Friday, November 18, 2011

SHIT SHARE

Perante os protestos dos banqueiros (vd aqui), em grande medida pertinentes, o ministro das Finanças declarou anteontem que, nos casos em que o Estado venha a intervir nos bancos, essa intervenção será o menos intrusiva possível.

Até agora, é desconhecida a fórmula de cálculo dos valores de entrada e de saída de eventuais participações nos capitais de alguns bancos, um requisito que se tornou menos premente após a prorrogação para Junho do próximo ano do prazo limite para a recapitalização imposta aos bancos. Sendo premente, contudo, não é menos relevante e é  no mínimo estranho que a questão não seja desde já objecto de discussão pública. O que está em causa é demasiado importante para ser deixada a discussão privada entre o Governo e os banqueiros porque pode determinar mais, e ainda mais gravosos, tributos para os portugueses do costume.

Por razões que só critérios de contabilidade recreativa podem explicar o governo vai transferir fundos de pensões de bancos (de quais e em que condições não sabemos) para cumprir (fazer de conta que cumpre) o défice orçamental previsto no memorando da troica. É uma habilidade canhestra, usada e abusada por executivos anteriores, tolerada pelos troicos porque, aqui e não só, em habilidade pública, as receitas contam-se como proveitos sem encargos às costas.

Por outro lado, estando o Estado endividado até ao cocuruto, não reduz, antes pelo contrário, tem aumentado a dívida aos bancos, deteriorando-lhe os rácios, e o compelindo-os à tal recapitalização que, tudo leva a crer, venha a ser feita pelo Estado com capitais que o Estado irá a outra parte pedir emprestados. Em tais montantes que, considerando as cotações actuais, o Estado será esmagadoramente maioritário, pelo menos em alguns casos, durante três anos, quem sabe se não será por um prazo a perder de vista.

Quando a recapitalização se tornou incontornável e o prazo de três anos de presença do Estado foi conhecido, os banqueiros clamaram que, tendo o governo mandado às urtigas por nada as golden share que o Estado detinha em empresas onde era minoritário, quer agora entrar nos bancos com golden share de peso.

Não sei em que é que todo este jogo de faz-de-conta vai dar. Mas, insisto, receio que seja num enorme buraco negro capaz de sugar de vez as nossas esperanças.

DIZEM QUE É ARTE

 Doris Salcedo
Na Gulbenkian, até 12 de Janeiro.


Thursday, November 17, 2011

MANUAL DE INSTRUÇÕES



António Lobo Antunes  conversa aqui com Mário Crespo a propósito do seu livro mais recente - Comissão das Lágrimas.
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Ajuda a leitura de uma obra com uma estrutura narrativa de absorção muito complexa, sistematicamente fraccionada, frequentemente suspensa,  e recorrentemente metafórica.


O JOGO DA CABRA CEGA

Há três anos (completam-se no próximo dia 23), José Oliveira e Costa passou a primeira noite numa verdadeira cadeia VIP da Polícia Judiciária ficando sozinho numa cela, na sequência de decisão tomada pelo juis Carlos Alexandre. ( vd aqui ).

Esta manhã o mesmo Juiz Carlos Alexandre deslocou-se à casa-escritório do advogado Duarte Lima, acompanhado por um delegado da Ordem dos Advogados para uma busca relacionada com a eventual prática de crimes envolvendo ainda o filho do advogado e o BPN. A busca foi dada por concluída a meio da tarde e o ex-deputado deverá ser ainda hoje conduzido ao Tribunal Central de Investigação Criminal, em Lisboa, para um primeiro interrogatório judicial pelo omnipresente juiz Carlos Alexandre.(vd aqui) A detenção está relacionada com uma compra de terrenos na zona de Oeiras que estariam destinados à construção de instalações do Instituto Português de Oncologia (IPO). O crime que consta do mandado de detenção é fraude.

Três anos!
Não tem de se queixar Duarte Lima. Em três anos teve mais que tempo para arrumar convenientemente os seus papeis.

GUERRA CONTRA A CRIMINALIDADE

A criminalidade está a aumentar e, particularmente grave, a criminalidade violenta, informou ontem o ministro da Administração Interna. Com o aumento da recessão previsto para 2012 (em 2011 e 2012 o PIB deve cair 4%, segundo declarações do ministro das Finanças, também ontem) crescem os factores mais determinantes da criminalidade. Para travar a tendência e as expectativas, o MAI vai aumentar os efectivos da PSP e da GNR. Percebe-se, ainda que a eficácia das forças policiais não dependam essencialmente do número de efectivos ao seu serviço. Se assim fosse, não seriam necessários mais polícias uma vez que a relação polícia/habitante não se encontra aquém da média observada na União Europeia. 

Mais do que mais polícia do que o país precisa é de melhor polícia. Mas, admita-se que, em caso de emergência, mais número possa colmatar a menor qualidade. 

O que não se percebe é que o país continue com um efectivo militar que ronda os 38 000 homens, um contingente que se situa claramente acima das nossas necessidades de defesa. (vd aqui ).

Insisto no que já tenho apontado neste bloco de notas: Porque não se reduzem os gastos com a defesa, porque não se vendem muitas instalações desactivadas ainda sob gestão dos militares, e se reforçam os meios necessários à segurança interna? Porque não se transferem efectivos das forças militares, que não sabemos de quem nos defendem, para forças de segurança interna, necessárias para o combate numa guerra em crescendo?

Até quando o fantasma de Otelo, ou de outro otelo qualquer, vai continuar às nossas costas?

O JOGO DA CABRA CEGA

Duarte Lima foi preso às primeira horas de hoje por branqueamento de capitais no BPN

Prevejo que seja solto nos próximos dias.

Wednesday, November 16, 2011

UM PAÍS DE GENTE POUCO POUPADA

A Poupança em Portugal

Mais um trabalho do Núcleo de Investigação em Políticas Económicas da Universidade do Minho divulgado
aqui, e citado aqui.

O CAVALO DE TROICA

A troica veio, viu, e parece ter ficado convencida que o cumprimento do memorando está a ser razoavelmente atingido, e vai mandar desbloquear a terceira prestação da ajuda externa: oito mil milhões. Mas o que é notícia de primeira página, e vai ser objecto de discussão acesa nos próximos dias, é a recomendação dos troicos aos empresários portugueses para reduzirem os salários, seguindo o exemplo do sector público.

De todo o sector público?

Não se sabe se os troicos foram informados ou já tinham conhecimento que, logo que foi conhecida a decisão do Governo de cortar salários à função pública e nas empresas maioritariamente detidas pelo Estado, e as pensões daqueles que foram obrigados desde há muitos anos a descontar para a segurança social, começou a elaboração de uma lista de excepções, que promete ser regra, de empresas do Estado que, invocando encontrarem-se em situação de concorrência, vão ser, ao que tudo indica, dispensadas de executar cortes salariais. 

Não se sabe, por outro lado, se os troicos estão informados que, ao mesmo tempo que muitos são alvejados com cortes salariais, há monopólios de facto, com preços regulados sustentados em custos de trabalho crescentes, que serão pagos, sem direito de reclamação nem alternativa de escolha, pelos que vêm os seus salários amputados. 

A competitividade das empresas exportadoras não depende apenas, e em alguns casos não depende de todo, dos níveis salariais, porque depende também, por exemplo, dos custos da energia.
Que vão subir, até porque os salários no fornecedor não vão descer, avisou prontamente o seu presidente. 

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Act.- Os patrões estão contra a redução de salários no sector privado. Porque, diz o presidente da CIP aumentos de produtividade podem ser obtidos com mais horas de trabalho.
Para o patrão da CGTT, pedir corte de salários no sector privado é um disparate. Mas aumentar o número de horas de trabalho, é outro.

TÍTULOS DO DIA

Tuesday, November 15, 2011

ESTEJAM À VONTADE!

Se quiserem sair, por favor, não façam cerimónia.

Partido de Angela Merkel aprova moção que permite saída de países da Zona Euro (aqui) sem que essa saída implique a saída da União Europeia.
“Não estamos a expulsar ninguém”, disse o ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble, citado pela Bloomberg. “Queremos que a Grécia continue, que todos continuem”. Mas se um país não puder suportar o fardo ou não o quiser suportar e o povo grego tem de suportar um fardo muito pesado, então temos de respeitar a decisão do país”.

A moção aprovada pelos conservadores alemães parece mais óbvia do que na realidade é.
Se há 10 países da União Europeia que não fazem parte da Zona Euro, se um país sai de sua livre vontade da Zona Euro nada, em principio, impede que se mantenha na União Europeia. 

Mas a história pode vir a contar uma história diferente: Um país que seja obrigado pelas circunstâncias, quaisquer que elas sejam, a abandonar a Zona Euro, reoptando pela moeda nacional, será fustigado por uma vaga inflacionista que dificilmente poderá deixar de ser acompanhada por uma restrição à circulação de capitais e à emergência de um mercado negro de divisas, sobretudo euros. Uma e outra destas ocorrências é incompatível com a pertença a uma união de mercado livre.

Não será, portanto, idêntica à situação daqueles países membros da União Europeia mas não membros da Zona Euro a de um membro desta que passe à condição de apenas membro daquela.

E insisto: No caso da Grécia, a saída da Zona Euro, com todas as consequências que essa saída implicaria na vida dos gregos, geralmente já muito complicada, e digo geralmente porque há gregos por onde a crise nunca passará, poderia determinar a aproximação da Grécia aos EUA (hipótese menos provável, se atendermos à condição da Grécia como membro da Nato) ou à Rússia (hipótese mais provável, atendendo à proximidade cultural embebida na igreja ortodoxa ) até como reacção de um povo ferido com a falta de solidariedade europeia que passaria a ser, certamente, o protesto mais proclamado na rua grega. 

Há portas que quando se abrem reatraiem as saídas.

Monday, November 14, 2011

AFIRMA MERKEL

A Europa encontra-se no momento mais dificíl depois da II Guerra Mundial (aqui)

"Três mil milhões de euros em dívida a cinco anos foram colocados a uma taxa de 6,29%, um recorde em Itália desde a entrada na Zona Euro. Foi a primeira operação de financiamento desde que Mario Monti iniciou o processo de formação de governo." (aqui)

Fica cada vez mais provado que, ou ao Banco Central Europeu é consentida a emissão ilimitada de moeda, e isso pressupõe a alteração dos tratados que hoje ameaçam a continuidade da Zona Euro, e, implicitamente, da União Europeia, ou estilhaça-se a Europa.

Angela Merkel,  num discurso na véspera do congresso anual do partido da União Democrática Cristã, citada pela Bloomberg, disse que queria preservar o euro com todos os actuais estados membros. “Mas isso requer uma mudança fundamental em todo a nossa política”. (vd aqui) que “era hora de formar uma união política na Europa para enviar uma mensagem aos detentores de obrigações europeias de que as intenções dos líderes da Zona Euro são sérias relativamente a quererem terminar a crise da dívida soberana". “Acredito que isto é importante para todos os que compram obrigações da dívida pública: deixamos claro que queremos que a Europa tome mais medidas para acalmar os mercados, queremos que a União Europeia e a Zona Euro cresçam juntas”. "“De outra forma as pessoas não irão acreditar que nós conseguimos realmente resolver os problemas”.
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Ainda, recentemente, Merkel e Sarkozy em declarações conjuntas, afirmaram a necessidade da criação de um governo económico europeu, mas as intenções, tanto quanto se sabe, não passaram disso mesmo. Merkel vem agora avançar (será essa a intenção?) para uma união política.  

Merkel e Sarkozy têm sido acusados estarem a dominar não democraticamente os destinos europeus, o que é, indiscutivelmente, verdade. Mas não é menos verdade que a União Europeia é consituida por 27 membros, dos quais 17 formam a Zona Euro. Alguém tem ouvido os outros 25?, os outros 15?  Cavaco Silva vem defendendo desde há algum tempo a intervenção do BCE como banco emprestador de último recurso, à semelhança do que acontece com todos os bancos centrais do mundo. Passos Coelho, discorda.
 
Mas ainda que Passos Coelho concordasse, e mais tarde ou mais cedo não tem alternativa, é muito óbvio que nunca um banco central poderá intervir como emprestador de último recurso  se não estiver respaldado por um governo económico que o credibilize.  
 
E, até agora, que se saiba, ninguém avançou para dizer ou propor o que isso é.  

Sunday, November 13, 2011

ABOMINÁVEL

Benfica, Porto e Sporting devem 350 milhões aos bancos


 "a dívida financeira (empréstimos à banca e empréstimos obrigacionistas) da SAD do Benfica está em 157 milhões de euros, a do FC Porto em 98 milhões e a do Sporting em 95 milhões", o que totaliza 350 milhões de euros.

"Quando vencer esta dívida, será que os bancos vão voltar a conceder empréstimos? (...)  os responsáveis dos principais bancos (CGD, BES e BCP) não quiseram comentar o caso particular de nenhum cliente, mas referiram que estão a ser mais rigorosos na concessão de crédito a todas as empresas e que os clubes de futebol não fogem à regra.

Ora aí está desvendada mais uma pequeníssima parte do iceberg  da dívida que os bancos importaram para aplicações que a grande maioria dos portugueses aplaudiu ainda que tenha de admitir-se que uma grande parte dos que aplaudiram, e continuarão a aplaudir, não fazia, e continua a não fazer, a mínima ideia do que aplaudia.

Agora que os banqueiros se revoltam contra as medidas que lhe impõem, agora que o Estado vai intervir no capital de alguns dos maiores bancos portugueses, agora que essa intervenção ameaça destapar alguns buracos de dimensões incalculáveis mas que as cotações em bolsa já denunciam, começa a perceber-se que as performances das equipas portuguesas, geralmente formadas por profissionais estrangeiros pagos a preços escondidos e escandalosos, decorre sobretudo do desvio de fundos que deveriam ter suportado o crescimento económico  sustentado do país para actividades que drogaram a economia.

A Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado que continua a recolher a confiança de milhões de portugueses pela sua condição de banco público tem sido gerido ao mais alto nível por alguma gente inqualificável. Um banco  a quem milhões de portugueses confiou as suas economias, porque era banco público, uma grande parte dos quais sempre sustentou, e continua a sustentar, essa confiança na visualização permanente dos saldos das suas poupanças numa caderneta do tempo da caneta de aparo, canalizou muitas dessas poupanças para actividades especulativas ou de interesse económico altamente duvidoso.

Pois foram, e são, esses senhores, grandes responsáveis pelo tráfico de favores e dos  níveis de endividamento em que o país se afoga, que reclamam um estatuto de excepção na aplicação das medidas de austeridade que  uma parte dos portugueses vai pagar, argumentando que desenvolvem uma actividade em concorrência e que, por essa razão, não podem deixar de ser competitivos nas condições que têm de ser oferecidas aos  traficantes.

Importa ainda não esquecer que, para além deste escandaloso endividamento dos clubes, um quinhão importante da dívida pública contraída para satisfazer a loucura, ou o crime?, do foguetório de construção de estádios, alguns dos quais estão hoje à venda, consentido por uma irresponsabilidade impune. Com a intermediação dos banqueiros, e dos bancoburocratas da Caixa Geral de Depósitos, desgraçadamente.

UM VIAGRA CHAMADO DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL

Pensei em alinhavar hoje (mais) uma nota sobre o poder do elixir que o prof. Ferreira do Amaral vem persistentemente recomendando para a recuperação da competitividade da economia portuguesa e que ultimamente tem ganho muitos adeptos: a saída do euro, a volta ao escudo, a desvalorização cambial como viagra de uma economia actualmente parcialmente impotente.  Mas desisti.

Desisti, porque quase desde quando iniciei este bloco de notas tenho insistido que a desvalorização cambial nunca é solução para o crescimento económico sustentado, nem sequer para a sobrevivência a médio prazo para empresas que alicerçam a sua competitividade no aproveitamento de políticas que favorecem a subsistência de salários baixos. Relendo uma dessas primeiras notas sobre o tema (vd aqui), concluo que, voltando a ele, forçosamente me repetiria. 

 Em outras notas admiti, como continuo a admitir, que o euro será um dia destes o bode expiatório a abater quando a nossa incapacidade colectiva desistir de identificar e atacar as causas da crise estrutural que tolhe o crescimento económico e social do país. Nesse dia o prof. Ferreira do Amaral será consagrado o demiurgo oficial do retorno a uma ordem económica que nunca deu bons frutos neste país nem em qualquer outro.

Dizendo isto, não quero ignorar que o ajustamento dos desequilíbrios gerados pelas transacções internacionais sempre se fez pelos ajustamentos cambiais entre os países. Mas esses ajustamentos se actuam sobre o reequilíbrio dos saldos comerciais suportados pela concorrência entre os custos unitários do trabalho não determinam, só por si, efeitos de crescimento económico. Os ganhos de competitividade cambial são sempre transitórios e correspondem sempre à redução efectiva dos custos do factor trabalho das empresas sujeitas à concorrência nos mercados. De outro modo não haveria aumentos de competitividade decorrentes da desvalorização das moedas. 

A integração europeia, para ser bem sucedida, pressupunha a adopção de políticas que prevenissem os efeitos perversos de uma moeda forte sobre uma economia desprovida do mecanismo de ajustamento automático cambial. O aviso desse perigo foi feito à partida, quando se constituiu o sistema monetário europeu, mas foi geralmente esquecido.

Agora que os resultados desses efeitos estão à vista a tentação mais à mão é o recuo. A demagogia acaba quando acaba o dinheiro que a sustenta. Antes, contudo, abate o bode expiatório.

O JOGO DA CABRA CEGA

Ainda mexe quando era suposto já estar tudo esclarecido e todos absolvidos.
Afinal não. O caso Freeport vai ser julgado no Barreiro por juízes em full-time.
Andamos sempre a aprender. Há juízes a trabalhar em part-time.

Saturday, November 12, 2011

À ESPERA DE DRÁGHI?

- E depois de toda esta embrulhada subsistirá a democracia?

A democracia não é uma garantia inabalável porque não é um facto irreversívelmente adquirido por mais que as circunstâncias passam dar uma ilusão da sua perenidade.

Nas últimas semanas, o desenvolvimento acelerado de acontecimentos tem evidenciado a complexidade do labirinto em que nos encontramos e as dificuldades que se colocam à descoberta de saídas que evitem que o pânico se instale e a guerra (sim, a guerra) entre os sitiados pela crise volte à Europa, paradoxalmente, provocada pelo desenvolvimento das instituições iniciadas há sessenta anos para a prevenir.

A ameaça agudizou-se com a entrada da Itália no banco das urgências. A partir de agora, ou se mobilizam meios eficazes de modo extraordinário ou o perigo de contágio vai, incontroladamente, alastrar-se urbi et orbi.

Soube-se, praticamente poucos dias depois da sua aprovação, que o reforço do Fundo de Estabilidade da Zona Euro, imediatamente tabelado pela Standard & Poor´s com rating AAA, não comoveu, antes pelo contrário os investidores, ou especuladores, consoante se queira. As taxas de juro da dívida italiana ultrapassaram os 6% e prometem uma escalada que nenhum fundo limitado, por mais fundo que seja, conseguirá dissuadir. E aquilo que para alguns parecia impensável começa a impor-se como condição sine qua non para a ultrapassagem da vertente financeira da crise: dispor o BCE de capacidade ilimitada, idêntica à dos outros bancos centrais, de emitir moeda que as circunstâncias impuserem.  E isto porque essa capacidade, e só essa capacidade, pelo simples facto existir, será capaz de enfrentar a desconfiança dos mercados (ou outra coisa, consoante se queira), fazendo-os recuar para limites que poderão reduzir a zero a mobilização daquela capacidade.

A construção da Zona Euro, desprovida daquela capacidade ilimitada, está irremediavelmente condenada à
derrocada a partir do momento que os mercados abalaram as dívidas soberanas e concluiram que estão totalmente desprotegidas. Como poderá evitar-se a destruição da Zona Euro, eventualmente a destruição da União Europeia, a morte precoce de algumas democracias, a guerra, se os tratados europeus não consentem porque, desde logo, a constituição alemã  impede a utilização daquela capacidade?

Não sei.

Mário Drághi, o italiano que é desde há dias o presidente do BCE, será pressionado pelas circunstâncias a prosseguir o quê?
A defesa do euro e a estabilidade do sistema monetário europeu (e, por tabela, o sistema monetário internacional) ultrapassando os limites do enquadramento do seu mandato, correndo o risco de ser acusado de violação dos seus compromissos,
ou o estrito cumprimento dos estatutos do BCE correndo o risco de continuar a percorrer o caminho que pode levar a um abalo de dimensões incalculáveis?

Esperemos que os países membros da Zona Euro, com particular destaque para a Alemanha e a França, se ponham de acordo sobre o assunto em tempo útil, na certeza de que, se a Itália entrasse em default, seriam poucos os que, sobretudo na Europa, escapariam aos efeitos em dominó de  uma derrocada inicial com a dimensão de um bilião de euros. 

PORTUGAL AO NATURAL


Obviamente, não há culpados.
Porque há contribuintes.
Por enquanto.

Friday, November 11, 2011

O CÚMULO DO ABSURDO

Banqueiros ameaçam levar Estado a Tribunal por causa das regras de recapitalização.

Notícias destas ou lhes pegamos pelo lado do non sense ou não têm ponta por onde se pegue.
A tribunal, senhores banqueiros, por quê e para quê? Sabem os senhores banqueiros a que velocidade corre a justiça em Portugal mesmo em passo de corrida?
São os senhores banqueiros obrigados a encostarem-se ao Estado para se recapitalizarem?
Não são.
O encosto (ou o empurrão, segundo ponto de vista do observador) do Estado é supletivo e apenas ocorrerá se os senhores accionistas dos bancos permitirem. 

A recapitalização é uma treta que não resolve os problemas da banca. Era bom que resolvesse mas não resolve e as condições fixadas pelo Governo para a recapitalização ( e não pelo Estado, seria bom que esta gente se habituasse a não invocar o abstracto nome do Estado em vão) são incumpríveis no prazo de três anos.

Estaremos perante uma maquiavélica operação de nacionalização da banca engendrada pelo neoliberal professor Gaspar? Admitamos o absurdo mas, ao admiti-lo, teremos de admitir que os banqueiros acreditam num absurdo ainda maior: que a justiça possa sobrepor-se ao governo na fixação das condições que só este pode discutir com os banqueiros, e com a troica.

Thursday, November 10, 2011

QUANTO VALE O MAIOR BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS



Se a cotação das acções do maior banco comercial português evoluirem segundo a tendência observada nos últimos seis meses, o maior banco comercial português em Setembro do próximo ano terá um valor equivalente aquele a que este quadro acaba de ser vendido em Nova Iorque num leilão que anotei aqui.

Se o cotação cair ao ritmo observado hoje,
o maior banco comercial português valerá tanto como este quadro dentro de um mês. 

NO PAÍS DOS SUBSÍDIOS

A discussão do OE está a ser polarizada no corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e de duas das 14 prestações anuais aos pensionistas ex-trabalhadores do sector privado compelidos a descontar para a Caixa Geral de Pensões.  Apesar do Governo ter considerado a medida como temporária, ninguém, que saiba fazer contas, poderá acreditar que, a partir de 2014, seja possível repor os valores que vão ser retirados nos próximos dois anos.

Ouço na rádio esta manhã Bacelar Gouveia, que foi deputado do PSD, apelar ao PR no sentido de enviar o OE ao TC para apreciação da inconstitucionalidade que aquele constitucionalista garante existir. Mas não é esperável que Cavaco Silva, ainda que contrariado, não promulgue o documento que vier a ser aprovado na AR. 

Há muito tempo que considero o pagamento de dois salários anuais como subsídios uma prática olhada do exterior como uma extravagância portuguesa e o pagamento de duas das 14 prestações anuais aos reformados, uma delas com a designação de subsídio de férias, como uma anedota de mau gosto*.

Hoje, a Comissão Europeia diz que subsídios de férias e de Natal serão "eliminados" . Não tenho dúvidas que assim será. Assim como não duvido que aquilo que deveria ter sido feito há muito tempo (o pagamento dos salários em 12 meses, pela divisão dos 14 pagamentos por 12) não irá  ser feito depois de 2013.

Dir-me-ão que com 12 ou 14, o corte seria feito. Talvez, mas não com tanta facilidade.
Desde logo, porque ninguém fala em corte de salários (que realmente existe) mas de corte de subsídios que têm aquela cotação extravagante que referi.  

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*Além de outras notas sobre o tema, em Julho de 2008 escrevi aqui isto:


"A prática que se generalizou em Portugal de pagar subsídios de férias e de Natal conduz a pressões pontuais sobre as tesourarias das instituições e das empresas sem vantagens para ninguém. Além dos esforços sazonais que exige (coincidindo em muitos casos com redução de actividade e, portanto, de facturação) incentiva o consumo irracional que, frequentemente, nem se reflete no aumento de actividade produtiva do país porque se repercute no aumento das importações."

NÃO HÁ CRISE QUE CHEGUE PARA TODOS



 “I Can See the Whole Room!… and There’s Nobody in It!” (1961)
De Roy Lichtenstein
Vendido anteontem por 43,2 milhões de dólares  pela Christie’s, em Nova Iorque, consituindo um recorde para o artista e o recorde do ano de obras de arte vendidas em leilão.



 “View of the Rialto Bridge” (1760)
 Francesco Guardi
Vendido em Julho pela Sotheby’s de Londres por 26,7 milhões de libras (cerca de 31,2 milhões de euros), estabelecendo um novo recorde do artista e um recorde para uma cvista de Veneza.



 “La Lecture” (1932)

Pablo Picasso
Retrato de Marie-Therese Walter, uma jovem, amante do artista,  foi arrematado em Fevereiro por 25,2 milhões de libras num leilão da Sotheby’s.




 “Litzlberg am Attersee” (1915)

Gustav Klimt
Vendido em Novembro por 40 milhões de dólares num leilão da Sotheby’s de Nova Iorque.
 

 
 “Häuser mit bunter Wäsche – Vorstadr II” (1914)

Egon Schiele
Leiloado pela Sotheby’s em Junho por 27,5 milhões de euros – quase duplica o dobro do  valor mais elevado atingido por um quadro deste pintor.

“Self-Portrait” (1963-1964)

Andy Warhol
Vendido em Maio em 38,4 milhões de dólares, o valor mais elevado de sempre em leilão por um auto-retrato do artista pop.
 

 
 “Gimcrack on Newmarket Heath, with a trainer, a jockey and a stable lad” (1765)

George Stubbs
Vendido em Julho pela Christie’s de Londres por 26 milhões de euros. O quadro é considerado uma referência do tema corridas de cavalo.

 
“Study for a portrait” (1953)

Francis Bacon
Vendido pela Christie’s em Junho por 20,98 milhões de euros.
 

 
 “Liz #5” (1963)
Andy Warhol
Retrato de Elizabeth Taylor  vendido Phillips de Pury & Company por 19 milhões de euros.
 

 
 “L’Aubade” (1942)

Pablo Picasso
Óleo vendido em Novembro por 16,6 milhões de euros num leilão da Sotheby’s

Wednesday, November 09, 2011

ESTÁ A BRINCAR, PROFESSOR GASPAR?

Tantos a invectivarem o Governo de refinadíssimo neo-liberal e os banqueiros a verem nele, por detrás das condições impostas aos bancos se recapitalizados com fundos emprestados ao Estado, uma calculista estratégia de nacionalizar a banca portuguesa, ou grande parte dela, reeditando a fúria que varreu o capitalismo do país em 1975.

Os banqueiros portugueses estão revoltados e mandaram o professor Sousa queixar-se a Bruxelas das sinistras intenções do professor Gaspar, que usa as regras da troica para voltar o país do avesso. Segundo os banqueiros, os problemas com que o sector se defronta decorrem  simplesmente do facto do Estado se encontrar em incumprimento dos seus compromissos financeiros, sendo, portanto, prepotentes (interpretação minha) as regras que restringem o prazo de reembolso dos capitais intermediados pelo Estado a utilizar na recapitalização dos bancos que se candidatarem.*

Resumidamente, os bancos que não cumpram as metas de capitais próprios até final deste ano poderão ser obrigados pelo Banco de Portugal a recorrer até 12 mil milhões de euros do total da dívida contraída pelo Estado. titulada pelo plano assinado com a troica, podendo, em caso de recusa ser substituída a administração relapsa e, eventualmente, retirada a licença para operarem (aqui). Terão três anos de prazo para devolverem os capitais da recapitalização pelo Estado à procedência. Se não, nacionalização, e venda a quem mais der.

Avizinha-se, portanto, mais uma acção de compra e venda de bancos pelo Estado a quem, aliás, não falta experiência na matéria, a última das quais, do BPN, resultou no que resultou para os bolsos dos contribuintes.

A propósito, as acções do BCP estão a esta hora a cair 5,4% para 11,2 cêntimos.
No fim o ano a que cotação terão chegado?
Mais valia estar calado o tutor do Estado.

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*Um aspecto intrigante na carta enviada pelos banqueiros a Bruxelas é a posição de liderança nesta contestação assumida pelo presidente do BES depois de ter declarado dispensar o Estado na recapitalização do banco a que preside.

Tuesday, November 08, 2011

EFEITOS NEGATIVOS DE AUMENTOS DO SALÁRIO MÍNIMO

"- o efeito negativo de aumentos do salário mínimo sobre o emprego das mulheres é cerca do dobro do encontrado para os homens;

- o impacto negativo sobre o emprego dos trabalhadores menos qualificados é particularmente adverso e sente-se em especial na região Norte;

- os jovens com idade inferior a 25 anos são os mais penalizados pelo aumento do SMN, sofrendo perdas de emprego muito significativas - acima dos 5% desde 2007;

- os sectores em que o emprego mais diminui em resposta ao aumento do SMN são a Agricultura e Pescas e Indústrias Extractivas, seguidos da Indústria Transformadora e da Construção."
 
Conclusões de um estudo publicado aqui e citado aqui.

Se, inversamente, deixasse de existir salário mínimo qual seria o impacto na redução do desemprego?
Luís Aguiar-Conraria: Parece-me que empiricamente é difícil de responder a essa pergunta, dado que os exemplos de descidas nominais de salário mínimo são bastante raros. Penso que o John Major, no RU, acabou com o salário mínimo, mas não me lembro de outro caso.



MAIS UM MEGA JOGO DA CABRA CEGA

Começou mais um mega julgamento, desta vez em Aveiro, Comarca do Baixo Vouga, com trinta e tal acusados, cinquenta e não sei quantos advogados, quinhentas e muitas testemunhas, mas não sei se ouvi bem, em todo o caso um estendal a preceito que bem merece o qualificativo mega, que obrigou a adaptações da sala de audiências e a instalação de painéis electrónicos para que não passe despercebido a ninguém tudo o que vai, e como vai, ser dito,  naquele sítio merecedor de largos elogios de todos quantos, felizardos, tiveram já a oportunidade de ver de perto, uma coisa como deve ser que custou a módica quantia de oitenta mil euros.

Sendo mega, o julgamento não pode demorar menos que largos meses, quem sabe mesmo se largos anos, dos trinta e tal acusados, a maioria será mandada em paz e que a esperteza os acompanhe, dos restantes, uns serão punidos com pena suspensa, mas, logo os advogados dirão que os seus constituintes, inconformados irão recorrer, se algum ou alguns forem brindados com pena efectiva, os advogados logo declararão que os juízes não consideraram provas relevantes ou alguns meios de prova terão sido ilegalmente obtidos.

O costume.
No ajustamento das sentenças do tribunal de comarca, dos desembargadores da Relação, mesmo  em crescendo de eficiência, não poderá esperar-se que se pronunciem em tempo inferior ao consumido na primeira instância. Eventualmente, poderá mandar repetir o julgamento por irregularidades insanáveis.

Qualquer que seja o desembargo, os ainda julgados culpados, com ou sem pena suspensa, recorrerão para o Constitucional. Que, com tanta gente envolvida, não poderá pronunciar-se senão até pouco antes de  a prescrição a aparecer. Pouco tempo, portanto, para despachar os recursos que, seguramente, mais que legais serão moralmente justos.

E tudo isto porquê, senhores?
Porque um empresário, dedicado à recuperação de ferro-velho, portanto à limpeza deste país manifestamente atulhado de ferrugem, mandou entregar uma caixa de robalos a um rapaz com quem simpatiza e umas garrafas de conhaque a quem sabe o que é bom.

Um empresário, que para além do contributo ecológico que deveria fazer dele um comendador, é manifestamente insubstituível nessa função tão discreta quanto imprescindível. Segundo o que pode ler-se aqui, o admirável recuperador de sucata ganhou recentemente mais um concurso (milionário, segundo a imprensa, geralmente indisfarçadamente invejosa) de aquisição de coisas já ferrugentas, sendo vendedor uma das empresas que o levou, a ele e aos seus amigos, ao tribunal da comarca do Baixo Vouga.

Ainda há alguém que possa confiar nestas empresas?

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Act. - REN mantém em funções três altos quadros acusados no face oculta
"Bomba atómica" ameaça fazer ruir todo o mega-processo "Face-Oculta"
Já que tem que ser que seja já.

ADIVINHEM QUEM VAI PAGAR

Ouço na rádio, esta manhã, que a recapitalização dos bancos vai ser submetida com urgência a votação na AR, que a entrada do Estado não perdurará para além de três anos, menor que o período de cinco anos referido aqui, que durante o período de permanência do Estado no capital dos bancos intervencionados pode ser suspensa a distribuição de lucros aos accionistas, que findo o período de três anos o Governo se reserva o direito de nacionalizar ou alienar a sua participação.
O recado vai directo, sobretudo,  para os accionistas do BCP, too big to fail*, que hoje está a cotar já abaixo dos 12 cêntimos por acção, tendo o seu presidente, que transitou da presidência da Caixa, um dado importante que convém não esquecer para perceber a trama, afirmado que não o incomodava muito ter o Estado como accionista, resta saber se os accionistas a partir das notícias que vão saindo a conta-gotas subscrevem tanta disponibilidade. Continuamos, por outro lado, sem saber a que cotação se fará a entrada do Estado, neste e, eventualmente, noutros bancos, excluindo a Caixa, que não é cotada em bolsa, e onde  o que lá cair já de lá não sai, quando sair, com o mesmo nome.

A ajuda aos bancos vai ter carácter de urgência, o que confirma que a queda das cotações do BCP é tida como imparável por várias más razões e, mais imparável ainda, pela iminência da entrada do Estado.  O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, em clara desafinação com o Governo, entendeu desde já denunciar a falta de diálogo, que põe em perigo as relações entre o Governo e a banca, e o presidente do BES, visivelmente preocupado, afirmava ontem que as condições de entrada do Estado assemelham-se  a um retorno à golden share.

Parece que o único personagem em cena satisfeito com entrada do Estado lá em casa é o presidente do BCP. À espera, talvez, que se o mandarem sair no próximo acto pela esquerda baixa lhe encham os bolsos com uma remuneração medida pela escala utilizada para o seu antecessor.

Que alguém acabará por pagar. Quem será?

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*(wikipedia) -Too big_to_fail

Monday, November 07, 2011

TEM-TE-NÃO-CAIAS

c/p Economist
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NANNY BANK

Banco de Portugal proíbe depósitos com super juros

O Banco de Portugal (BdP) quer travar a "guerra dos depósitos" no sector financeiro. O regulador bancário anunciou ( ) que aprovou uma medida que prevê que os bancos que ofereçam uma taxa de juro superior em 300 pontos-base à taxa de mercado serão penalizados no seu rácio de capital de base. O Banco de Portugal explica que "passou a estar prevista uma dedução aos fundos próprios que relevam para o cômputo do rácio core tier 1, em relação com os depósitos contratados com taxa de remuneração acima de um dado limiar".

Percebe-se a medida se considerarmos que os banqueiros são inimputáveis, embolsam dos lucros e esperam que as finanças nos mandem a conta a casa em caso de perdas.

Só não se percebe que o governador do Banco de Portugal não concerte com os bancos políticas de juros do lado das operaçõe activas. Podia começar, por exemplo, com o banco do Estado, a CGD, sugerindo-lhe que privilegiasse a economia reprodutiva, que exporta ou substitui importações, cobrando das outras, das importadoras, a redução das margens nos empréstimos concedidos às primeiras.

E não lhe consentisse a continuação de operações de casino.
A propósito: Quem paga os empréstimos concedidos pela Caixa a Berardo e outros compadres, garantidos por acções que hoje valem uma fracção reduzida do valor de compra? Também eu?
.
O presidente executivo da Caixa afirma (aqui) que a recapitalização do banco do Estado será menor que os 1,4 mil milhões previstos. Um escândalo. Como é que um banco que tem assegurado um "funding" estável e barato, mercê da confiança inerente à sua condição de banco do Estado, tem que se recapitalizar? Quanto é que daqueles milhar de milhões são provocados por imparidades registadas no casino da Caixa?

Já identificou, o senhor governador, os croupiers que estavam, na altura, de serviço? 

Sunday, November 06, 2011

PAGA E NÃO BUFA

´"Um dia destes dir-nos-ão: Definitivamente, o Estado Social morreu."
2006, Fevereiro (aqui)

Mudou alguma coisa, desde então?
Entre outros casos recentes, desde o insolente mas impune comportamento de Alberto João Jardim até à impotência do Tribunal de Contas mais uma vez revelada no Metro Mondego, provam que não.

Conseguirá a crise banir, pela penúria do tesouro, o roubo a cimento armado?
Não podemos estar certos disso. O mais provável é que o discurso recorrente continue a lançar para cima do Estado Social as culpas do défice e da dívida esquecendo o roubo a cimento armado, entre outros.

Entre outros, o BPN, por exemplo.
Sem que os contribuintes que são obrigados a colmatar este buracão escandaloso sejam informados acerca do paradeiro dos milhares de milhões que por ele se escaparam, sem que a justiça indicie que mexe, talvez com receio da pestilência que possa tresandar se mexer.

Sabe-se através da comunicação social que Américo Amorim comprou a Galp com um financiamento de milhares de milhões concedido pelo BPN, mas que ele nega, que Duarte Lima tem uma dívida de uns milhões no mesmo pseudobanco, mas que não sabemos onde ele para, dizem-se muitas coisas mas não sabemos a verdade que nos obriga a pagar uma conta escandalosa de uma inqualificável farra em que não participámos mas muitos sabiam, tinham obrigação de saber, que estava a acontecer, e são coniventes pela sua passividade.

Sabemos também pela comunicação social que Duarte Lima, entre outros, escaparam à tributação das aplicações dos seus rendimentos, lícitos ou criminosos, porque fintaram as leis fiscais com manobras de que eles próprios foram autores.

A culpa é do Estado Social? Talvez seja, mas expliquem-nos porquê.

Saturday, November 05, 2011

SIM OU SOPAS - 3

Afinal não vai haver referendo na Grécia mas mantenho o sentido dos comentários que anotei aqui.

Papandreou recuou na convocação do referendo, se é que alguma vez teve a decidida intenção de o realizar, e obteve ontem um voto de confiança no Parlamento. Chega para para sossegar os mercados, a União Europeia, os EUA, o mundo em geral, e, muito patricularmente, os gregos? Não chega.

Papandreou jogou uma cartada para sair do caminho das brasas em que meteu quando assumu a chefia do governo e decidiu revelar a situação de catástrofe financeira em que a Grécia se encontrava. Já nessa altura, não tinha alternativa. Ou descobria os buracos ou caía neles a curto prazo. Acossado pelos credores e vilipendiado nas ruas, teria, de um modo ou doutro, que confrontar os gregos com as situações extremas e acabar com adiamentos: ou cumprimos e continuamos na UE no euro, ou saímos, com todas as consequências previsíveis num caso e noutro.   

O que se segue, ninguém sabe. Mas sabe-se que mesmo um país pequeno e relativamente irrelevante no contexto internacional tem muito mais peso político do que a sua fraca figura parece sugerir, sobretudo se deve muito dinheiro à banca internacional e ocupa uma posição geoestratégica entre dois mundos que continuam a confrontar-se.

O JOGO DA CABRA CEGA

O Tribunal de Contas arrasa gestão do Metro Mondego, segundo notícia de hoje do Diário de Coimbra que a Antena 1 divulgou esta manhã.

Relatório final da auditoria aponta o dedo ao Governo, às autarquias e aos antigos administradores da Sociedade Metro Mondego

Entre a falta de estudos que fundamentassem decisões, até reformulações do projecto que o encareceram em muitos milhões, passando por muitas mudanças governativas, são várias as críticas que o Tribunal de Contas (TC) aponta ao modo como o projecto do Metro Mondego foi conduzido nos últimos 17 anos. O relatório da auditoria foi ontem divulgado e confirma praticamente tudo o que o relatório preliminar (revelado em primeira mão pelo Diário de Coimbra) já apontara.

O projecto começa sem «um documento técnico que mostrasse a viabilidade técnica, económica e financeira do projecto, nem estava estimado o impacto que teria na mobilidade da região», dizem os auditores. Depois, entre a primeira estimativa (122 milhões de euros) e as contas mais recentes registou-se um aumento de 70 por cento.
 
Ouve-se, e ocorre perguntar tantas vezes quantas é notícia que o Tribunal de Contas arrasa alguma coisa: Para que queremos um tribunal que leva, neste caso, 17 anos para apontar o dedo (expressão do jornalista do DC) ao Governo, às autarquias e aos ex-administradores?
 
Para nos avisar, mais uma vez, que é um tribunal irrelevante, castrado, masoquista? 

CONTRA A CORRENTE

Contra a decisão do governo, que espera que mais horas de trabalho pelo mesmo salário aumentem a competitividade no sector privado, o presidente da Câmara de Lisboa estuda o impacto financeiro do corte de um dia de trabalho por semana no orçamento da capital.

A notícia não revela outros aspectos relevantes da intenção do presidente da autarquia lisboeta mas pode presumir-se que, por estimativa, terá chegado à conclusão que a câmara tem excesso de funcionários, apesar das horas extraordinárias representarem quase 12% das despesas totais com pessoal, e a redução dos dias de prestação de serviços camarários não prejudicará os munícipes.

Como, por outro lado, a notícia não refere, nem será esperável, que câmara reduza o número de funcionários, despedindo alguns, o impacto financeiro esperado só pode resultar da redução do pagamento de alguns subsídios atribuídos em dias de trabalho (de refeição p.e.) ou de consumos não proporcionais à quantidade de serviços prestados (iluminação, aquecimento, ar condicionado, água, gás) ou ainda de serviços capturados pelos funcionários (telecomunicações com familiares e amigos, p.e.). Não sei se me escapa alguma outra despesa relevante que possa determinar uma poupança signficativa, mas, parece, que não será esta a decisão, se vier a concretizar-se, deveria tomar para reduzir efectivamente os encargos do município. 

Já o corte radical das horas extraordinárias terá, esse sim, um impacto que para o calcular nem é preciso fazer contas: será superior a 10%. O que não se percebe é que não tenha sido tomado há mais tempo, se o município tem um excesso tal de trabalhadores que lhe permite fazer o mesmo em menos 20% dos dias da semana. Aliás, percebe-se: sem concorrência nem dependência de resultados, os autarcas apenas dependem dos votos e os votantes só agora começam a perceber por onde anda o dinheiro dos impostos que são obrigados (os que são) a pagar.
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Act. A redução proposta por António Costa, que pressupõe o acordo individual dos trabalhadores, implicaria uma redução correspondente dos salários dos que aceitarem a redução de um dia de trabalho por semana.
Em conclusão: A Câmara de Lisboa (só a Câmara de Lisboa?) reconhece que tem funcionários a mais para os serviços que presta aos seus munícipes e propõe uma adequação dos recursos humanos às necessidades reais dos diferentes departamentos do município. Percebe-se melhor, agora,  a intenção, só não se percebe o encerramento durante um dia de semana já que, sendo individual a adesão à proposta, a redução de um dia de trabalho coloca rigidez no atingimento do objectivo: ou aderem todos ou não adere ninguém? Será? Se for, é um tanto absurdo.
Prefiro admitir que o jornalista não entendeu a mensagem.

Friday, November 04, 2011

ARTE COM M GRANDE


O Expresso online de hoje publica hoje aqui um artigo sobre graffitis nas carruagens da CP, os custos da limpeza, a reincidência permanente, a obstrução da visão dos passageiros sobre a paisagem.  

É uma reportagem de um exemplo revoltante (há, infelizmente muito mais, e muito mais graves)  do grau de indigência moral a que chegou   este país, da pusilaminidade colectiva, da desmobilização da segurança interna, da chacota corrente num estado que deixou de ser de direito.

É, no mínimo, caricato que uma empresa pública, encostada ao Orçamento do Estado seja incapaz de mobilizar os muitos meios internos de que dispõe para defesa primária dos seus equipamentos. É no mínimo inquietante a indiferença com que a polícia consente estes desacatos contra bens públicos. É no mínimo intolerável a forma como se aceita que estes desmandos continuem a ser levados à conta dos impostos que pagamos porque não podemos, os do costume, deixar de os pagar.

Mas é ainda mais inquietante  a erosão que estes e outros vandalismos,  atentados à segurança dos cidadãos e aos seus salários, provocam, lenta mas irreversivelmente, na democracia. Basta ler a generalidade dos comentários feitos ao artigo.

A FOME E A VONTADE DE COMER

Em defesa dos bancos, e nomeadamente dos bancos portugueses, geralmente  acusados de grandes responsabilidades na crise económica e financeira que está, e vai continuar, a atingir a grande maioria dos portugueses,  é argumentado que os bancos foram obrigados pelos governos a emprestarem ao Estado por lhes faltar capacidade para se oporem aquela intimação, que acabou por levar o país à beira da bancarrota.  

Não compreendo o argumento mas sei das razões porque se juntou a fome de fundos dos governos, com particular destaque para o anterior, à vontade de comer dos bancos intermediários no financiamento à rédea solta.

E não compreendo, porque os bancos, com excepção da Caixa Geral de Depósitos, são entidades privadas que se subordinam, salvo prova em contrário, prioritariamente aos interesses dos seus accionistas. Donde, parece-me inconsistente o argumento de que os banqueiros se subordinaram aos desígnios incontrolados do poder político, subalternizando os interesses dos accionistas. Geralmente, a apreciação das relações entre o poder político e o poder económico conclui pelo inverso.

Mas há mais: Do endividamento externo total do país, a parte maior está do lado da dívida privada (empresas e famílias) sem que, de algum modo, se possa, quanto a esta parte, transferir razoavelmente para o poder político as responsabilidades quanto ao desaforo observado nos níveis de endividamento privado atingidos.

A este propósito o argumento da defesa é outro: estavam errados os incentivos. Os bancos subordinaram a sua actuação a critérios que os induziram a privilegiar as aplicações em dívidas soberanas (cotadas pelo critérios de Basileia com grau zero de risco), os monopólios, as grandes empresas de obras públicas, etc., e a retrairem o financiamento às empresas de bens e serviços transaccionáveis. O que, reconheça-se, é só meia verdade.

E é só meia verdade porque, em última instância, a avaliação do risco do crédito concedido  compete a cada banco. E só os bancos, a associação dos bancos, o Banco de Portugal, e pouco mais, tinham acesso aos insustentáveis níveis de crédito que a banca estava a importar. Aquele que adquiriu casa porque lhe acenaram com juros baixos e financiamento a cem por cento (ou até mais) ignorava em absoluto o buraco para onde os bancos o estavam a encaminhar. Quando João Salgueiro, entre outros, afirma que "somos todos culpados"  o que pretende é salvar a face daqueles que representou na associação a que presidia quando as causas do cataclismo foram chocadas.

A junção da fome de uns à vontade de comer dos outros, só tem uma explicação, simples, aliás: os banqueiros ganharam à tripa forra com o negócio que, segundo eles, o governo lhes impôs. Tanto assim, que no primeiro trimestre de cada ano o foguetório de lucros subia cada vez mais no firmamento, excitando o pasmo do estimado público.

Que deu num foguetório de lágrimas a cairem agora torrencialmente, como brasas vivas, em cima dos senhores espectadores.

Thursday, November 03, 2011

E VOCÊ, NÃO ACREDITA NOS GLUTÕES?

Para quem acreditar no que se afirma aqui, a eventual participação do Estado na recapitalização dos bancos não poderá exceder 5 anos.

Mas para acreditar é preciso ter muita fé no futuro da economia europeia, em geral, e, sobretudo numa recuperação surpreendente da economia portuguesa quando, o próprio governo avisa,  a recessão não acabará antes de 2013 e o crescimento, se acontecer, a partir daí será lento durante alguns anos. Como concretizar, então, aquele objectivo em condições tão adversas? Não sei. 

O que sei é que o único accionista da Caixa Geral de Depósitos é o Estado. Ao fim de 5 anos, o Estado reduz a sua participação no capital da Caixa? Não reduz. Pode privatizar a Caixa, no todo ou em parte, mas não é crível que lhe reduza os capitais próprios.

Quanto ao BCP, a maior interrogação que se coloca, e presumo que a resolução do Conselho de Ministros não responde, porque a operação tem de ser objecto de negociação com os actuais accionistas, é qual o valor unitário das acções emitidas (se houver aumento de capital) ou transaccionadadas (se forem transaccionadas acções próprias); no primeiro caso, o actual valor de mercado, não será seguramente aceite pelos actuais accionistas porque isso implicaria uma tomada pelo Estado da maioria do capital do banco. Mas se não for o valor de mercado, que outro poderá ser sem que os interesses do Estado sejam, logo à partida, irremediavelmente comprometidos?

Mas se a operação envolver, em parte ou na totalidade, a transacção de acções próprias, pode o governo adquiri-las em nome do Estado à cotação média de aquisição que, inevitavelmente, estará muito acima das cotações actuais que atingiram hoje os valores mínimos de sempre?

Não, não acredito que o Estado possa recapitalizar a banca e retirar-se ao fim de 5 anos. Talvez isso possa acontecer no BPI, se lá entrar, ou no BES, que parece que não quer que entre, mas no BCP tudo me leva a crer que estaremos em vésperas de abertura de um buracão sem prazo para a cobertura.  

O JOGO DA CABRA CEGA

Wednesday, November 02, 2011

DEBAIXO DO CHAPÉU ROTO DO ESTADO

São uns finórios estes empresários:

A AEP Associação Empresarial de Portugal,  assume "impossibilidade em honrar" pagamento da dívida do Europarque, deixando que a banca execute o aval do Estado. Reconhece a AEP, “desde o início da sua exploração, em 1996, o Europarque nunca teve resultados positivos”.

e este banqueiro,

Não me incomodo muito ter o Estado como accionista (C Santos Ferreira, presidente do BCP)
Perdas na Grécia levam BCP a registar prejuízos 29 milhões de prejuízos no terceiro trimestre. Mas o pior ainda está para contabilizar.

aqui

REJEITADA


A crise não é para todos e a prova disso, por exemplo, são os valores que continuam a ser atingidos
nos leilões da Sotheby´s e da Christie´s.
Não foi o caso do leilão realizado ontem nos Estados Unidos pela Christíe´s, onde, entre outros, Jeune Fille Endormie, de Picasso, não encontrou comprador à altura dos 9 a 13 milhões de euros estimados pela leiloeira.

Mesmo assim, um dia destes o BCP não valerá mais que uma dúzia de quadros destes.

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Act.


Mulher que chora, uma gravura de Picasso atingiu o valor record de 3,75 milhões de euros no mesmo leilão.  

AINDA ACERCA DO ABSURDO DA RECAPITALIZAÇÃO

"Ninguém de bom senso é adversário da banca, António.

Mas o senso comum também percebe facilmente que o foguetório de lucros com que os bancos entusiasmaram o pagode serviu essencialmente aos bolsos dos que cobraram rendimentos, bónus, etc. e, que, deste modo, descapitalizaram os bancos.

Agora intimam-nos a nós, contribuintes, que sejamos nós a recapitalizar a banca com os impostos que nos cobram.
Levem-nos o dinheiro mas não nos tomem por tolos!" (aqui)

Recapitalização não é mais nem menos que: aumento dos capitais próprios com o objectivo de aumentar a dimensão do negócio ou suportar esse aumento; ou a recomposição de capitais próprios perdidos no negócio. Em qual destes casos se situa a "recapitalização da banca" ? Obviamente, no último.

O sistema financeiro mundial, e muito particularmente o europeu, está, de um modo geral, infectado por uma epidemia de créditos incobráveis que ameaçam contagiar tudo o que paira à sua volta. Dito de outro modo, muitos bancos serão obrigados a reconhecer prejuízos que a sua ganância, ou ignorância, provocou. Como os accionistas não têm, ou dizem não ter, capacidade ou interesse, em manter as suas posições relativas, os políticos entenderam resolver o problema da forma habitual: substituindo-se os Estados aos accionistas e fazendo pagar a manobra aos contribuintes.

Na sua origem, a calamidade com que nos confrontamos hoje explica-se pelo cálculo aritmético mais simples: Os superavites comerciais de alguns países são exactamente iguais aos défices comerciais dos restantes, determinando a um fluxo creditício entre os primeiros e os segundos. Quem anda ali pelo meio? Pois, evidentemente, os banqueiros, entusiasmados com as margens, as comissões, os bónus, que embolsam. Tudo corre bem até ao dia em que os credores, subitamente, olham para o rol dos empréstimos e começam a desconfiar da capacidade de reembolso dos devedores. Nesse momento, começam os sintomas que, alguns tempos mais tarde, descambarão em dores dos contribuintes.  

Não sabiam disto os banqueiros? Sabiam, evidentemente, mas assobiaram para o ar, felizes com os grandessíssimos rendimentos, e fiados, que, havendo azar, alguém pagaria por eles.

A anunciada como imperativa recapitalização da banca portuguesa, contudo, que não agrada a alguns banqueiros ciosos da inviolabilidade dos seus domínios, que preferem que o Estado pague parte do que lhes deve, é uma batota com todas as letras.

Se não vejamos: Da ajuda externa concedida a Portugal (78 mil milhões, até ver), 12 mil milhões destinam-se à recapitalização de alguns bancos (o BES, inesperadamente, já declarou dispensar). Vale isto por dizer que, se outra causa  não houvesse para fazer subir ainda mais a dívida pública, os 12 mil milhões destinados a fazer do Estado silent partner  dos bancos, determinarão um aumento substancial do já muito excessivo endividamento público. 

Por outro lado, se o que determina a recapitalização dos bancos é, em grande parte, a desconfiança que paira sobre o cumprimento da dívida soberana, ao aumento dos capitais próprios dos bancos corresponde um aumento da degradação daquela confiança em conquência do aumento da dívida.

Degradação que pode agravar-se ainda se se agravar, como é muito possível, a degradação da situação da banca encostada ao Estado em consequência desta recapitalização absurda.

Insisto: Não seria mais razoável, mais transparente, mais confortável para os contribuintes, que o Estado com os famigerados 12 mil milhões emprestados  pagasse parte do que pediu de empréstimo aos bancos portugueses?   

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Correl . - A Europa define como será a recapitalização dos bancos

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Aliás, há seis anos (aqui )

" ... Naquele tempo as aldeias “ao redol” pareciam jardins, regados com muito suor. Mas era uma economia de subsistência e vivia-se mal, alguns mesmo muito mal. Foi por viverem mal que muito saltaram para França, Luxemburgo, para toda a parte. Eram terras de pequenos agricultores e de pequenos pescadores e ninguém apareceu a ensinar-lhes a crescer. Talvez já existissem engenheiros e outros técnicos agrários mas nunca os vimos por lá. Os animais, se adoeciam, eram vistos e receitados por um alveitar. O veterinário não ia além do matadouro para assinar os papéis. Hoje, onde era jardim, há mato. A economia que era de subsistência é agora de assistência. Vegeta-se melhor.


Entretanto, em matéria de agricultura e pescas o Ministério da Agricultura e Pescas não parou de crescer. Segundo dados recentes, para cada 4 agricultores existe 1 funcionário no Ministério.

O Ministro, recentemente empossado, declarou para sossego das hostes e garantia dos votos que não haverá despedimentos. Nem precisava dizer, a Constituição não deixa.

Pode perguntar-se, no entanto:

Não se pode por essa gente a trabalhar?"

Tuesday, November 01, 2011

ALIÁS, HÁ SEIS ANOS

(aqui )

"Alguém, mas certamente com a aprovação da Câmara Municipal de Lisboa de então, decidiu construir um “driving range” de golfe sobre os depósitos da EPAL, nas Amoreiras. Foi necessário montar umas estruturas enormes para evitar que as bolas atingissem as ruas circundantes. Levantou-se o povo protestando ( ) e o “driving range” parou e as estruturas encolheram mas não desapareceram.

Até quando?

Até que caiam de podres corroídas pela ferrugem?"
 
Ainda lá estão, conjuntamento com o edifícío, também abandonado, construído com o mesmo propósito.
Expostos à indiferença de quem passa porque já nem se dá conta, se alguma vez deu, do absurdo que aquilo representa e dos custos deste outro mostrengo pago pelos contribuintes.

O JOGO DA CABRA CEGA


O juiz da segunda secção da Vara Mista do Funchal decretou o arresto do Campo do Marítimo em Santo António e dos subsídios do Instituto do Desporto da Madeira ao clube.
O arresto foi requerido pela empresa AFAVIA - Engenharia e Construções SA (AFA) que moveu um procedimento cautelar contra o Club Sport Marítimo por uma dívida de 2004, relativa à construção da segunda fase do complexo desportivo localizado em Santo António, no Funchal.
O Marítimo, através do presidente Carlos Pereira, justificou a falta de pagamento com os atrasos nos apoios financeiros

Já chegaram à Madeira?

SIM OU SOPAS - 2

Em finais de Março do ano passado escrevi aqui isto:
...
"Só vejo uma alternativa para a desmobilização deste confronto anunciado: Colocar ao País, através de um referendo, a possibilidade de escolher entre a manutenção no euro sujeitando-se às medidas do catálogo ou voltar à moeda nacional com as consequências fácilmente previsíveis.

Quanto mais tarde tal acontecer maior será a probabilidade de vingar a segunda hipótese.

Mas escapa-me a forma prática de a accionar sem consequências que a colocam irremediavelmente em causa à partida."

Ontem, Papandreou surpreendeu o mundo, e muito particularmente os parceiros europeus, ao anunciar a realização de um referendo às condições da ajuda externa que, na sua versão mais recente, prevêem a redução substancial da dívida.
 
Percebe-se a decisão de Papandreou e a surpresa da sua decisão.
Papandreou  pretende com este golpe inesperado confrontar o povo grego e, especialmente, desmobilizar os movimentos contestatários que ameaçam fazer evoluir a situação para uma desordem geral imparável. Fá-lo, depois de garantida uma redução substancial da dívida, o que significa que a alternativa que a oposição ao seu governo pode oferecer, neste caso, é o integral repúdio dela.
 
A convocação do referendo só é, portanto, surpresa para quem não conhece a Grécia e os gregos, ou faz de conta, ou acabou de tirar a cabeça da areia. O governo de Papandreou há muito tempo que arde em lume cada vez mais atiçado.
 
Se os gregos responderem, Sim, de forma claramente maioritária, Papandreou prossegue mais confortado, a Grécia continuará no caminho que, então, por maioria escolheu, permanecerá na UE e na Zona Euro, a União Europeia suspirará outra vez de alívio. Se votarem, Não, tudo pode acontecer, incluindo mais uma derrocada incalculável do sistema financeiro global.  Mas mais: É bem provável, como já algumas anotei neste bloco de notas, que, perante a iminência da saída da Grécia da UE e do Euro, mas também da Nato, os europeus e os norte-americanos, agora de forma conjugada, não tenham alternativa senão voltar a rever a ajuda externa à Grécia e, obviamente, de todo o modelo de solução do imbróglio financeiro em que o Ocidente se meteu.
 
Porque a alternativa seria abrir a porta à entrada da Rússia, que, na circunstância, não deixaria de desempenhar o papel do amigo de sempre, ali ao lado.