Causam-me sempre engulhos as placas com que os políticos de meia tigela deste país costumam querer eternizar-se em letras gravadas a ouro sobre mármores ou granitos por obras que os constribuintes pagaram, muitas delas sem préstimo nem jeito. Politico deixa obra para ganhar votos à custa dos impostos e taxas além do crédito bancário que um dia terá de ser pago sempre pelos mesmos. Deixar obra significa, normalmente, contratar obra de cimento armado, que é a obra mais fácil e visível que pode ser feita.
Mas há quem, apesar da preponderância do cimento, obre doutra maneira.
Com "magalhães", por exemplo.
Soube-se anteontem que "das fundações analisadas no relatório exigido pela troica, a FCM (Fundação para as Comunicações Móveis) que geria o programa de dos portáteis "Magalhães", foi a que recebeu mais apoios de 2008 na 2010: 454,4 milhões de euros, quase metade dos apoios totais concedidos a fundações naquele período". Dito de outro modo, o senhor José Sócrates distribuiu "Magalhães", colheu momentâneamente os louros, e mandou-nos a conta a casa.
Já o senhor Mário Soares, patrono doutra fundação que leva o seu nome, contemplou, segundo o mesmo relatório contemplou mais de 31 mil beneficiários entre 2008 e 2010, e recebeu dos contribuintes para a contemplação feita 1272 mil euros no mesmo período. A esposa é também presidente da Dignitate – Fundação de Direitos Humanos e da Fundação Aristides de Sousa Mendes, também, naturalmente, subsidiadas pelos contribuintes.
A Fundação da Casa de Bragança, criada em 1933 e cujo conselho administrativo é presidido por Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu entre 2008 e 2010 apoios financeiros públicos que ultrapassaram os 62 mil euros.
Mas há quem, apesar da preponderância do cimento, obre doutra maneira.
Com "magalhães", por exemplo.
Soube-se anteontem que "das fundações analisadas no relatório exigido pela troica, a FCM (Fundação para as Comunicações Móveis) que geria o programa de dos portáteis "Magalhães", foi a que recebeu mais apoios de 2008 na 2010: 454,4 milhões de euros, quase metade dos apoios totais concedidos a fundações naquele período". Dito de outro modo, o senhor José Sócrates distribuiu "Magalhães", colheu momentâneamente os louros, e mandou-nos a conta a casa.
Já o senhor Mário Soares, patrono doutra fundação que leva o seu nome, contemplou, segundo o mesmo relatório contemplou mais de 31 mil beneficiários entre 2008 e 2010, e recebeu dos contribuintes para a contemplação feita 1272 mil euros no mesmo período. A esposa é também presidente da Dignitate – Fundação de Direitos Humanos e da Fundação Aristides de Sousa Mendes, também, naturalmente, subsidiadas pelos contribuintes.
A Fundação da Casa de Bragança, criada em 1933 e cujo conselho administrativo é presidido por Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu entre 2008 e 2010 apoios financeiros públicos que ultrapassaram os 62 mil euros.
As fundações do Inatel e Casa da Música também estão entre as que receberam mais dinheiro dos contribuintes: quase 40 milhões de euros, cada uma, entre 2008 e 2010.
Na curta lista de fundações que receberam mais de 10 milhões de euros durante esses três anos estão também o Centro Cultural de Belém (CCB), a Colecção Berardo, Serralves, Culturgest ou a Gulbenkian.
Até a Gulbenkian! Imaginem!
Um espanto, não pelo merecimento, que é máximo, mas pelo inesperado, que é total.
Valha-nos santa troica.

Segundo o título principal do Expresso de ontem, para Passos Coelho, Gaspar e Portas, equidade não é igualdade. E não é. Mas equidade também não é arbítrio, nem mistificação. Se o Governo entende que há funcionários públicos são injustificadamente melhor remunerados que no sector privado, que disfrutam de estabilidade de emprego que no sector privado não é garantido, se, se, se, se ..., o que deve fazer é promover a correcção dessas disparidades nos casos em que elas existem. Não está estabelecido em lado algum que um funcionário público incompetente, ou desleixado, ou desnecessário, ou seja o que for, não possa ser legalmente dispensado ou despedido consoante as razões presentes em cada situação a corrigir. Nem que os salários na função pública não devam ou não possam reflictir as condições do mercado de trabalho em geral. 


