As medidas anunciadas pelo governo para concretizar os objectivos assumidos perante a troica são demasiado penalizadoras para as razões que as impuseram não serem totalmente esclarecidas, quantificadas e conhecidas os responsáveis. Se por detrás dos desafios colocados pelos actuais dirigentes socialistas existe um genuino desconhecimento dessas razões é porque, das duas uma, ou os seus camaradas do governo anterior ignoravam as reais dimensões dos buracos que eles próprios cavaram ou consentiram que fossem cavados, e, por essa ignorância, sonegaram informações à troica e aos portugueses, ou o governo anterior deliberadamente ocultou dívidas, à imagem e semelhança de AJJardim.
Este governo não pode, em qualquer caso, deixar de fazer aquilo que Passos Coelho prometeu anteontem na AR: averiguar quem nos colocou nesta situação dramática e, mais que dramática, vergonhosa. Mas tem de o fazer sem demoras que possam induzir nos cidadãos a suspeita de que nesta execução confiscatória desenfreada nada mudou, salvo o carrasco, e, inapelavelmente, seja também este governo considerado suspeito e conivente.
Quanto mais tardar a resposta clara e transparente às reclamações dos socialistas mais se avolumará essa suspeita e mais se transferirão do anterior governo para o actual as responsabilidades por esta crise sem paralelo na história da jovem democracia portuguesa no sentir colectivo dos portugueses.
Porque se assim não for, que teme este Governo?
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Ouço na rádio que Passos Coelho terá argumentado que os empregados na função pública têm salários médios superios aos do sector privado como justificação para reduzir o pagamento de salários anuais a 12 meses nos próximos dois anos (que dificilmente serão apenas dois). Mesmo que seja verdadeiro, o argumento é, só por si, inaceitável tendo em conta as razões que imediatamente levaram a esse corte uma vez que ele não estava contemplado no compromisso assumido com a troica.
Por outro lado, como é que PC justifica igual medida aplicada aos pensionistas do regime geral de previdência social (sector privado), não incluindo os regimes especiais (dos bancários, p.e., salvo os antigos empregado do Totta abrangidos pela Caixa de Previdência do ex-Grupo CUF, que veio a ser integrada no regime geral), quando essas pensões foram calculadas numa base anual discricionariamente dividida em 14 prestações a que, abusiva e anedoticamente, passaram a chamar subsídio de férias ( a reformados????) e de Natal.





