro lado, tinha considerado pior que prostitutas quem ataca Trump.

Em Londres, Theresa May anunciou as linhas gerais em que pretende enquadrar o Brêxit, com renúncia do Reino Unido ao Mercado Único Europeu e a intenção de estabelecer acordos bilaterais com os outros 27 membros da União Europeia. - cf. aqui.  O Reino Unido prepara-se para reerguer-se como paraíso fiscal, destruindo a unidade europeia.

O mundo está virado do avesso.
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Act. - Hoje, 18/01, soube-se - vd. aqui, que Obama indultou Chelsea Manning, um soldado transsexual condenado a 35 anos de prisão por ter entregue documentos diplomáticos e militares confidenciais à WikiLeaks  de Julian Assange, permitindo que Manning seja libertado em Maio. Assange, o amigo de Trump, comprometeu-se a entregar-se à justiça norte-americana se Manning fosse libertada.
Aguarda-se agora o que tuitará Trump sobre o assunto.

Monday, January 16, 2017

PESADELO

Merkel para Trump: 

"Nós, europeus, temos o nosso destino nas nossas mãos"vd. aqui 

Trump, em entrevista publicada hoje em todo o mundo, permitiu-se classificar de catastrófica a política de acolhimento a refugiados decidida por Angela Merkel, augurou o desmembramento da União Europeia, classificou a NATO como obsoleta, voltou a congratular-se com o Brêxit, além de outras afirmações que deveriam merecer uma reacção à medida deste lado do Atlântico mas foi a voz da chanceler alemã que se fez ouvir.

Nós, europeus, não temos o nosso destino nas nossas mãos mas nas mãos de Merkel. 
Se a sua determinação for submergida pela onda populista que Trump e seus apaniguados continuam a bolsar, o destino dos europeus cairá nas mãos de Putin e Trump. 
Até que um deles engula o outro. 

OITO BILIONÁRIOS E A METADE MAIS POBRE DA HUMANIDADE

Segundo relatório da Oxfam, uma organização britânica de luta contra a pobreza, divulgado hoje aqui, voltou a observar-se a tendência de acumulação de riqueza a nível mundial:
Apenas oito homens detêm agora riqueza equivalente à metade mais pobre de toda a humanidade.
São eles:

- Bill Gates, o fundador da Microsoft; - 75 milhares de milhões
- Amancio Ortega, dono da Inditex/Zara; - 76 mM
- Warren Buffett, investidor; - 60,8 mM 
- Carlos Slim, emprsário mexicano; - 50 mM
- Jeff Bezos, dono da Amazon e do Washington Post; - 45,2 mM
- Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; - 44,6 mM
- Larry Ellison, da Oracle; - 43,6 mM
- Michael Bloomberg. 40 mM

Os números são calculados tendo por base dados do Credit Suisse e da Forbes. 



Em O Capital no século XXI, Thomas Piketty procura demonstrar os efeitos perversos da acumulação de riqueza sobre o declínio do crescimento económico. Não sendo inatacável, porque nenhuma obra no campo das ciências sociais o consegue ser, o bastante documentado ensaio do economista francês mereceu generalizada aceitação e aplauso mesmo de quadrantes ideológicos liberais. E a anémica evolução das economias mais desenvolvidas parece confirmar as suas conclusões. 
Por outro lado, em o Economist on line pode ler-se um artigo - The curious case of missing global productivity growth  - que parece confirmar a tese de o crescimento estar a ser travado pela estagnação da produtividade apesar dos desenvolvimentos tecnológicos observados nas últimas décadas. Falha nas expectativas ou demora na repercussão desses desenvolvimentos ou esmagamento generalizado do crescimento das classes médias por apropriação insaciável dos que se situam no percentil da extrema direita da distribuição de rendimentos? Piketty afirma que é este o caso. 

Sunday, January 15, 2017

DÍVIDAS E RESULTADOS

Não me motivam as discussões futeboleiras (o futebol é um espectáculo, pode ser bom ou mau, gosta-se ou não se gosta) mas o assunto ocupa um espaço tão intenso na comunicação social e em reuniões de amigos que é impossível não perceber que, para além das discussões à volta das opções dos treinadores ou dos erros dos árbitros, o futebol é um negócio, as compras e vendas de jogadores animam as opiniões divergentes entre os aficionados e as jogadas dos presidentes dos clubes suscitam frequentemente discussões tanto ou mais acaloradas que as  dos jogadores em campo.

Curiosamente, aos resultados obtidos em campo não correspondem os resultados registados nos balanços e contas de exploração. Vd. aqui os campeões das dívidas e dos resultados publicados pela UEFA. 
Notáveis: Pela positiva, os resultados dos negócios do Sporting e do Porto; pela negativa, o endividamento do Benfica, que ocupa o segundo lugar do ranking. O que coloca a recorrente questão da sustentação dos resultados desportivos pelas dívidas contraídas pelos clubes. 


Ainda a propósito de resultados e dívidas é inevitável registar que à satisfação com que a opinião pública maioritariamente corresponde ao exercício do governo actual não corresponde a inflexão do crescimento imparável da dívida pública a voltar a impulsionar o crescimento insustentável dos juros. A dívida pública de Portugal é a quinta mais elevada do mundo.
  
E, já agora, registe-se, ainda a propósito do tema em título, a notícia publicada aqui, que pesquei aqui: O PS tem penhoras de 50 mil euros correspondentes a rendas por pagar e um endividamento líquido a rondar os 22 milhões.
Mas continua folgadamente no primeiro lugar das sondagens.

Thursday, January 12, 2017

JUSTIÇA IMPLACÁVEL


Já várias vezes dediquei apontamentos neste bloco de notas ao sucesso internacional conseguido pela filmografia de alguns realizadores iranianos.
"O Vendedor" do realizador de "A Separação", uma obra também premiada em Cannes, merece ser visto.
***
Perante o fim, de algum modo inesperado, da morte por vergonha de um velho apanhado com a boca na botija, ocorreu-me a eleição de Trump, apoiada nos votos da maioria das mulheres brancas, porventura encantadas com a recorrente falta de vergonha do seu ídolo.  

Wednesday, January 11, 2017

O PAI


Em cena no Teatro Aberto.
Solicitada por um actor veterano ao autor, um ainda jovem, mas já muito aplaudido, dramaturgo francês,  "O Pai" é uma obra que obriga a um desempenho esgotante do protagonista.
João Perry responde ao  desafio, com uma interpretação notável, de uma obra construída a pensar num actor, centrada num tema - Alzheimer e as relações familiares - que não suscita reflexão porque se fica pasmado perante a inevitabilidade da tragédia das saídas conhecidas. 
Pela admirável interpretação de João Perry, ****

Tuesday, January 10, 2017

PLUTOCRACIA AMERICANA

Podem os norte-americanos considerarem-se governados por um regime democrático a partir do próximo dia 20, data da "inauguration" do mandato de Trump, não atribuído por uma maioria de votos mas pela conjugação constitucionalmente consentida da sua distribuição globalmente minoritária pelos 50 estados da União? Podem. Não foi esta a primeira vez que o candidato eleito não obteve a maioria dos votos a nível nacional. 
Será um poder democrático conquistado por portas travessas onde as redes sociais tiveram influência preponderante nas opções de voto de muitos eleitores confundidos ou enganados por mensagens que, em larga medida, foram forjadas a partir do Kremlin com a intenção de favorecer Trump denegrindo Hillary Clinton. Será um governo plutocrático formado por alguns dos membros mais ricos da sociedade norte-americana, vários deles oriundos de Wall Street, uma das fontes do mal que Trump prometeu secar durante a campanha. Não só não a secou como agora bebe dela. 

A plutocracia, como qualquer outra forma degenerescente da democracia, instala-se no poder utilizando a flacidez inerente ao voto popular, fulcro onde se assenta a base do funcionamento democrático. A denúncia e o combate desse aproveitamento perverso, que as redes sociais potenciaram e Trump, um malabarista do twitter, aproveitou e continua a aproveitar, só pode ser travado pela dedicação primeira ao interesse público que é suposto ser ponto de honra daqueles que se candidatam ao governo da res publica. 

Trump, aliado dos populistas instalados e dos candidatos a instalarem-se, vai poder contar com muitos daqueles que o combateram durante a campanha, chegando a sugerir que desistisse quando o viram quase a  afundar-se no pântano de escândalos que ele alegremente ia alargando, porque o poder atrai os vampiros que dele se alimentam.

Vem este apontamento a propósito deste artigo - Los gemelos Trum y Assange - publicado no El País de hoje. Vale a pena uma leitura integral.


Monday, January 09, 2017

HÁ BANCOS A MAIS À VOLTA DESTA MESA

Afirma Centeno,

"Não podemos correr riscos com a estabilidade financeira porque todos sabemos a importância que o sector financeiro tem numa economia moderna como a nossa e não podemos ficar reféns de soluções e vamos explorá-las todas as que tivermos à nossa mão, sendo que neste momento o foco é claramente o processo de venda" ... " "não tem que ser a extinção, antes pelo contrário, isso está basicamente fora de causa"... "... "nenhuma porta pode ficar fechada porque, para conseguir combinar critérios ou objectivos, que às vezes parecem contraditórios, nós temos que alargar o conjunto de possibilidades de actuação." ... "perante um cenário que não se consubstancie numa venda, (pode) haver outras alternativas que permitam atingir o primeiro dos critérios que é a estabilidade do sector financeiro". - aqui 

Resumindo, Centeno afirma que, se as negociações ainda em curso com o Lone Star falharem, o Governo avançará para a nacionalização (pretensamente temporária) do Novo Banco. 
Aliás, registe-se, para memória futura, que se a nacionalização for a opção última, por exclusão da extinção, conta até com o parecer favorável de opiniões emitidas a partir de quadrantes ideologicamente contrários.

E a nós, contribuintes, continuará a obrigação de continuar a ajoujar com a carga cada vez mais pesada dos erros, das conivências, das incompetências, dos crimes praticados por acção ou omissão, daqueles que inicialmente engendraram os monstros e depois daqueles que não os tendo dominado os deixaram crescer. 

Se o Novo Banco for nacionalizado será contida a sua fome de mais recursos e, consequentemente, de mais impostos? Como? Se a reversão da deterioração da situação, que à partida era suposto ter deixado de fora o que estava infectado, não foi possível durante dois anos e duas tentativas de venda, o que é que pode ocorrer para acontecer o que até agora foi impossível? Visivelmente, nada.

Nada, porque há bancos a mais e economia a menos em Portugal.
O Novo Banco não faz falta à economia portuguesa. O que faz falta é mais economia capaz de sustentar um sistema financeiro solvente. A economia não cresce por crescerem os bancos. Os bancos crescem, e não necessariamente em número mas em dimensão, com o crescimento económico num ciclo evolutivo onde o ovo precede a galinha.
A extinção do Novo Banco é a única opção economicamente justificável. Todas as outras decorrem da falta de ousadia para recorrer à medida politicamente mais difícil de engolir. 

Sunday, January 08, 2017

MÁRIO SOARES

Cito de cor  a resposta de Mário Soares a uma pergunta de Fátima Campos Ferreira  nesta entrevista de 30 de Maio de 2013, e retransmitida ontem à noite na RTP.

FCF - Mas como é que o senhor enfrentou as opiniões contrárias à sua dentro do seu próprio partido?
MS  - Sucedeu-me isso quando, dos catorze membros do Secretariado, só três se mantiveram ao meu lado. Mas enfrentei-os, e depois pensei, como é que estes tipos me obedecem?, gente com muito melhor preparação académica do que eu, gente com vinte e dezanove valores ...
FCF - O engenheiro Guterres ...
MS - Sim, o Gueterres, o Constâncio, mas também o Sampaio, todos se viraram contra mim. E eu dei um murro na mesa, e eles obedeceram-me! 

Creio que é difícil encontrar melhor síntese do carácter determinado, possante, de antes quebrar que torcer, de Mário Soares. 
Figura central da democracia portuguesa, não foi o protagonista pacífico que a bonomia com que mobilizava o aplauso entusiástico de muitos portugueses intuiria parecer. Ficarão memoráveis nas páginas que a história lhe dedicará as rupturas crispadas, em momentos muito distanciados no tempo, com amigos do peito, Zenha e Alegre, entre vários outros. 

Depois de ouvir grande parte da entrevista, inquestionavelmente um testemunho imprescindível para compreender a personalidade de Mário Soares, vi, salvo erro na mesma estação televisiva, o programa das cerimónias e o trajecto do funeral entre a saída da sua casa no Campo Grande até ao Cemitério dos Prazeres, em voltas que vão atravessar a parte central e ribeirinha de Lisboa até aos Jerónimos para retornar a locais mais intimamente ligados à sua vida política.

A despropósito, admito-o, mas ocorreu-me a recente peregrinação das cinzas de Fidel Castro de uma ponta à outra de Cuba. A humanidade, quaisquer que sejam as suas convicções sobre a vida depois da morte, nunca admite a inexistência de seres superiores aos comuns mortais mesmo quando se afirma convictamente ateia. 

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Pela resistência com que, durante toda a vida, e nas mais diversas circunstâncias, lutou pela democracia, 
Obrigado, Mário Soares.


Friday, January 06, 2017

TRUMP CONTRA TODOS, EXCEPTO PUTIN E COMPANHIA

Mr. Trump recebe hoje os relatórios de 3 agências de "intelligence" norte-americanas que concluem ter havido interferências dos serviços russos de espionagem nas eleições norte-americanas com o intuito de o favorecerem. Veremos como como é que Trump, que tem insistentemente tuitado contra os serviços secretos de informação do seu país se limpa a este guardanapo. 

Atirando em todas direcções, salvo Putin, Marine Le Pen, Nigel Farage, e outros comparsas da mesma trupe, a quem não regateia abraços, Trump, depois de avisar os chineses que vai colocar barreiras alfandegárias para proteger os empregos nos EUA, que Obama deixa em situação de quase pleno emprego, ameaça impor direitos aduaneiros à importação de carros Toyota se o fabricante japonês não desistir de aumentar as suas actividades no México. Já tinha ameaçado a Ford e a General Motors no mesmo sentido, mas enquanto estas, por serem norte-americanas vão dizendo que sim, veneradoras e obrigadas, os japoneses não parecem amedrontados e já anunciaram que não vão desistir do fazerem o que melhor entenderem, não se esquecendo de recordar a Trump as muitas fábricas que têm nos EUA e os empregos que elas garantem, principalmente no Kentucky.

Trump tem estado a negociar vários processos em disputa judicial antes de tomar posse no próximo dia 20. Um desses casos parece, no entanto, pairar sobre a "inauguration" como uma nuvem de mau augúrio para o sujeito que tem por lema comprar o que for preciso comprar para chegar onde quer chegar. 
José Andrés, um mundialmente reputadíssimo chef espanhol aceitou um convite de Trump. Quando Trump, durante a campanha eleitoral, começou a atirar ameaças contra os mexicanos, José Andrés denunciou o contrato invocando que a sua cozinha é espanhola e a maior parte dos que a apreciam são falantes da sua língua materna. Reagiu Trump exigindo a Andrés uma indemnização de 10 milhões por quebra de contrato, ripostou Andrés pretendendo ser indemnizado com 8 milhões por alteração dos pressupostos em que assentava o sucesso do seu trabalho. 
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Segundo notícias de última hora Trump já reagiu aos relatórios das agências considerando-os como uma caça à bruxas e que se recusa acusar a Rússia de interferência nas eleições em que foi eleito.
Ninguém esperaria o contrário.

Thursday, January 05, 2017

POR BAIXO DOS AVENTAIS

Numa entrevista - aqui - do Público e da Rádio Renascença ao irmão-mação, que o então ministro da Cultura sr. João Soares colocou na presidência do CCB antes de prometer, mas ainda sem cumprir, dar umas bofetadas ao sr. Augusto M. Seabra, o entrevistado, um apaixonado por touradas, anunciou que o CCB vai melhorar a oferta cultural, e lançar concursos para a construção de um hotel de cinco estrelas e dos espaços comerciais há muito adiados. Segundo o aficionado, um CCB com mais receita é um CCB mais autónomo e, por isso, melhor. 
Melhor para quem?
"Será, portanto, um contrato de concessão, construção e exploração" com eventuais interessados, para já consta que há dois, esclarece o gestor a pensar na cultura do cimento. 

Mais umas parcerias público privadas em perspectiva. Neste caso, para a construção de um hotel de cinco estrelas e espaços comerciais que tanta falta nos fazem, com benefícios para os privados e custos para os contribuintes. 
Se não fosse assim não seriam parcerias público privadas.

Wednesday, January 04, 2017

NEGÓCIO DE CIGANOS*

Segundo as notícias - vd. aqui - o Banco de Portugal deverá indicar hoje o Lone Star Funds para comprar o Novo Banco. Os chineses que se tinham posicionado com melhor oferta viram as suas pretensões frustradas pelo partido, e o Lone Star Funds é menos mau que o terceiro da short list de três que tinha embandeirado à partida com dezassete interessados. Pagará, não sabemos como nem quando, 750 milhões pelo que sobra do que chegou a ser, segundo a tabela então em uso, o terceiro maior banco português. 

Como para o Fundo de Resolução, uma coisa que ninguém sabe o que resolve mas que sabemos que vai resolvendo aumentar a dívida pública portuguesa, já entraram à volta de quatro mil milhões de euros, e o sr. ministro das Finanças imita os seus antecessores afirmando que "os contribuintes portugueses não serão prejudicados porque serão os outros bancos quem paga a conta" (cabendo à Caixa Geral de Depósitos a parcela maior)  não se percebe como é que os outros bancos se dispõem a pagar a sobrevivência de um concorrente que uma organização com as características do Lone Star Funds se prepara para agarrar e espremer o que lhe puder dar. 

Porque, ninguém tenha dúvidas, o Lone Star Funds, se ficar com o NB, vai fazer dele o que faziam os ciganos aos burros quando os burros eram negócios de feira para os ciganos: compravam numa feira, escovavam o animal, e vendiam-no como novo na feira seguinte. 
O que o Banco de Portugal demonstrou ao longo de todo este e dos outros processos foi a sua incapacidade para evitar a degradação dos casos e dos escândalos que a sua incapacidade ou incompetência tinham consentido. 
O que os bancos portugueses demonstram com a sua apatia perante o que se passa é que não contam dar um cêntimo para o peditório chamado Fundo de Resolução.

Chegado a este ponto, diga o que disser o sr. ministro das Finanças, pagarão os contribuintes portugueses qualquer que seja o novo dono  do burro escanzelado.

* Que me desculpem os ciganos se os ofendi.
   E os burros, que são animais honestos.

Tuesday, January 03, 2017

MOISÉS

Ali, mesmo em frente na oblíqua para a esquerda, a menos de cinquenta metros daqui, lá está ele. 
Não, não é fácil distinguir a sua figura esgalgada e enérgica por detrás deste nevoeiro cerrado com mais de trinta anos em cima, mas garanto-lhe que ele continua lá a cavalgar no dorso de um rocinante branco de brita, que se levanta à medida que o cavaleiro prossegue na luta, armado de capacete, viseira, marreta e martelo. E ao lado, fixe-se bem no conjunto, ao lado, cavalga, se é apropriado cavalgar um burro, a companheira do cavaleiro, também ela envolvida na batalha, mas, porque menos vigorosa e menos tempo na luta, o resultado é o que é porque não pode ser maior apesar da boa vontade, trouxe-lhe o almoço no cesto, e deixou-se ficar a fazer como ele faz, consoante a força que lhe resta. 
O capacete, em segunda cabeça, deu-lho o cantoneiro da secção, a quem a bondade da respectiva circunscrição da Junta Autónoma das Estradas voltou este ano a distribuir capacetes novos aos servidores públicos que trabalham ao sol, e à chuva quando não há onde se abrigarem. São cinzentos, da cor da camisa e das calças, com a devida atenção nota-se em cada lado um orifício para ventilação das ideias, lembram soldados da guerra de catorze a limpar valetas. Para o cavaleiro ao lado, aliás cavaleira, não há destas regalias, protege-se com um lenço preto, a cor do uniforme de quem, uma vez de luto, nunca mudará de cor. A viseira engendrou-a o cavaleiro que, além de ser mestre a britar pedra é inventor de tudo o que precisa menos da marreta e do martelo porque alguém se antecipou. Marreta e martelo trouxe-os consigo, eram dele quando era pedreiro, mas por ter caído de um andaime ficou com uma perna mal reparada e incapacitado para o ofício. Sem poder continuar em trabalhos que requerem o equilíbrio de pernas em condições, conseguiu aquele, de britar pedra sentado no dorso do amontoado da pedra que parte, por especial mas retribuído favor do cantoneiro.
Quando surge a vez da troca de capacetes, salta de um para o outro a pena gandaresa de pavão com lugar assegurado há anos no orifício direito, e aí temos Moisés a caminho de S. Tomé da Ferreira que fica a meia dúzia de quilómetros ali para baixo. 
Repare-se agora em pormenor na execução do trabalho do artista britador: Na mão esquerda tamborila a pedra que a marreta já amansou para a apanhar na posição em que o martelo a vai quebrar, segundo as normas, a golpes puxados da altura do ombro direito; e sempre no incessante gosto de falar, falar, falar, entrecortado pelo esforço de malhar o martelo na pedra. Quem passa, se não pára continua a ignorar o que vai para além daquela serra, pequena demais para o nome que lhe dão. Este Moisés, que só não abre caminho através do ribeiro que passa atrás dele porque o ribeiro se passa de um salto, é a agência noticiosa local com fontes fidedignas, o Século aos domingos, e todas as noites a BBC e a Rádio Moscovo.  
Um dia passou por cá o inspector da circunscrição a avaliar o trabalho do cantoneiro e, de propósito ou por acaso, meteu conversa com o britador, que falava de viseira sem olhar os interlocutores, nem era preciso, conhecia-os a todos pela voz, e não saber o martelo de cor o sítio exacto onde Moisés põe os dedos. Perguntou, sabe-se lá porquê mas pode imaginar-se, o graduado ao trabalhador sem vínculo à função pública, se ele sabia escrever o seu nome, estava o cantoneiro ao lado, com cara sofrida, o chapéu na esquerda, a outra no peito, respondeu  Moisés que sim senhor, tinha a quarta classe feita com distinção, sabia escrever muito bem o nome dele e também, se fosse necessário, o de sua excelência se sua excelência lhe dissesse como se chamava porque não o estava a reconhecer pela voz, mas não agora porque tinha de acabar o trabalho antes que chegasse a camioneta que trazia as pedras e levava a brita. E, entre puxadas marteladas, foi perguntando o que queria sua excelência que ele assinasse.  Foi-se embora o inspector, sem bom dia nem boa tarde, e nem Moisés nem o cantoneiro pensaram mais naquilo.
Moisés é, já se disse, quem informa quem quer ser informado, sem divulgar as fontes, mas não admite interrupções na emissão das respostas cadenciadas pelas porradas nas pedras. Interrupção fecha a emissão, Moisés amua com vantagem para o volume do monte de pedra partida. O magazine inclui página nacional, página internacional só para os mais íntimos, coluna mundana preenchida com confidências da sexagenária menina Marquitas, caderno de economia e finanças e suplemento de investigação local. 
Moisés, reparem, brita com alegria e relata com paixão. Se uma tirada é rematada com humor, enquanto as gargalhadas saltam, saracoteia o martelo em prodígios de malabarismo, o cão, ainda não tínhamos reparado no cão, mas reparamos agora que abana o rabo. 
O camião chega ao sábado carregado de pedras carregadas na pedreira, cada matacão pesa não menos que quinze quilos cada, despeja-os naquela nesga de terra à borda da estrada, e carrega a brita que Moisés e a companheira partiram toda a semana. O cabo vem ao lado do motorista, descarrega a carga o ajudante que veio encavalitado nas pedras, assistem à descarga o cantoneiro, o cabo, o motorista, assiste Moisés porque não pode ajudar a descarregar, a perna não deixa, à espera que meçam a brita e o cabo lhe pague o trabalho conforme a medição. De volta a casa, Moisés faz contas de cabeça, a avaliar se o trabalho dará para o sustento semanal dos três lá em casa, dele e da mulher, e do neto, um menino de dez anos, que é, diz ele sem querer trocadilhos nem lugares comuns, a menina dos seus olhos, que a nora lhes viera pôr em casa quando o pai desapareceu  numa explosão na fábrica de foguetes. Àquele menino ensina Moisés, quando já não há sol para ver as pedras, a inventar mundo. Há uns tempos andaram envolvidos na construção de uma chocadeira a carvão por estarem frígidas as galinhas e nenhuma se dispor a cobrir os ovos na capoeira. Da prova experimental com quatro ovos, resultou, segundo Moisés, e testemunhou, rejubilante, o neto, terem nascido um pinto, um pato, os outros dois ficaram escalfados, um sucesso tecnológico que Moisés não regista porque não quer. Também inventou o abano eólico  para arrefecimento da casa nos dias de verão, movido pelo moinho instalado no cume da casa, onde no tempo quente nunca falta a nortada. Quando não faz falta a aragem do abano, a força do engenho é desviada para uma moagem doméstica que até descasca pinhões.

Moisés esteve na guerra de catorze. Era pirotécnico quando foi recrutado, tornou-se pedreiro por ter saído vivo mas gaseado, a guerra tirara-o do fogo luzes e levara-o para o fogo do inferno, sem que ninguém, dos que com ele foram carregados à pressa, soubesse para onde iam e fazer o quê. 
Um dia, já na Flandres, estavam já há uma semana enfiados nas trincheiras sob pressão intensa do fogo inimigo, as baixas não tinham conta, a maioria dos feridos berrava enquanto não desfaleciam e depois morriam exangues. Combatiam, mas era um combate de resistência fincado sobretudo na esperança de não serem atingidos porque nem tinham preparação, nem meios e, pior que tudo, assaltou-os o espectro da fome com a ruptura dos abastecimentos vitais. Quando à noite cessavam os bombardeamentos, atacavam os portugueses as capoeiras das casas mais próximas. E foi numa dessas surtidas à cata de galináceos que Moisés descobriu que por aquelas bandas também havia pirotecnia ao entrar num paiol onde supunha haver um galinheiro. Voltou ao abrigo carregado dos morteiros que conseguiu carregar, mantimentos, viste-os? 

Arreei a carga com cautela e tratei logo de procurar material para uma armadilha. Nem ceei, até porque não havia com que ceasse. Quando a coisa começou a tomar forma, alguns acercaram-se e começaram a ajudar. Trabalhámos toda a noite e ao começo da madrugada tínhamos montado um lança foguetes formidável. Podia atirar sem parar os dois centos roubados se não engasgasse nenhum rastilho. Trabalho acabado, quiseram os outros saber para que servia a engenhoca. Ficaram intrigados, sem resposta e, pensei,  vou dormir até à alvorada. Acordou-me o primeiro sargento com a bota, a olhar-me lá de cima, a querer explicações sem abrir a boca. Lá lhe expliquei como encontrara o fogo e o trabalhão que aquilo nos dera, mas a ideia era boa, tivesse ele fé nela: surpreender o inimigo com uma alvorada de duzentos tiros de morteiro lançados a partir da retaguarda das suas linhas e, deste modo, colocá-lo entre dois fogos, ainda que só um fosse real, mas a proposta foi rejeitada, nunca se aproveita convenientemente a inventiva em Portugal. 

Está Moisés disposto a continuar o relato da campanha do CEP na Flandres, quando chega antecipadamente a camioneta da brita. Não é dia de carga habitual e, por vir vazia de pedras, supõe Moisés tratar-se de algum levantamento ocasional, uma falta em alguma parte para acabar um trabalho que está a meio. E, com essa convicção, entregou a brita e recebeu o dinheiro. Feitas as contas, informa-o o cabo-cantoneiro que, a partir daquele dia, dispensa a Junta Autónoma das Estradas os seus serviços por ter entrado em funcionamento, não longe dali, uma britadeira.
Uma britadeira??? Mas o que é uma britadeira??? pergunta Moisés, mas já todos se foram e o cantoneiro sabe-se lá por onde anda aquela hora.

Não tivesse o cantoneiro escondido o que sabia, e Moisés teria talvez tido tempo de dar combate ao inimigo desconhecido que lhe roubara o trabalho e o sustento da mulher e do neto.  A pensar no neto, Moisés sente redobrado o esforço dos pulmões atingidos pelos gases da guerra. Cambaleia, e senta-se à beira da estrada. Como é que aquilo pudera acontecer? Como é que ele, leitor e ouvinte interessado nos desenvolvimentos das ciências e das técnicas, ele que inventara a chocadeira a carvão,  o abano eólico, a moagem e descascadora doméstica, que até parte pinhões sem partir os dedos, como é que, Santo Deus!, nunca lhe ocorrera inventar uma coisa tão simples de conceber como uma britadeira! Como?, Santo Deus!  
Mas nada está perdido, Moisés, estás a arfar, e o realejo a queixar-se, mas aguenta-te! Aguenta-te porque ainda vais a tempo de conceberes, projectares e construíres uma britadeira mais eficiente e perfeita que alguma vez alguém possa ter concebido ou imaginado sequer. Talvez já não tenhas tempo de a veres funcionar, mas, por amor Oh! Deus!, dá-me tempo suficiente para deixar desenhar o projecto, o meu neto é esperto, muito esperto mesmo, só queria que visses, basta um esboço, não preciso de mais tempo que para preparar um esboço, só isso, compreendes, bom Deus? Uma britadeira é a coisa mais elementar, como é que eu não me lembrei de inventar uma, sabes, bom Deus, afinal de contas já sei, eu gostava do que fazia, as pessoas passavam e ficavam encantadas com o meu trabalho e a minha conversa, perguntavam e eu respondia, gostava de responder, e afinal, uma britadeira é uma coisa tão simples, um motor, um motor a diesel, daqueles que rebocam os cilindros com que pisam as estradas para compactar e endireitar o piso, um motor desses é quanto basta para mover as marretas, eu chamo-lhes marretas mas se calhar já lhe deram outros nomes, que partem as pedras que entram nas tremonhas directamente descarregadas por gravidade das camionetas, dali passam aos martelos que as britam ao tamanho que se quiser, é uma questão de afinação, tão simples, bom Deus, como é que não vi isto? E que cadência! que precisão! que tudo!

Levanta-se Moisés a custo, e lá vai ele a caminho de casa, o que é que irá ele dizer quando a mulher e o neto o virem chegar mais cedo?
Ele, Moisés, que engendrara tudo, até a forma de ganhar a guerra, esquecera-se estupidamente de inventar forma de matar aquele trabalho em que consumia os seus dias antes que outros o matassem e o deixassem depenado. E se ele desconjuntasse a britadeira? Aquilo deveria ser bicho que passava as noites ao relento. Se lhe retirasse uns parafusos, a estrutura animada para britar desconjuntava-se, e a pensar nisto, animou-se, depois a nitidez da inconsequência da sabotagem acertou-lhe no peito como uma marretada, baqueou contra o  valado, esmagado por uma dor insuportável.
Reencontra-se mais tarde em casa, estendido na cama, a mulher a fungar ao lado.
Aturdido, procura o fio da meada e começa a tecer as soluções possíveis. Recusa comer, recusa beber, recusa falar, só o arfar do peito indicia que Moisés sobrevive ainda. Sabe escrever o seu nome? Até o seu, excelência, se me disser quem fala ... Filho de uma grandessíssima puta! Até sei como se constrói uma britadeira, quanto mais manobrá-la! Se quisesse brita de britadeira tivesse dito e ele teria construído uma. Se a ideia era acabar com a brita à custa dos braços, obra mais demorada mas mais perfeita, porque não lhe tinham dado a ele a oportunidade de manobrar a geringonça que já vinha a caminho? Porquê?
Noite alta, a mulher adormecida ao seu lado, Moisés, entre cá e lá, agarra-se e não larga a ideia de construir a sua britadeira. Pagaria os materiais com a venda da vaca, da vaca não, porque sem vaca ficaria o neto sem leite, e, depois, o animal tinha-o tomado a meias com um sovina, da casa, não, porque onde iriam albergar-se a mulher e o neto? Mas poderia pedir emprestado e dar a casa de hipoteca ... E volta ao projecto. A partir da ideia objectiva, idealiza peça a peça. Segue-se a montagem, arranque, afinação, arranque, afinação, corrige alguns desenhos, nunca uma coisa daquelas corre bem à primeira, mas aí está ela agora a funcionar como um relógio suíço, verifica o nível de óleo no motor e a valvulina nos cubos das engrenagens. Só falta afinar as passadeiras rolantes, há uma ou outra que bloqueia a corrente e entope as chegadas às tremonhas. Espera um pouco mais, meu Deus!, espera que isto está quase!, dá-me só mais dez segundos! ...  Linda menina!,  está agora a esfrangalhar blocos de calcário como se esmagilhasse garrafas de vidro, aparece o encarregado e fica abismado, sem pio. Têm agora a  mulher e o neto comida garantida e casa assegurada, a marreta, símbolo de uma tradição, começo da indústria, da sua indústria, pendura-se à porta. 

Sobressalta-se a mulher com tantas convulsões ao lado, acende a luz, e, após alguns instantes de expectativa, de dedos cravados na cara, depara-se desesperada com Moisés finalmente sossegado.

Alhadas
19/02/1986

AZEITONAS EXPLOSIVAS

- Já foram almoçar ao Cantinho do Avillez, no São Carlos? ... Então vão. Tem lá um bacalhau à braz com azeitonas explosivas que são um achado, uma maravilha.


O José Avillez, dono de uma já notável cadeia de restaurantes, desde o económico "Cantinho" até ao estrelado "Belcanto" que fica do outro lado do largo, é um chef de inquestionável sucesso. Mas, note-se e tome-se em boa conta, chef sem é no fim; dos chefes com é no fim, as cadeias são outras. 
Vivemos na era dos chefs. 
Para quem não entra em casa dos chefs entram-lhe os chefs em casa em programas de televisão, em artigos de presença permanente nos jornais e revistas, livros e álbuns de cozinha, e, mais economicamente, por consulta gratuita na internet. 
E, de um momento para o outro, revelaram-se gastrónomos e críticos da especialidade personagens que nunca suspeitáramos que vestissem tais aventais. 
Pelas minhas contas, considerando o que ouço e observo de espaço dedicado às imaginações dos chefs, a culinária criativa está a conquistar espaço às telenovelas.

Há dias recomendava-nos uma amiga nossa acompanhar o bacalhau cozido não com grão mas com puré do mesmo. Tinha lido ou ouvido a receita, e ficara encantada, ela que adora purés e detesta sopas. É normal. Sempre que num restaurante pergunto se há sopa a resposta mais frequente que ouço é que há sopa, sim senhor, mas triturada, para as crianças, os pais muito raramente comem sopa. Se a evolução culinária continuar neste sentido, um dia a humanidade não terá dentes.

 - E que tal as azeitonas explosivas?
- São originais, fazem pfffffffffffff quando as trincamos. Mas não sabem muito a azeitonas, pois não?
- Deve ser por isso que gosto destas. Nunca fui muito fan de azeitonas, sabes. 

Monday, January 02, 2017

BOA QUEDA

Há quedas que vêm por bem.

A queda do euro contra o dólar (1,04874, no momento em que teclo este apontamento), que agora se situa em mínimos dos últimos catorze anos, depois de ter atingido um máximo em Abril de 2008 (1,59752), tem as suas vantagens, sem que possamos ignorar os seus inconvenientes: o custo das importações de combustíveis fósseis, o aumento da dívida externa titulada em dólares, por exemplo. (vd. aqui gráfico da evolução euro/dólar nos últimos dez anos)

As vantagens, que se traduzem sobretudo no crescimento (transitório) da competitividade monetária das exportações com reflexo no crescimento económico na Europa, são boas notícias no meio de um leque de ameaças que pairam sobre o ocidente europeu, que animam os extremistas nacionalistas, xenófobos, racistas e todos quantos aproveitam as pragas para dominar as sociedades democráticas infectadas pelos vírus que eles espalham descaradamente e quase sem oposição que eficazmente os denuncie e anule. Estão os valores democráticos condenados a submeterem-se à tirania disfarçada dos seus algozes, por uso abusado desses mesmos valores, redimindo-se da sua pusilanimidade apenas in-extremis ou por desgraça de outra guerra? 

Se até agora ao euro tem sido atribuído o papel de bode expiatório de todos as causas perturbadoras da união europeia, pode acontecer que, por obra e graça da ascensão do populismo nos EUA, se torne menos grave o  contágio deste lado de cá do Atlântico. Pelo menos até que do lado de lá caia Trump por trumpgate. 

Vem este apontamento a propósito desta noticia: 

"A percepção dos gestores de compras da Zona Euro aponta para que a actividade da indústria dos 19 do clube da moeda única tenha atingido um máximo de quase seis anos em Dezembro, fechando o ano de 2016 com uma tendência de crescimento.

De acordo com a Markit, o índice PMI ficou no último mês do ano em 54,9 pontos, confirmando a primeira leitura e reforçando o perfil de crescimento em relação a Novembro, quando tinha sido de 53,7. É o valor mais elevado desde Abril de 2011, mantendo-se acima da linha de 50, o limite a partir do qual se estabelece que a actividade registou expansão.

A actividade acelerou entre os dois últimos trimestres (passando de 52,1 para 54), elevando a média anual deste indicador para 52,5, levando a que o ano fechasse no valor mais elevado desde 2010.


Por mercados, a Holanda e a Áustria são aqueles onde se denota maior expansão da actividade, ao passo que na Alemanha, a "locomotiva económica" do euro, regista um máximo de três anos. O maior parceiro comercial de Portugal, Espanha, atingiu a melhor marca em 11 meses, enquanto o desempenho de França é o melhor em quase seis anos.

Na base do desempenho do clube dos 19 está, segundo a Markit, um crescimento mais rápido da produção e de novas encomendas, tanto no mercado interno como para exportação, a beneficiar da queda do euro face ao dólar nas últimas semanas. 

O crescimento da procura elevou as listas de encomendas também para o maior valor em mais de cinco anos, resultando na criação de mais postos de trabalho. A empresa de estudos de mercado destaca ainda o aumento da pressão inflacionista, perante o aumento dos custos das importações devido a factores cambiais e ao aumento dos preços das matérias-primas. 

Apesar de reconhecer o forte final de 2016 para a economia do euro, Chris Williamson, o economista-chefe da Markit, destaca o risco político trazido pelo ano novo, nomeadamente em torno do desfecho das eleições na Holanda, França e Alemanha. Eventuais alterações geopolíticas podem conduzir a uma "intensificação da incerteza política na região", o que leva a organização a estimar um abrandamento no crescimento da economia, dos 1,7% de 2016 para 1,4% no ano que vem."