Saturday, October 15, 2011

QUEM NÃO DEVE

As medidas anunciadas pelo governo para concretizar os objectivos assumidos perante a troica são demasiado penalizadoras para as razões que as impuseram não serem totalmente esclarecidas, quantificadas e conhecidas os responsáveis. Se por detrás dos desafios colocados pelos actuais dirigentes socialistas existe um genuino desconhecimento dessas razões é porque, das duas uma, ou os seus camaradas do governo anterior ignoravam as reais dimensões dos buracos que eles próprios cavaram ou consentiram que fossem cavados, e, por essa  ignorância, sonegaram informações à troica e aos portugueses, ou o governo anterior deliberadamente ocultou dívidas, à imagem e semelhança de AJJardim. 

Este governo não pode, em qualquer caso, deixar de fazer aquilo que Passos Coelho prometeu anteontem na AR: averiguar quem nos colocou nesta situação dramática e, mais que dramática, vergonhosa. Mas tem de o fazer sem demoras que possam induzir nos cidadãos a suspeita de que nesta execução confiscatória desenfreada nada mudou, salvo o carrasco, e, inapelavelmente, seja também este governo considerado suspeito e conivente.

Quanto mais tardar a resposta clara e transparente às reclamações dos socialistas mais se avolumará essa suspeita e mais se transferirão do anterior governo para o actual as responsabilidades por esta crise sem paralelo na história da jovem democracia portuguesa no sentir colectivo dos portugueses.

Porque se assim não for, que teme este Governo?
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Ouço na rádio que Passos Coelho terá argumentado que os empregados na função pública têm salários médios superios aos do sector privado como justificação para reduzir o pagamento de salários anuais a 12 meses nos próximos dois anos (que dificilmente serão apenas dois). Mesmo que seja verdadeiro, o argumento é, só por si, inaceitável tendo em conta as razões que imediatamente levaram a esse corte uma vez que ele não estava contemplado no compromisso assumido com a troica.

Por outro lado, como é que PC justifica igual medida aplicada aos pensionistas do regime geral de previdência social (sector privado), não incluindo os regimes especiais (dos bancários, p.e., salvo os antigos empregado do Totta abrangidos pela Caixa de Previdência do ex-Grupo CUF, que veio a ser integrada no regime geral), quando essas pensões foram calculadas numa base anual discricionariamente dividida em 14 prestações a que, abusiva e anedoticamente, passaram a chamar subsídio de férias ( a reformados????) e de Natal.

A CASA DELA

Tinham-nos dito que merecia a visita.
Fomos e voltámos pouco entusiasmados com o que vimos.
Construído entre entre 1864 e 1869, O chalet da Condessa d´Edla, na zona ocidental do Parque da Pena, segundo o modelo dos chalets alpinos, então em voga na Europa, foi praticamente todo devorado por um incêndio em 1999, quando, após anos e anos de abandono, se encontrava à mercê de marginais que, por descuido ou malvadez, lhe pegaram fogo. 

O edifício, que se encontra ainda em fase de recuperação (complicada) dos interiores, recuperação essa que
de que site  site dá uma razoável ideia, poderia ser uma curiosidade histórica arquitectónica a decorar os amores de Fernando II e Elise Hensler, após completada a reconstrução será quase só uma réplica do chalet destruído.

Valerá o preço da reconstrução medido em termos de interesse cultural e turístico? Salvo a recordação do passado a excitar a curiosidade de voyeur, quando a reconstrução estiver concluída, terá tanta valia como qualquer reconstrução de raíz de qualquer outro edifício artisticamente secundário de um passado relativamente recente por onde tenha passado a realeza.

Como nota negativa refira-se a contrução de casas de banho logo à entrada do chalet, com design e decoração dos dias de hoje. É chocante o constraste. Mas é também completamente despropositado: mesmo ao lado há duas construções, uma recente (que deve ter sido montada para servir de bilheteira), outra antiga (que serve de bilheteira) onde teria sido possível instalar os sanitários públicos.
A solução adoptada é uma aberração total.

Friday, October 14, 2011

E O OURO?

Ouço comentadores de todos os quadrantes a discorrer sobre as desgraças que se abateram sobre este País, e o tempo que levámos a dar conta que elas pairavam sobre nós, e a tentarem descortinar saídas do labirinto  porque os (ao que parece) inevitáveis castigos previstos não permitem, antes pelo contrário, vislumbrar qualquer luz ao fundo.

E volto, mais uma vez, a perguntar-me: E o ouro? Por que é que ninguém fala do ouro?
Há impedimentos para a sua venda, já se sabe. Mas por que é que não é negociada a sua transferência para o BCE sem passagem pelo mercado?
Vale pouco?
Vale muito. Vale mais que os 12 mil milhões previstos no acordo com a troica para a recapitalização dos bancos e que, às cotações em bolsa actuais, poderiam comprá-los todos.

Faz algum sentido que um país afogado em dívidas continue com reservas em ouro tão (relativamente) elevadas? 

Ocorre-me sempre a mesma imagem: A dos imigrantes de leste a esmolarem em Lisboa exibindo um sorriso de dentadura dourada.

Ou será que já o levaram e não me disseram nada?

ANTES E DEPOIS

Os rendimentos de 15 politicos portugueses antes e depois de passarem pelo governo
Gráfico interactivo aqui.
(Expresso online de hoje)

Trata-se de uma short list que, por ser tão curta, induzirá no mirone menos precavido a ilusão de que, afinal, são poucos os que aproveitaram as cadeiras do poder para treparem para patamares de rendimentos muito mais altos. Mas é pura ilusão porque a lista é longa até porque muitos nem sequer exerceram alguma vez funções de governo.

Por outro lado, se os corredores do governo encaminham geralmente para saídas rendosas, não pode pretender-se que a passagem pelo executivo dê para um purgatório. Como reduzir, já que eliminar é impossível, a promiscuidade entre poder político e poder económico? A redução da presença do Estado na economia reduz o número de vagas geralmente preenchidas por filiação partidária. Mas é uma legislação menos complacente do financiamento dos partidos políticos que minimizará a captura do poder político pelo poder económico.

Porém, da esquerda mais esquerda à direita mais direita, a disposição para legislar de modo a tornar público quem e quanto financia quem continua a não passar de boas intenções.  

Thursday, October 13, 2011

SORDIDEZ EM TEMPOS SINISTROS

Na Estónia em 1952 e 1992.
No Teatro Aberto.
Encenação de João Lourenço

BAD BLANK

Leio e releio este teu comentário e não entendo como é que se transferem créditos sem que alguém os pague. Pago eu, pagamos todos os que nada devemos a ninguém?

Cito-te: "...a ideia de criar o tal veículo ou Banco, para onde sairiam as dívidas do sector público, libertando fundos para a economia real..." (aqui)

Sairiam, como? Deixariam de fazer parte dos balanços dos bancos por contrapartida de quê?
Por contrapartida de uma (bad) participação financeira no tal bad bank, reduzindo disfarçadamente o montante do crédito concedido?

E as margens conseguidas ao longo dos anos com a intermediação desses empréstimos continuariam embolsadas pelos bancos?
Grande negócio!!!

Caro António,

Os banqueiros fizeram trinta por uma linha e agora, de calças na mão, pedem socorro. O habitual.
O "moral hazard" sem tirar nem pôr. Realizaram lucros proclamadamente fabulosos, embolsaram prémios, bónus e outras formas de embolsar e agora, que a maré baixou e o lodo tresanda, querem que os desatasquem.

Não tenho dúvidas que não temos alternativa senão pagar por isso e a carga fiscal (que tu tanto abominavas mas que teria sido preventiva), aí está, pesada como nunca.

Era bom que trocássemos umas ideias acerca do assunto.
É tempo de prestação de contas neste País que estiola à míngua de justiça.

Os casos BPN, BPP onde páram?
A operação furacão por onde anda?
Quem, na Caixa, concedeu o crédito para fins especulativos a Berardo e outros compadres?
A quanto montam as dívidas duvidosas aos bancos por créditos a compras de acções outros títulos?
Quantos milhões se encontram aplicados em offshores pela banca nacional?
Por que não intervêm os bancos no repatriamento dos fundos em fuga aos impostos?
Por que não reforçam os banqueiros os capitais próprios dos bancos com as remunerações soberbas (mas afinal ilegítimas) de que se apropriaram promovendo operações incobráveis?

Etc, etc., etc.

Ontem afirmava um banqueiro (por sinal aquele que ainda me merece algum respeito) que há uma "pobreza intelectual" por parte de quem devia decidir a tempo e não decide, e atirava-se à Comissão Europeia e ao FMI. E isto porque os banqueiros são rápidos e os políticos lentos. Pudera: os banqueiros contam sempre com a rede "moral hazard"!

Só que, caro António, eles sabiam, eles tinham obrigação de saber que a rede por vezes, quando os tombos são fortes e frequentes, cede e abre buracos. Quando aquele mesmo banqueiro (que, repito, é o que me merece ainda alguma confiança) fala em pobreza moral, de que falará ele se o confrontarem com o facto de ter intermediado empréstimos à Grécia que custarão ao banco (ele o confirmou) entre 300 e 500 milhões?

Ele não sabia para onde ia a Grécia? Foi a primeira vez que ocorreram problemas de insolvência de dívidas soberanas? Carmen Reinhart e Kenneth S. Rogoff, em "This Time is Different" incluem uma lista longa que eles não desconhecem.

Voltando ao bad bank.
Com ele ou outra "inovação financeira" qualquer (sempre que há inovação financeira alguém vai ser enganado) não nos livramos de pagar a conta. O que deveríamos, no mínimo, exigir, se fôssemos um país de gente colectivamente consciente, era que a factura fosse discriminada e fazer pagar algumas das parcelas a quem comeu o que nós vimos comer.

Wednesday, October 12, 2011

QUEM SABE FAZER, FAZ

O sociólogo que participou no programa a que me referi no apontamento de ontem, aqui, repetiu uma afirmação frequente: "Em média, os empresários portugueses têm menos habilitações (literárias, oficiais, se bem se entende o sentido da afirmação) que as dos seus empregados" .Verdadeira ou não, nunca a vi contestada mas também nunca lhe vi mencionada a fonte. Admitamos que tem fundamento.

E então, senhor sociólogo, e todos quantos afirmam o mesmo, que fazer? Irradiam-se os que não fizerem prova de diplomas pelo menos equiparados aos seus colaboradores? Enviam-se a campos de reeducação e submetem-se a provas? Proibe-se a entrada a futuros candidatos que não apresentem certificados adequados? Impedem-se os actuais e futuros empresários de admitirem colaboradores com habilitações superiores às suas?

Que habilitações?

Bill Gates e Steve Jobs, dois nomes marcantes do avanço tecnológico e científico nas últimas décadas, por exemplo, não concluiram cursos superiores e admitiram milhares de engenheiros e cientistas altamente academicamente qualificados. São excepções? Vamos então aos valores médios.

É por demais evidente que a Universidade em Portugal foi, e em certa medida ainda continua a ser, castradora do emprendedorismo. Com um canudo, ainda que rafeiro, o licenciado prefere a segurança de um emprego na função pública ou numa actividade privada que arriscar empreender num negócio. Já dediquei ao assunto alguns apontamentos neste bloco de notas. Em muitos casos, o empresário em Portugal, tornou-se empresário à força por  falta de habilitações que lhe garantissem o sossego de um emprego. 

O senhor sociólogo pertence, certamente, ao primeiro grupo e, provavelmente, faltar-lhe-iam capacidades (habilitações, portanto) para pertencer ao segundo. 

Se um indivíduo ou um conjunto deles tem habilitações (literárias) superiores aquelas detidas pelo empresário para quem trabalha, este tem certamente capacidades (outras habilitações) que os seus empregados não dispõem, caso contrário inverter-se-iam os papeis e seria empresário quem mais habilitações literárias tivesse. 

Um questão menor? Não é.
E não é porque é esta perspectiva vesga de ajuizar em função de diplomas e não de resultados que continua ainda a comandar o comportamento dos portugueses em geral.  

Tuesday, October 11, 2011

A ARTE DA FUGA PARA O LADO

"Austeridade não basta" foi o tema do Prós e Contras de ontem à noite. Que, como é habitual, terminou cerca da uma da manhã. E continuo a perguntar-me: Quem vê aquele programa até ao fim, a que horas se levanta na manhã seguinte, a que horas começa a trabalhar, com que resistência física e psíquica enfrenta o dia de trabalho? Se a intenção do serviço público da RTP, que custa milhões aos constribuintes, ao colocar o programa aquelas horas, é entorpecer os trabalhadores portugueses, o objectivo é seguramente atingido.

Dos seis convidados para o painel de comentadores, destacou-se pela clareza dos argumentos e pela serenidade convicta das suas intervenções o dr. Manuel Pedro de Magalhães, cirurgião, presidente do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa. Disse algo de novo? Não disse. Mas o que disse só não convenceu quem, por razões de enquistamento ideológico ou exibição mal disfarçada de galões académicos, não quis entender.

E o que disse, no essencial, o cirurgião: Que a alternativa a austeridade é produzir mais e melhor. Elementar, portanto. Se não podemos desvalorizar a moeda nem reerguer as barreiras alfandegárias, não temos alternativa senão, para já, trabalhar mais horas.Tal ideia ainda há dias foi relançada por uma intervenção de Campos e Cunha, que comentei  aqui. O contraditório que se seguiu foi, geralmente, decepcionante.

Dos três economistas de serviço, dois professores universitários, um discordou, porque, dizia ele, não tinha horário de entrada e saída e trabalhava muito mais horas do que aquelas que a lei determina. Como se a economia fosse um conjunto de professores de economia com horário livre. Outro, Pedro Lains, posicionou-se na tese que defende há muito: Deixem-se de iniciativas, isto vai aos eixos é uma questão de tempo, o nosso futuro aos outros pertence, somos periféricos nunca seremos ricos como os do centro. Isto não é, nunca foi nem nunca será outra Suiça. O terceiro, professor de marketing, recomendou aos jovens que  façam o que houver para fazer e não aquilo que um dia pensaram que queriam fazer.

O psicólogo recomendou uma terapêutica de confiança mas não disse quem administrará o elixir nem como é que ele se toma. O sociólogo atirou-se aos empresários (em média, mais ignorantes que os trabalhadores que os aturam), em resumo: os ricos que paguem a crise.

Intervieram ainda quatro convidados sentados na plateia: um, ex-quadro da Jerónimo Martins (um grupo fantástico, uma escola a valer) que trocou a condição de empregado com um futuro auspicioso pela de empresário na área da panificação. Tem sido bem sucedido mas é grande a dificuldade para recrutar pessoal capaz e permanente. A maior parte dos candidatos apresenta-se para obter o carimbo de que se candidatou e apresentá-lo na Caixa para renovação do subsídio de desemprego, a rotação é enorme porque trabalho não é propriamente emprego, custa-lhes até esboçar um sorriso para os clientes.

O segundo, professor, trabalha há vários anos a recibos verdes, ao ouvir o anterior disse pensar estar noutro planeta mas acabou por dar recomendações aos desempregados que ele, pelos vistos, não sabe praticar.

Os restantes dois falaram deles, uma bióloga que se passou para a área da motivação pessoal. Motivada como anda,  disse que está sempre a trabalhar, salvo enquanto dorme, mas não apoia o aumento de horas de trabalho. O quarto, já era tarde demais para perceber onde ele quis chegar.

Em conclusão: salvou-se o cirurgião mas não se salva este país onde a propensão para a divagação afasta quaisquer hipóteses de construir alternativas para a austeridade.
Como concluiram, sem apelo nem agravo, dois dos economistas: estamos condenados a ser pobres.
Pelo menos enquanto não mudarmos de economistas quem quiser livrar-se deste fado escape-se o mais rápido que puder.

Monday, October 10, 2011

NÃO ME APRESENTEM MAIS CONTAS DOS BANQUEIROS

Dexia nacionalizado. Será esta a solução para a banca portuguesa?, pergunta Luciano M.

Se vier a ser, não deveria ser.
Mas não é improvável que o que não deveria acontecer venha a acontecer. A situação está demasiado enevoada para se perceber em que coordenadas se move a jangada.
De qualquer modo, a intervenção do Estado português na banca está, para já e ainda sem luz verde, limitada no plano da troica a 12 mil milhões de euros. A nacionalização tout court seria uma tragédia porque transferiria para os contribuintes responsabilidades insuportáveis. Sem qualquer vantagem: Se, por hipótese que se pretende muito remota, ocorresse uma corrida aos bancos, o Governo português não teria quaisquer hipóteses de a suster sem o auxílio do BCE. Assim sendo, é bem melhor que com o BCE se entendam os bancos. 

Um dos problemas gordos da banca portuguesa (e não só) são os créditos concedidos ao Estado, empresas públicas e administrações locais e regionais. Andaram os banqueiros anos e anos a lamberem-se de gozo com as comissões, que lhes garantiam honorários e bónus imparáveis, nos empréstimos ao Estado e entidades correlativas. Logo, parece fazer muito pouco sentido tomar o Estado conta dos seus credores precisamente porque não lhes paga.    

As dívidas ou se pagam ou se reestruturam. Passá-las para um "veículo financeiro" como pretendem os bancos, segundo o Expresso/Economia de sábado passado, não as levará a lado nenhum. Podem driblar as regras mas não extinguem os ónus.  

Mas mais: Há nos bancos (incluindo a Caixa) duas actividades distintas: Uma é a banca propriamente dita, de depósitos e empréstimos para operações não especulativas; outra, dita de investimento, mas que seria mais apropriado chamar-lhe de casino, que se dedica à intermediação de negócios meramente especulativos.
Ora já nos estão a apresentar a factura de fraudes feitas ao abrigo desta última condição no BPN e BPP. Chega, não?

Se o Governo quiser intervir na reestruturação do sector em Portugal faça saber que os contribuintes portugueses não estarão dispostos a continuar com a rede do "moral hazard" estendida para todos os exercícios  de inovação financeira que mais não são do que operações de onde os inovadores retiram os lucros e mandam a conta das perdas a nossas casas.

Para já deveria fazer o spin off da actividade de casino que existe na Caixa e vendê-la ao melhor preço. Pouco que dê é melhor que nada e deixa o Estado de ser dono de um casino que quando vai à glória quem também paga sou eu.  O que, como é evidente, me chateia.

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Corr. Grécia nacionaliza banco suspeito de branqueamento de capitais.
Se há suspeitas deveria averiguar e mandar prender os branqueadores se as suspeitas se confirmassem.
Se a moda pega ...

ORQUESTRA MUNDI

Enviado por Humberto A.

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2539741

"Raramente recebo algo tão belo e comovente ... e tecnicamente fora das normas. Quero-vos simplesmente dizer que esta realização supera todas as mensagens universais. Em/ "Stand by me" /, nada se compara! ... existem apenas ilustres desconhecidos repletos de talento e boa vontade e nada mais o que este clip certamente reportara de essencial.Quanto à equipa de jovens técnicos de imagem e som que conseguiram esta proeza, espero que tenham encontrado um mecenas, porque tudo isto tem um custo certamente grande, mesmo só para viagens. Do ponto de vista técnico é o sonho absoluto.A imagem é em tela cheia (não se esqueça de aumentar a janela para o máximo) e a qualidade do som e da profundidade que capta, especialmente se você ouvir com auscultadores (caso contrário, aumentar o volume aos alti-falantes para tirar o máximo partido da qualidade). Clique no triângulo para começar na parte inferior esquerda *.Principalmente, olhar para a parte inferior da imagem * * onde aparece o cantor ou músico e o país de origem desta quase improvavel orquestra. Esta é a parte mais emocionante deste momento privilegiado *.Boa audição."

Sunday, October 09, 2011

IMPAGÁVEIS


Clicar nas imagens para as aumentar

Há umas semanas atrás coloquei aqui a fotografia da esquerda, enviada pelo Humberto. Mas não sabia de que espécie se tratava embora, aparentemente, me parecesse um pombo, estranhamente verde.  
Parece ser uma pomba-verde-de-peito-laranja. Voa na Ásia. 

Pedi a quem sabe, também disto, mais que eu que me identificasse a espécie da comovente ternura.

Demorou a chegar a resposta, mas chegou na forma de comentário ao referido apontamento. Obrigado, Pedro.

Juntamente com o esclarecimento fui contemplado com mais quatro exemplares de situações semelhantes, que reproduzo, com execepção da Batuíra Melodiosa cujo autor não consente cópias mas pode ser vista clicando aqui


Cisne

Marganso grande
Alfaiate

EM VEZ DE

Suspeitei das virtudes da redução da TSU desde que a ideia começou a ser debatida. Coloquei aqui as minhas dúvidas registando neste caderno o comentário colocado aqui, e voltei ao tema várias vezes reforçando as razões dessas dúvidas. Outras opiniões abalizadas (p.e., a que referi aqui) não me convenceram e, entretanto, no coro contra a medida aumentou o número de vozes. Não porque suponha que a redução da TSU seria inócua mas porque os efeitos seriam ténues e a sua aplicação susceptível de aproveitamentos pouco sérios. Recentemente, a troica admitiu informalmente aceitar a troca por outra medida com efeitos equivalentes.

Há dias, ouvi na rádio Campos e Cunha defender uma medida alternativa para aumentar a competitividade das empresas, medida essa, aliás, já sugerida anteriormente por outros economistas: o aumento temporário das horas trabalhadas, por aumento do horário diário, por redução do número de feriados, por redução do número de dias de férias. Resultará?

Em princípio, sim. Um aumento do horário de trabalho é equivalente à redução do salário horário. Se o entrave ao nosso crescimento económico é a falta de competitividade, se a produção aumenta e os custos do trabalho se mantêm os custos unitários reduzem-se, e a competitividade aumenta.

Mas, obviamente, não aumenta em todos sectores na mesma proporção e pode mesmo não aumentar se existir um bloqueamento técnico ou comercial à capacidade produtiva: ou porque não é possível produzir mais porque o aparelho técnico está no limite de utilização das suas capacidades ou porque não há procura para a produção adicional. De qualquer modo, o resultado final seria, certamente, mais positivo que a redução da TSU, do meu ponto de vista.

Tem um obstáculo difícil de ultrapassar: a receptividade por parte da população activa e a oposição dos sindicatos, do PCP, do BE, e, muito provavelmente, do PS . Cavaco Silva teve um dia a bizarra ideia de querer recolocar a terça-feira de Carnaval na sua condição oficial de dia de trabalho, e foi amaldiçoado pela generalidade dos portugueses. Mais recentemente, Sócrates pretendeu que os agentes  justiça passassem a trabalhar mais, reduzindo-lhe as férias de três meses, e teve de recuar porque, além do mais, até o PSD e CDS se lhe atravessaram no caminho com acusações de falta de consideração pelos juízes. 

Não há, então, nada a fazer? Haver, há. A redução dos salários reais e nominais já está a acontecer, o tempo encarregar-se-á do resto, colocando, no entanto, o nível de vida dos portugueses num patamar cada vez mais baixo. 

A menos que a troica venha um dia destes a impor outras medidas, parece provado que, por nós mesmos, não seremos capazes de descortinar outros caminhos para a competitividade. Depois queixamo-nos da perda de soberania.

Saturday, October 08, 2011

COM PÊLO DO PRÓPRIO CÃO

Interessante este apontamento de John Huffstot no blog da Sedes, a divulgar um documento sobre uma forma inédita de privatização da indústria siderúrgica brasileira no começo dos anos 90: o pagamento foi feito com títulos da dívida pública.

Tem vantagens na actual situação de necessidade, em tempos de mercado deprimido, de privatizações em Portugal?
Pode ter. É uma questão de as procurar.

COMO EVITAR UMA GUERRA

Num apontamento que li aqui soube de um colóquio realizado em Castelo Branco acerca da reorganização administrativa do País e das suas implicações no despovoamento do interior, comentei:

"Como é que a existência de uma Junta de Freguesia pode contrariar o despovoamento do interior?
Se pudesse não se teria observado o despovoamento que a reportagem relata.
Ou não?

A propósito: Quantas vezes na sua vida recorreu à sua Junta de Freguesia? E familiares seus, amigos, conhecidos? Tem uma ideia?"

Acerca deste e de outros temas com ele correlacionados já coloquei neste bloco de notas mais de uma vintena de apontamentos sobre juntas de freguesia e mais de uma centena sobre câmaras municipais, que podem ser lidos clicando nas etiquetas respectivas colocadas abaixo. 

Muito resumidamente: As Juntas de Freguesia deveriam ser todas extintas e criados novos órgãos em igual número com atribuições de representação dos interesses dos moradores nas assembleias municipais deixando se ter funções de gestão de obras e serviços. Os seus membros seriam eleitos nos mesmos termos em que o são os membros das actuais juntas de freguesia, e exerceriam os cargos gratuitamente.

Nas Câmaras Municipais, continuariam com o mesmo número de vereadores mas estes deixariam de ter funções executivas, não seriam remunerados, excepto o presidente que seria também presidente de uma comissão executiva que integraria os directores de serviços. 

Friday, October 07, 2011

FUNCHAL

"O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, construída por náufragos.

Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim as rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa dois peixes, segundo uma antiga receita da Atlântida, pequenas explosões de alho.

O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.

Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos animais, bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas coisas juntos, lembramo-nos disso, horas em que também de pouco ou nada servíamos ( por exemplo, quando esperávamos na bicha para doar o sangue saudável – ele tinha prescrito uma transfusão). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se não nos tivéssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos – mas eles não nos esqueceram!

Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de um mosaico desordenado.

E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o mosaico nasce.

Ele espera por nós. Do cimo da parede, ele ilumina o quarto de hotel, um design, violento e doce, talvez um rosto, não nos é possível compreender tudo, mesmo quando tiramos as roupas.

Ao entardecer, saímos. A poderosa pata, azul escura, da meia ilha jaz, expelida sobre o mar. Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados amigavelmente, suaves controlos, todos falam, fervorosos, na língua estranha. “ um homem não é uma ilha.“ Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio de nós mesmos. Por meio daquilo que existe em nós e que os outros não conseguem ver. Aquela coisa que só se consegue encontrar a ela própria. O paradoxo interior, a flor da garagem, a válvula contra a boa escuridão.


Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante que propaga o silêncio.

Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. Um livro que só no escuro se consegue ler."

Tomas Tranströmer - Nobel da Literatura 2011

(Tradução Sueco-Alemão, Hans Grössel/ Tradução Alemão-Português, Luís Costa)


c/p aqui

O JOGO DA CABRA CEGA

Como se esperava,
Processo contra antigos gestores do BCP foi anulado
Como é custume,
Banco de Portugal vai recorrer
E, no fim,
nada acontece.

Trailer de um filme em exibição permanente à sua volta.

Thursday, October 06, 2011

O ZÉ MANEL

Durão Barroso logo que viu uma oportunidade para sair do pântano, que Guterres disse querer evitar, e se achou no meio de uma economia de tanga, agarrou-a com ambas as mãos e entregou a tanga a Santana Lopes, que, como seria de esperar e Durão tinha obrigação de saber, deu de lado em pouco tempo. O que veio a seguir só lhe deve ter reforçado a opinião que tinha feito uma brilhante troca.

Durante o primeiro mandato, agradou o suficiente para conseguir os votos para ser reeleito. A Comissão continuava a desempenhar os mínimos que lhe consentiam, o presidente Jose Manuel Barroso se não deslumbrava fazia o que lhe mandavam. Até que chegou o tsunami financeiro que pôs a descoberto as fragilidades das economias periféricas e a ganância do banqueiros que lhe financiaram os vícios, colocando a União Europeia, e, particularmente a Zona Euro, numa encruzilhada coberta  de nevoeiro cerrado, e no meio da cerração, entre outros, o Zé Manel.

Die EU braucht eine Wirtschaftsregierung!, (A UE precisa de um governo económico!) ouve-se e percebe-se que é a Ângela quem ordena. 
Reponde o Zé Manel: A Alemanha é o exemplo a seguir na Europa a nível económico mas, a nível de competências é o seu executivo (entenda-se, a Comissão Europeia) "o governo económico da Europa" .

E lá continuam na encruzilhada cerrada: A Ângela não diz que governo económico quer, o Zé Manel diz que governa mas não sabe o quê.

Wednesday, October 05, 2011

O CHANTAGISTA, OS INCOMPETENTES E OS PUSILÂNIMES

Ainda que haja quem garanta que o Alberto João já não conta, as sondagens dão-lhe vitória absoluta, e o mais provável é que acertem. Como dizia há dias Silva Lopes, se fosse madeirense provavelmente também votaria nele. As pessoas movem-se por incentivos e a grande maioria dos madeirenses neste momento tende a evitar que lhe caiam em cima os custos das responsabilidades que individualmente não assumiu e, a esmagadora maioria delas, até desconhecia. E essas pessoas, empregadas ou dependentes dos serviços do governo da Madeira, sabem que é o Alberto João quem melhor pode defendê-las agora de uma razia aos seus vencimentos ou rendimentos.

É fácil perceber porquê.

É desde há muito tempo muito claro que a força do  Alberto João, que lhe tem permitido perpetuar-se no poder e poder vir a bater o recorde de Salazar, assenta em três grandes capacidades: para obrar, para intimidar, para aldrabar. Sabe-se que a grande capacidade de obrar do AJ favoreceu uma rede de amigos que lhe fizeram as obras, que lhes encheram a burra e arregalaram o olho de madeirenses e visitantes.

Para obrar o que obrou, AJ precisava de mais dinheiro do que a aquele com que poderia contar se fosse bem comportado. Para ultrapassar a barreira da legalidade, AJ usou dois trunfos: o da incompetência (ou da conivência) dos supervisores das contas, e aldrabou-as, e o da pusilanimidade dos chefes governos da República, da pusilinamidade-conivência do PSD e dos PR.  Quando a maré de desconforto subia para além do que era razoavelmente justificável, o AJ e a sua trupe arvoravam o espantalho da independência da Ilha e voltava o silêncio.

E agora, Pedro Passos Coelho?

Agora, que a insolência do AJ recrudesce mas não há dinheiro para mais demagogia (nem na Madeira nem no Continente) o que farás se o dono da Ilha se recusar a acatar as determinações do Governo da República e a berrar contra o neocolonialismo? Cortas-lhe a mesada ou recuas como todos recuaram até hoje? Esperamos que lhe cortes o gás e o deixes espernear. Se ele convocar a revolta, manda restabelecer a ordem com os meios necessários. Há momentos na História em que o precipício fica na retaguarda.

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Alguns, geralmente ligados aos partidos que suportam o actual Governo,  persistem em querer atenuar os
desmandos do Governo da Madeira invocando os do Governo da República. Acontece que o anterior Governo da República foi politicamente julgado e condenado à oposição. Na Madeira, por força de um ambiente que não consente oposição vencedora, AJ será presidente do GRAM enquanto quiser, independentemente das aldrabices que tiver cometido ou vier a cometer.    

Tuesday, October 04, 2011

PARA LÁ DA CRISE FINANCEIRA

No mesmo dia que os ministros das finanças do  Ecofin adiavam a decisão de entrega da próxima prestação do contrato de resgate, o Governo grego fez saber que, afinal, tem dinheiro até meados de Novembro.

Sabe-se que os gregos têm uma péssima relação com as contas de somar (não só os gregos, reconheça-se), e parecem esquecer-se que têm à perna uma coisa recentemente inventada chamada troica. Até hoje, clamava desde há algumas semanas que não tinha com que pagar a funcionários e a fornecedores depois dos primeiros dias de Outubro; agora, talvez porque alguém os obrigou a reverem as contas erradas, admitem ter folga para mais um mês. Também recentemente passaram a admitir que não irão cumprir os objectivos assumidos no compromisso de ajuda externa. Mas, neste caso, muito provavelmente acertam.

É neste contexto de suspense em que a  frieza lenta da decisão da troica se confronta com a renitência grega
que as bolsas se afundam e os juros voltam a escalar os limites dos créditos incobráveis. 

Para lá  do risco sistémico que um default da dívida soberana com consequências incalculáveis poderia provocar junta-se o risco político. Entregue à sua sorte e ao caos superveniente, a Grécia poderia ser o primeiro palco de um golpe militar num país membro da UE e da NATO. Culturalmente, na opinião de Huntington, mais próxima da Rússia que dos EUA (segundo inquérito recente os gregos são maioritariamente anti norte-americanos), a saída da Grécia do euro e da União Europeia dificilmente deixaria de por os gregos debaixo de outras asas militares.

Os gregos sabem disto, e essa é uma das razões por que erram tantas vezes as contas de somar.

Monday, October 03, 2011

PORTUGAL AO NATURAL

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O presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, disse ontem no programa de Marcelo Rebelo de Sousa que a situação das Misericórdias Portuguesas é dramática porque sendo alarmante o crescimento das pessoas que são obrigadas a recorrer à sua ajuda, escasseiam os apoios e o Governo não paga as contribuições acordadas desde Maio.

Com tanta gente escandalizada com a decisão de Nuno Crato de terminar com a atribuição de 500 euros a cada melhor aluno da sua classe no ensino secundário, que dizer da apatia com que estes escandalizados reagem aquele escândalo?