Wednesday, August 10, 2011

TASCAS & Cª.

Vale mais fechar a tasca?
Algumas tascas, talvez muitas tascas, irão fechar.

Porque, Caro ZP, é pouco simpático dizê-lo, mas a verdade é que há tascas a mais.

Está dito e e redito, não consigo acrescentar mais nada de relevante, que durante mais de uma década não soubemos ou não quisemos adaptar-nos à coabitação com uma moeda forte. Resultado: Floresceram os negócios de import, cairam ainda mais os de export.

O mesmo é dizer que pedimos fiado para ir à tasca, as tascas cresceram, até ao dia em que nos disseram: agora acabou-se o crédito.

A banca tem, aqui como em quase todo o mundo ocidental, grandes culpas no cartório. A gula do lucro imediato, dos honorários galácticos, dos bónus estratosféricos, levou-os a abrir as torneiras para onde julgavam ser nais rentável e seguro: O Estado, as construtoras, as telecomunicações, os centros comerciais, .... e as tascas.

Estava mesmo a ver-se que o sistema ia dar com os burrinhos na água. Só não viu quem não quis ver ou é cego. Agora, bate chapas e tinta Robbialac, dizia o anúncio antigo. Há que reparar os estragos, e, estes estragos custam caro.

Aumentar o IVA reduz o poder de compra (é inevitável, é doloroso mas é inevitável),  torna as importações mais caras (absolutamente necessário).

Por outro lado há que discriminar positivamente os sectores transaccionáveis, não porque os outros sejam paralelos ou criminosos (alguns serão) mas porque foram privilegiados durante estes últimos doze anos, crescendo na medida em que minguaram os transaccionáveis.

Discriminar, como? Tenho as maiores dúvidas do efeito da redução da TSU. Eu nunca iria por aí. Mas se a troica obriga, ou se arranja alternativa aceitável ou não há moeda de troca.

Por mim, já apontei no meu caderno várias vezes, actuava onde a economia é governada: nos bancos. A Caixa poderia ter um papel importante nesta matéria. Não tem tido. Tem-se limitado a seguir o rebanho.
Aliás, para fazer o que tem feito, mais valia que a Caixa fosse vendida.

Se não tivessemos a Caixa talvez não tivessemos que pagar os quatro ou cinco mil milhões do roubo no BPN.

É muita massa, caramba!
E quase não se fala disso. Num país consciente, o caso BPN provocaria uma revolução.

O FRANGO SUÍÇO - 2

Como ia dizendo ...

Franco suíço não pára de atingir recordes face ao euro e dólar, ameaçando a evolução da economia.

O banco central da suíça anunciou novas medidas para travar a escalada do franco suíço contra o dólar e o euro, afirmando que a moeda regista uma “sobrevalorização massiva”.

A autoridade monetária decidiu “aumentar de forma significativa” a injecção de liquidez no mercado monetário e aumentar os depósitos dos bancos de 80 para 120 mil milhões de francos suíços.

Vai também efectuar operações de troca de moeda para criar liquidez no sistema financeiro, uma medida a que já não recorria desde 2008. Com a crise de dívida na Europa e o corte de “rating” dos Estados Unidos, os investidores estão a refugiar-se nos activos vistos como mais seguros, como é o caso do franco suíço.

Apesar de as taxas de juro estarem já em zero e o banco central ter tomado medidas, o franco suíço continua a atingir recordes. Os responsáveis da autoridade monetária já classificaram a valorização da moeda como “absurda”, avisando que não será tolerada.

“A sobrevalorização massiva do franco suíço representa uma ameaça para o desenvolvimento da economia suíça”, afirmou o banco central em comunicado, citado pela Bloomberg, acrescentando que, “se for necessário, tomará mais medidas contra a alta do franco suíço”.

O franco suíço está hoje a recuar face ao euro, com cada moeda europeia a valer 1,039 francos suíços. No dia 1 de Agosto eram precisos 1,15 francos suíços para comprar um euro.

 c/p aqui

Tuesday, August 09, 2011

O FRANGO SUÍÇO

O Economist propôs, há alguns anos já, uma medida de avaliação do sobrevalorização/subvalorização das moedas com base no preço do BigMac. Eu proponho, a partir de hoje, o frango. Uma medida mais abrangente porque acredito que, apesar da popularidade do BigMac, o frango é apreciado pela maior parte da humanidade. Eu estou do lado da minoria, a minha análise não será distorcida pelo meu apetite.

O preço do frango (peito sem osso e sem pele, biológico, custa hoje, na área de Washington $ 15,45/kg, ou seja cerca de 11 euros por quilo. Em Lisboa, no Continente está anunciado o mesmo produto, aqui, a € 8,40/kg. Em Zurique, no início deste mês era de € 21,84/kg  aqui. Atendendo, contudo, que nos últimos 8 dias o euro desvalorizou 8% relativamente ao franco suíço, o frango suíço deveria estar a custar a esta hora (dez da noite em Zurique) cerca de 23 euros por quilo.

Considerando a paridade do poder de compra em cada um dos locais, tomando o preço do frango como unidade de medida da valorização/desvalorização das três moedas, o câmbio do euro/dólar em Washington e Lisboa estarão alinhados, já o franco suíço estará sobrevalorizado em cerca de cem por cento!

Chegará aonde o preço do frango suíço?
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Para a história do frango suíço, aqui fica a valorização do franco nos últimos doze meses contra as principais moedas. Cerca de metade desta valorização foi observada nas últimas três semanas e, muito mais acentuadamente, nos últimos cinco dias.

EUR : 36%
GBP : 43% 
USD : 46%
NOK: 36%
SEK : 35%
DKK:37%
CAD: 43% 
AUD : 34%
YEN : 31%
CNY: 40%
HUF: 33%
CZK : 33%

E ELE AINDA EXISTE?

volto a perguntar.

Já aqui anotei neste caderno algumas vezes a interrogação: Por que não se vende o ouro?
Não se pode, parece.
Pois façam que se possa, pôça!


E por que não, senhores, e por que não?
Agora que o ouro está no zénite. E se não está, ou não está perto, é porque não estaremos longe de uma catástrofe financeira global.
...
correlacionado - O ouro atinge um novo máximo histórico próximo dos 1800 dólares

NÃO PELOS PIORES MOTIVOS

Slithering to the wrong kind of union (c/p aqui )
By Otmar Issing

The crisis of European economic and monetary union seems to confirm a long-standing belief that monetary union cannot survive without political union. I belonged to a group that argued that the euro should have been preceded – or at least accompanied – by political union. Many observers are now interpreting the European Union’s manifold financial rescue measures to support Greece as a step in the direction of political union. Therefore, should people like me not be happy with this development?

In fact, the opposite is true. Connecting the initial idea of a political union with developments currently under way is both logically flawed and politically dangerous. In short: a consistent concept of a political union should be based on a constitution, and imply a European government controlled by a European Parliament, elected according to democratic principles.

What we see happening now is something quite different. More and more national taxpayers’ money is now at risk to “save” the euro. Yet the conclusion that this process is leading in the direction of political union is derived from the strict conditions imposed upon member states that broke the rules, in exchange for help – conditions which imply a kind of European control over elements of member state governments.

If these conditions do trigger reforms – which in many countries is long overdue – that would be welcome. However, the fact that a member country can be assured that its membership of the euro – even in the case of permanent violations of the rules – will be saved at any price causes moral hazard and creates an obvious potential for blackmail.

The decisions taken at the last European crisis summit on July 21 greatly extended the powers of the European Financial Stability Facility and brought new help for Greece. This increase European involvement in domestic policymaking. But this is not a move in the direction of a true political union. It is a dangerous step, and one which will end up dividing Europe.

Most observers rightly interpret this increasing shared fiscal liability as a step in the direction of a European common bond. The idea of issuing bonds which all member states of the eurozone guarantee insofar seems sensible, as it would immediately lower interest rates for the highly indebted countries. However, there is a problem too, given it would also lead to higher interest rates for those countries that enjoyed credibility with financial markets in the past. Those who claim that this effect would be small succumb either to an illusion or deliberately underestimate this risk. Considering the amount of debt which over time would become “common” for each country, it is hard to overestimate the interest risk for the hitherto responsible debtors.

A common bond would also immediately relieve some countries of their burden of a record of fiscal irresponsibility. A stronger case of free riding can hardly be imagined. Lack of fiscal discipline is rewarded, while fiscal solidity is punished. The implied transfer of taxpayers’ money would also take place without the involvement of national parliaments – a clear violation of the fundamental democratic principle of “no taxation without representation”.

Suggestions as to how one might control and limit the issuance of such bonds are unconvincing. Almost all treaties promising European fiscal discipline have been broken time and again. The worst example was delivered by France and Germany in 2002-03, when they violated the Stability and Growth Pact, and even organised a political majority against the application of its rules.

All efforts to strengthen the pact are of course highly welcome. However, the bad experience since the start of Emu, but also any analysis of the implied incentives in the political process, deliver a clear message: political control of national fiscal policies from the European level will always be compromised by different interests. The idea that a new European process to transfer taxpayers’ money that is neither democratic nor governed by principles that support fiscal solidity would move in the direction of political union is totally misleading.

Emu is based on rules enshrined in international treaties. The euro was created as a “depoliticised currency” – its stability entrusted to an independent central bank with a clear mandate to maintain price stability. Any attempt to “save” monetary union via agreements which transfer sovereignty to a European level, where violations of fundamental treaties have become a regular event, lacks any logic. In the end it will only further alienate the people from Europe itself.

A monetary union with a stable euro can only survive if central bank independence is fully respected. This implies that the European Central Bank abstains from fiscal policy actions. Yet to change the “no bail-out” clause ever more in the direction of a bail-out regime is not a step towards a democratically-legitimised political union. It is a move on a slippery road to a regime of fiscal indiscipline drowning hitherto solid countries in the morass of over-indebtedness.

This type of political union would not survive. Its collapse would be brought by resistance from the people. In the past cries of “no taxation without representation” have brought war. This time the consequence would be to threaten the collapse of the most successful project of economic integration in the history of mankind.

The writer is president of the Centre for Financial Studies and a former member of the European Central Bank’s executive board

Monday, August 08, 2011

PRECISA DE DINHEIRO?

"Precisa de dinheiro? Transfira-o para a sua conta até ao limite disponível do seu cartão! Exemplo: 1500 euros, 12 meses, TAN 23,20%, TAEG 23,1%. Ligue 21 350 15 00"  

Recebido hoje por SMS remetido por Cartão Unibanco.

A agiotagem continua a ser descaradamente promovida por bancos e unibancos.
Evidentemente que o alvo destas ofertas não são destinatários com as finanças equilibradas. Quem, na sequência da recepção de uma mensagem destas liga o número de telefone indicado está pelos cabelos. Se o negócio se concretiza, o mais provável é que o devedor fique com a sua vida ainda mais complicada.

Num país em que o Estado está afogada em dívidas e uma grande parte dos cidadãos está endividado acima das suas capacidades de solver os seu compromissos, estas propostas deveriam ser consideradas criminosas ou, pelo menos, objecto de contenção por parte do Banco de Portugal.

Estes mini contratos de crédito são o exemplo evidente do comportamento ganancioso da banca. O mesmo comportamento que, em larga escala, em macro contratos de crédito, levaram o País à ruina. A juros baixos que depois se tornaram sufocantes.

UMA QUESTÃO DE CRÉDITO

O Expresso entrevistou um ex-director adjunto do FMI para ouvir dele aquilo  que era mais que esperável que o oráculo ambulante dissesse: Que Portugal tem de sair do euro e quanto mais tarde o fizer pior. (aqui)
Já tinha dito o mesmo relativamente à Grécia (aqui), dirá o mesmo a propósito da Irlanda, da Espanha, da Itália. Há dois anos disse (isto) a propósito dos EUA. Merece crédito?

Há quem lhe dê, há quem não dê. Por exemplo, aqui, João Duque não dá. Eu também não dou. E não dou por algumas razões que Duque aponta, mas também por mais algumas outras. Penso, por outro lado, que a recorrente acusação de incompetência dos actuais líderes europeus, que Duque subscreve, é exagerada. Os líderes são pessoas, e estas, são elas e as suas circunstâncias, segundo o Filósofo. Duque, num excesso niilista de ocasião chega a estender aos europeus as culpas da crise em que a União Europeia se encontra mergulhada. Considerar que todos são culpados é desculpabilizar os principais responsáveis.
E quem são eles?
Os banqueiros. Foram eles que, sem cuidar dos riscos dos créditos concedidos, confiados na rede que os protege de se estatelarem (too big to fail), distribuiram crédito à tripa-forra porque isso lhes inchava os honorários e os bónus.
   
Os banqueiros desculpar-se-ão que acturam dentro do alargados limites que lhes concederam, o que é uma atenuante. Mas é uma atenuante cujas origens já deveriam ter sido removidas e ainda não foram. Até agora, as regras que consentiram o descalabro permanecem praticamente intactas.

Voltando ao ex-director adjunto do FMI, o oráculo não se engana mas quer iludir-nos. Como diz Duque, a saída isolada do euro seria uma desgraça. A nós compete-nos cumprir os compromisso assumidos com a troica e esperar que os grandes culpados sejam chamados a contribuir para a solução do imbróglio em que estamos todos metidos. Nós, e eles. 

Porque eles, os banqueiros, sabem que a crise de que tanto se fala não é propriamente uma crise da União Europeia ou do euro. O euro nos últimos doze meses ganhou cerca de 10% ao dólar e só perde, aliás como todas as moedas relevantes, para o franco suíço. A crise no fundo é uma crise por declarar dos bancos envolvidos. Um default da Grécia, por exemplo, terá consequências tremendas imediatas na teia de créditos entre os bancos europeus, e não só. 

Num aspecto o BCE é notoriamente culpado: O de não ter convocado os bancos e obrigá-los a apresentar uma solução para o problema que criaram. Até agora, todas as medidas tomadas têm-se voltado para os contribuintes. Ora os contribuintes são votantes e os políticos o resultado dos votos. Enquanto não for deslocado o foco para os principais responsáveis as discussões acerca da crise carecem de sentido prático.

Sunday, August 07, 2011

OUTRA RECESSÃO À VISTA, SEGUNDO ROUBINI

Mission impossible: stop another recession
By Nouriel Roubini

The first half of 2011 showed a slowdown of growth – if not outright contraction – in most advanced economies. Optimists said this was a temporary soft patch. This delusion has been dashed. Even before last week’s panic, the US and other advanced economies were odds-on for a second severe recession.

America’s recent data have been lousy: there has been little job creation, weak growth and flat consumption and manufacturing production. Housing remains depressed. Consumer, business and investor confidence has been falling, and will now fall further.

Across the Atlantic the eurozone periphery is now contracting, or barely growing at best. The risk that Italy or Spain – and perhaps both – will lose access to debt markets is now very high. Unlike Greece, Portugal and Ireland these two countries are too big to be bailed out.

Meanwhile, the UK has seen flat growth as austerity bites, and structurally stagnating Japan will recover for a few quarters – after double-dipping after the earthquake – only to stagnate again as the stimulus fizzles out. Even worse, leading indicators of global manufacturing are slowing sharply – both in the emerging economies like China, India and Brazil, and export-oriented or resource-rich countries such as Germany and Australia.

Until last year policymakers could always produce a new rabbit from their hat to trigger asset reflation and economic recovery. Zero policy rates, QE1, QE2, credit easing, fiscal stimulus, ring-fencing, liquidity provision to the tune of trillions of dollars and bailing out banks and financial institutions – all have been tried. But now we have run out of rabbits to reveal.

The misguided decision by Standard & Poor’s to downgrade the US at a time of such severe market turmoil and economic weakness only increases the chances of a double dip and even larger fiscal deficits. Paradoxically, however, US Treasuries will probably remain the world’s least ugly safe asset: risk aversion, equity declines and a looming slump could even see treasury yields fall rather than rise.

Fiscal policy is now contractionary in both the eurozone and the UK. Even in the US the issue is only the amount of drag, as state and local authorities, and now the federal government, cut spending, reduce transfer payments and (soon enough) raise taxes. Another round of bank bail-outs is politically unacceptable. But even if it were not, most countries, especially in Europe, are so distressed that their sovereign risk is actually leading to banking risk – as banks are loaded up with distressed government debt.

Hopes for quantitative easing will be constrained by inflation that is well above target levels across the west. The Federal Reserve will probably start a third round of QE, but it will be too little too late. Last year’s $600bn QE2 (along with $1,000bn of tax cuts and transfers) produced a growth bump of barely 3 per cent, for one quarter. QE3 will be much smaller, and will do much less.

Nor will exports help. All advanced nations need a weaker currency, but they cannot all have it together – if one is weaker another has to be stronger. This is a zero sum game which risks only the resumption of currency wars. Early skirmishes are beginning as Japan and Switzerland try to weaken their exchange rates. Others will soon follow.

So can we avoid another severe recession? It might simply be mission impossible. The best bet is for those countries that have not lost market access – the US, UK, Japan, and Germany – to introduce new short-term fiscal stimulus while committing to medium-term fiscal austerity. The US downgrade will hasten demands for fiscal reduction, but America in particular should commit to look for significant cuts in the medium term, not an immediate fiscal drag that will worsen growth and deficits.

Most western central banks should also introduce further QE, even though its effect will be limited. The European Central Bank should not just stop rate hiking: it should cut rates to zero and make big purchases of government bonds to prevent Italy or Spain losing market access – the outcome of which would be a truly major crisis, requiring doubling (or tripling) of bail-out resources, or debt workouts and a eurozone break-up.

Finally, since this is a crisis of solvency as well as liquidity, orderly debt restructuring must begin. This means across the board reduction on the mortgage debt for the roughly half of America’s households that are underwater, and bail-ins for creditors of banks in distress. Greek-style coercive maturity extensions, at risk free rates, must also come for Portugal and Ireland, with Italy and Spain to follow if they lose market access. Another recession may not be preventable. But policy can stop a second depression. That is reason enough for swift and targeted action.

The writer is chairman of Roubini Global Economics, professor at the Stern School, NYU and co-author of Crisis Economics

EU NÃO SOU EU NEM SOU OUTRO

Em Abril do ano passado o presidente checo foi rude e jocoso com Cavaco Silva, seu convidado, a quem recomendou, além do mais, não dizer a ninguém que Portugal tinha um défice orçamental superior ao da República Checa.
Cavaco fez-se despercebido e, já em Portugal, desdramatizou o incidente garantindo que Portugal não era a Grécia e, se as metas do OE fossem cumpridas, em 2013 o défice português seria inferior ao checo. 

Passou pouco mais de um ano e, há dias, Obama afirmava que os Estados Unidos não são nem a Grécia nem Portugal.

Os chineses que detêm cerca de 1,6 triliões de dólares em reservas e, muito provavelmente, mais fora da China, são os maiores detentores de dívida soberana norte-americana, na sequência do downgrade da Stantard and Poor´s, alertam mais uma vez os EUA para reduzirem a sua dependência do crescimento do défice e a retomar o princípio de bom senso que recomenda que não se viva acima das suas possibilidades.

Segundo a agência governamental chinesa, "A China, o maior credor da única superpotência mundial, tem todo o direito de, agora, exigir que os EUA resolvam os problemas estruturais que estão na origem do crescimento da sua dívida soberana e assegurem a estabilidade do valor dos activos  denominados em dólares"..." O governo americano tem de reconhecer que acabaram os bons velhos tempos em que podia obter crédito ilimitado" . Saliente-se que a agência de rating chinesa Dagong, fundada em 1994 para estabelecer o rating das empresas chinesas, mas não reconhecida pela U.S. Securities and Exchange Commission, tinha já notado a dívida norte-americana com A+ e reviu agora em baixa para A-. 

O Japão, o segundo maior credor dos EUA, tem opinião diferente: "A confiança e o interesse que tínhamos nas obrigações do tesouro americano não se alteraram em consequência desta acção (da Standard and Poor´s)".
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Amanhã, veremos onde param as modas.

AFIRMA KRUGMAN


The point here is not so much the $2 trillion, which makes very little difference to real US fiscal prospects; it’s the fact that S&P stands revealed as not understanding basic analysis of budget estimates. I mean, I don’t think I would have made that mistake; real budget experts, like the people at the Center on Budget and Policy Priorities, certainly wouldn’t have.

So what we just saw was amateur hour. And these people are pronouncing on US credit-worthiness?

DEMOCRACIA SITIADA

Treasury, S&P wrangle minutes before a historic downgrade


The Obama administration had just finished a fight with House and Senate Republicans when it entered a battle with a small group of credit-rating analysts based in New York, London and Toronto.

Standard & Poor’s had warned for months that it might downgrade the U.S. credit rating if leaders couldn’t find a way to reduce the growing national debt by $4 trillion over 10 years.

When the deal reached Tuesday fell short of those expectations, the Treasury Department and S&P engaged in a furious set of exchanges that ultimately led to a downgrade Friday night. Since then, the Obama administration and S&P have been engaged in a war of words over the circumstances of the downgrade.

Gene B. Sperling, director of the National Economic Council, said Saturday that S&P’s conduct was “breathtaking,” adding that “it smacked of an institution starting with a conclusion and shaping any arguments to fit it.”


David Beers, the head of S&P’s sovereign rating unit, had a different view. “This agreement will not produce a stabilization of the government’s debt burden on its own, and we don’t have a lot of confidence that another agreement is going to follow this one,” he said.


Friday’s hectic events began at 1:15 p.m. when an S&P analyst called Treasury to say a downgrade would come after the stock market closed, said people familiar with the matter, who spoke on the condition of anonymity to discuss it freely. The analyst sent a draft copy of the downgrade report.

The initial report said the debt in 2021 would reach a worrisome $22.1 trillion, which would be equal to 93 percent of the size of the economy.

Treasury officials reviewed the report and after about 30 minutes found what John Bellows, the acting assistant secretary for economic policy, on Saturday called “a basic math error of significant consequence.”

Treasury argued that S&P calculated spending over the next 10 years in a way that overstated the debt by $2 trillion. Treasury said S&P used the wrong budget metrics to project spending levels.

About 3:15 p.m., Treasury officials called S&P to tell analysts that they had overstated the debt. They heard “stunned silence,” according to some sources familiar with the call. Other sources disputed the characterization.

Two hours later, S&P called Treasury to acknowledge that Treasury’s analysis was correct but told officials that the downgrade would still occur. According to the new calculations, the debt is projected to reach $20.1 trillion, or 85 percent of the size of the economy.

Treasury asked S&P to take more time and wait until Monday to make a final decision.

The officials also argued that S&P analysts did not recognize that Washington was taking steps to tame the national debt despite the political theater of recent months.

But S&P analysts took the opposite view — that all the partisan wrangling made it far less likely that leaders would be able to do what’s necessary to achieve budget savings and that the altered calculation did not change that picture.

Beers reconvened a committee of analysts who vote on ratings decisions to decide whether to proceed with the downgrade. They voted to do so.

At 7:15, S&P called to say it would downgrade and soon thereafter provided a copy of the report to Treasury.

The revised downgrade report more greatly emphasized political analysis — as opposed to economic calculations — compared with the original report, according to a version of the first report reviewed by The Washington Post.

It announced the unprecedented decision at 8:30 p.m.

CRISTO, SEGUNDO REMBRANDT



No Philadelphia Museum of Art estão em exposição temporária pinturas de Rembrandt da face de Cristo, uma das quais descrita no seu testamento como tendo sido pintada "em vida".

A expressão "em vida" utilizada por Rembrandt é indecifrável e só permite suposições. Quando o quadro foi pintado Cristo tinha sido crucificado há mais de 1600 anos. 

Admite-se que a enigmática expressão possa significar que o quadro possa ter sido pintado a partir de um modelo sósia sugerido a partir de testemunhos orais transmitidos pela comunidade judaica vizinha do pintor. 

A exposição inclui, para além do quadro, seis outros mais pequenos onde a figura de Cristo é representada de forma idêntica: um jovem pensativo, gentil, de cabelo espesso e escuro, barba desgrenhada e olhar profundo.

Para além da interpretação religiosa do pintor é notável o rompimento com o estereótipo criado pelos pintores renascentistas e ainda  hoje persistente na cultura ocidental .

Mais, aqui  

CITAÇÃO


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade
 
(Proposta por Humberto A.)

Saturday, August 06, 2011

AMANHÃ, O DÓLAR

El-Erian: downgrade heralds new era
By Mohamed El-Erian

There will be endless debate on whether S&P, the rating agency, was justified in stripping America of its AAA rating and — adding insult to injury — even attaching a negative outlook to the new AA+ rating. But this historic action has now taken place, and the global system must adjust. There are consequences, uncertainties, and a silver lining.

Not so long ago, it was deemed unthinkable that America could lose its AAA. Indeed, “risk free” and “US Treasuries” were interchangeable terms — so much so that the global financial system was constructed, and has operated on the assumption that America’s AAA was a constant at the core, and not a variable.

Global financial markets will reopen on Monday to a changed reality. There are immediate operational consequences, from re-coding risk and trading systems to evaluating collateral and liquidity management. Key market segments will be closely watched, including the money market complex and the reaction of America’s largest foreign creditors.

Meanwhile, for the real economy, credit costs for virtually all American borrowers will be higher over time than they would have been otherwise. Animal spirits, already hobbled by the debt ceiling debacle, will again be dampened, constituting yet another headwind to the generation of investment and employment.

It is hard to imagine that, having downgraded the US, S&P will not follow suit on at least one of the other members of the dwindling club of sovereign AAAs. If this were to materialise and involve a country like France, for example, it could complicate the already fragile efforts by Europe to rescue countries in its periphery.

The future role of rating agencies will also now come under close scrutiny, bringing to the fore the question of who rates the rating agencies? S&P’s action will likely unite governments in America and Europe in an effort to erode their monopoly power and operational influence. This will also force all investors to do something that they should have been doing for years: conduct their own ratings due diligence, rather than rely on outsiders.

More worryingly, there will now be genuine uncertainties as to wider systemic impact of this change. With America occupying the core of the world’s financial system, Friday’s downgrade will erode over time the standing of the global public goods it supplies - from the dollar as the world’s reserve currency to its financial markets as the best place for other countries to outsource their hard-earned savings. This will weaken the effectiveness of the US as the global anchor, accelerating the unsteady migration to a multi polar system while increasing the risk of economic fragmentation.

These factors will play out over time, and will possibly do so in a non-linear fashion. Some of the immediate impact will be forestalled by the fact that no other country is able and willing to replace the US at the core of the global system. Other than a general increase in risk premia and volatility, it is therefore hard to predict with a high degree of conviction how the global system will react. Specifically, will it simply come to a new normality, with an AA+ at its core, or are further structural changes now inevitable?

All of that said, there a sliver of a silver lining — and an important one. America’s downgrade may serve as a wakeup call for its policymakers. It is an unambiguous and loud signal of the country’s eroding economic strength and global standing. It renders urgent the need to regain the initiative through better economic policymaking and more coherent governance.

There is a risk, of course, that different political factions will use S&P’s action as a vindication of their prior beliefs. Democrats would argue that it is recent Republican political sabotage that pushed S&P over the edge while Republicans would argue that we are here due to irresponsible government spending by the Democrats.

For the sake of their country and the wider global economy, both parties should resist the urge to begin bickering. Instead they should seize this potential “Sputnik Moment” — a visible shock to the national psyche that can unify Americans around a common vision and a renewed sense of purpose — that of halting gradual secular decline by putting the country back on the path of high growth, job creation and financial soundness.

The writer is chief executive of PIMCO

A GUERRA COMEÇA AMANHÃ Á NOITE

O atrevimento da Standards and Poor´s promete uma guerra que terá os primeiros resultados amanhã ao cair da noite na Europa, quando abrirem as principais praças financeiras na Ásia e se confirmarem os efeitos já observados na Arábia Saudita.   

A reacção dos principais comentadores norte-americanos, com particular destaque para Paul Krugman e Robert Reich, dá desde já uma ideia do confronto que, finalmente, parece ir acontecer.

E digo, finalmente, porque a interferência demolidora das opiniões das agências de rating nas economias mais frágeis da União Europeia  não tinha, até agora, despertado uma reacção vigorosa  por parte das instituições comunitárias, enleadas nas suas contradições institucionais. 

Foi preciso (era preciso, pelos vistos, e muita gente já dissera isso) que uma das agências de rating  ousasse enfrentar as instâncias políticas do seu próprio país, nada mais nada menos que a (ainda) maior potência financeira mundial, para que o papel destes ditadores à solta fosse posto definitivamente em causa.

We are not Greece or Portugal, afirmou Obama, há dias. Ainda bem, neste caso, para eles e para nós.
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"Apparently we’re supposed to care about what some idiots at some corrupt organization think about anything." (Atrios, cit. Paul Krugman

Finalmente?

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Correlacionados: US downgrade hetralds a new era
7/08/2011 - A Bolsa de Telavive, uma das raras  Bolsas do mundo que abre ao Domingo, esteveve suspensa por quebra acentuada de 6%.

PERSPECTIVAS DE UM AMERICANO

Everything you need to know about the european debt crisis in one post

AA+

Como vão reagir os mercados segunda-feira de manhã, não sabemos. Se houvesse coerência nestas coisas, as taxas de juro subiriam. Talvez moderadamente, mas subiriam, o que não deixaria de colocar aos norte-americanos, até agora a olhar com comiseração desprendida a sorte dos pigs europeus, o peso de meia dúzia de meio escondidos ditadores na situação económica e financeira de muitos milhões de pessoas.

Mais importante, contudo, que a subida das taxas de juro, ainda que muito por causa disso, coloca-se a questão da intromissão arrogante de um concílio privado julgar o mérito de um sistema político democrático e, com base nesse julgamento, pautar a sua credibilidade.

A coerência do downgrade vista de uma perspectiva comparada com os critérios usados para avaliar o risco de crédito dos pigs europeus (muita gente duvidava que alguma das três sumidades alguma vez se atrevesse a reduzir o rating dos EUA ) sossobra quando se olha para trás e para a frente: para trás, porque o sistema político que levou o mundo financeiro à beira do abismo existe nos EUA desde sempre; para a frente, porque, se o sistema se mantiver, e não é crível que mude por imposição desta opinião da S&P, coerentemente os EUA jamais recuperarão o fascinante triple A.

A ver vamos.
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Correlacionados - Os Estados Unidos acusam a Standard and Poor´s de erro de dois biliões de dólares. (aqui ). (Um bilião na Europa - um milhão de milhões - corresponde a "one trillion" na América )
-“A judgment flawed by a $2 trillion error speaks for itself,” a Treasury spokesman said Friday night. (aqui)
- Bolsa da Arábia Saudita, a primeira a reagir ao downgrade da dívida norte-americana, afunda 5,46%. (aqui )  

SOLUÇÃO PRIVADA

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À hipótese de privatização da CP sempre se ouviu que ninguém estaria interessado numa empresa que, por natureza, perde dinheiro.

Esta naturalidade parecia tão evidente que a CP nunca constou, ao que julgo saber, de qualquer lista de candidatos à privatização. E, no entanto, sempre me pareceu que a solução para a melhoria dos serviços da CP e da solvência da empresa, e não só da CP mas de todas as empresas de transportes colectivos públicos, passava pela sua privatização integral ou, pelo menos, pela privatização da exploração dos seus activos.

A notícia publicada hoje no Expresso/Economia vem abrir uma porta que parecia irremedivelmente bloqueada.

A privatização da CP (da Carris, do Metro, etc.) apenas impõe a configuração transparente dos custos que a sociedade portuguesa como um todo está disposta a transferir dos utentes para os contribuintes a título de serviço público. 

E digo transparente, porque as reivindicações sindicais suportadas pela força das paragens dos transportes decretadas pelos grevistas não são apreendidas pela generalidade dos cidadãos como a exigência do aumento dos preços que alguém terá de pagar: como utentes ou como contribuintes.

Uma clarificação que a prática perversa corrente de desorçamentação dos prejuízos das empresas públicas tem impedido com as consequências que hoje são irremediavelmente notórias e dramáticas.

Friday, August 05, 2011

NOT MADE IN PORTUGAL



Há dias, enquanto aguardavam os almoços que tardavam mais que o costume, tertúlios consumiam o tempo de espera a beber as boémias do costume, a mastigar os tremoços do costume, e a discutir o raio da bola, como de costume, enquanto não surgem questões ainda mais metafísicas. 

Em tempo de defesa do pontapénabola, a conversa é outra. Sem pénalties nem foras-de-jogo para discutir, discutiam-se as compras e os lucros nas vendas mais mediáticas de artistas da bola. Perguntei-lhes: Mas, afinal, vimos para aqui para discutir negócios? Não era, concordaram, arrumou-se a bola mas  a mesa ficou sem assunto.

Para remediar o estrago, a mastigar mais um tremoço perguntei: Alguém sabe de onde vêm os tremoços? Alguém já viu um tremoceiro? O ZêDê olhou-me de lado, com ar compungido, e diagnosticou-me uma pdi em estado avançado. Mas também não sabia.

Faz parte do anedotário mais básico aquela ideia da criança que supõe que o frango é feito na fábrica. Mas é incontestável que a urbanização das sociedades afastou há muito tempo  a generalidade das pessoas do contacto com as realidades naturais mais elementares. Dos tremoceiros, por exemplo. Comem-se os tremoços, agora até lhe descobrem virtudes salutares, mas ignora-se de onde vêm tais bichos.   

Tremoceiros, há muitos. Em Portugal podem ver-se ainda em campos que florescem de amarelo em Abril. Com eles se azotam os terrenos arenosos, um correctivo de solos que os avós dos nossos avós aprenderam a cultivar porque os adubos sintéticos só chegariam no sec. xx. Também abundam, espontâneos, ao longo das bermas de autoestradas. Estes tremoceiros de flor de um amarelo exuberante, não produzem tremoços comestíveis. As sementes são pequenas, do tamanho das lentilhas, cinzentos escuros. pintalgados de branco. 

O tremoço amarelo, curiosamente, é o fruto do tremoceiro-azul (lupinus albus), mais discreto que o seu primo impante amarelo, geralmente de flor branca ou azul. O que é, aparentemente, estranho é que sendo os portugueses uns imbatíveis adeptos do tremoço, os tremoços que comemos são importados. 

Não é caso único. Por exemplo, no Algarve vendem-se  cestas, made in China, de passas de figo importadas da Turquia recheadas de amêndoas importadas da Califórnia com a etiqueta "Made in Algarve".

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Mais acerca de tremoços, aqui, aqui, aquiaqui.

MUDANÇAS DO MUNDO

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Os quadros são elucidativos. Mais, veja aqui

Thursday, August 04, 2011

DIAGRAMA DO CONTÁGIO

ACERCA DA DESPESA MILITAR NOS EUA

Why defense spending should be cut
By Fareed Zakaria

The scary aspect of the debt deal meant to force all of Washington to its senses is the threatened cut to defense spending. If the congressional “super-committee” cannot agree on cutbacks of $1.5 trillion, the guillotine will fall and half of those cuts will have to come from expenditures on national security. As with so much Washington accounting, there is lots of ambiguity in baselines and terms (for instance, what is covered under “national security”?). Most experts estimate that the defense budget would lose $600 billion to $700 billion over the next 10 years. If so, let the guillotine fall. It would be a much-needed adjustment to an out-of-control military-industrial complex.

First, some history. The Pentagon’s budget has risen for 13 years, which is unprecedented. Between 2001 and 2009, overall spending on defense rose from $412 billion to $699 billion, a 70 percent increase, which is larger than in any comparable period since the Korean War. Including the supplementary spending on Iraq and Afghanistan, we spent $250 billion more than average U.S. defense expenditures during the Cold War — a time when the Soviet, Chinese and Eastern European militaries were arrayed against the United States and its allies. Over the past decade, when we had no serious national adversaries, U.S. defense spending has gone from about a third of total worldwide defense spending to 50 percent. In other words, we spend more on defense than the planet’s remaining countries put together.

It is not unprecedented for defense spending to fall substantially as we scale back or end military actions. After the Korean War, President Dwight Eisenhower cut defense spending 27 percent. Richard Nixon cut it 29 percent after Vietnam. As tensions declined in the 1980s, Ronald Reagan began scaling back his military spending, a process accelerated under Presidents George H.W. Bush and Bill Clinton. Given the enormous run-up in spending under George W. Bush, even if President Obama made comparable cuts to that of those presidents today, defense spending would remain substantially above the levels under all those presidents. The Bowles-Simpson commission’s plan proposed $750 billion in defense cuts over 10 years. Lawrence Korb, who worked at the Pentagon for Ronald Reagan, believes that a $1 trillion cut over 10 to 12 years is feasible without compromising national security.

Serious conservatives should examine the defense budget, which contains tons of evidence of liberalism run amok that they usually decry. Most talk of waste, fraud and abuse in government is vastly exaggerated; there simply isn’t enough money in discretionary spending. Most of the federal government’s spending is transfer payments and tax expenditures, which are — whatever their merits — highly efficient at funneling money to their beneficiaries. The exception is defense, a cradle-to-grave system of housing, subsidies, cost-plus procurement, early retirement and lifetime pension and health-care guarantees. There is so much overlap among the military services, so much duplication and so much waste that no one bothers to defend it anymore. Today, the U.S. defense establishment is the world’s largest socialist economy.

Defense budget cuts would also force a healthy rebalancing of American foreign policy. Since the Cold War, Congress has tended to fatten the Pentagon while starving foreign policy agencies. As former defense secretary Robert Gates pointed out, there are more members of military marching bands than make up the entire U.S. foreign service. Anyone who has ever watched American foreign policy on the ground has seen this imbalance play out. Top State Department officials seeking to negotiate vital matters arrive without aides and bedraggled after a 14-hour flight in coach. Their military counterparts whisk in on a fleet of planes, with dozens of aides and pots of money to dispense. The late Richard Holbrooke would laugh when media accounts described him as the “civilian counterpart” to Gen. David Petraeus, then head of U.S. Central Command. “He has many more planes than I have cellphones,” Holbrooke would say (and he had many cellphones).

The result is a warped American foreign policy, ready to conceive of problems in military terms and present a ready military solution. Describing precisely this phenomenon, Eisenhower remarked that to a man with a hammer, every problem looks like a nail. In his often-quoted farewell address, Eisenhower urged a balance between military and non-military spending. Unfortunately, it has become far more unbalanced in the decades since his speech.

CÉU GERALMENTE MUITO NUBLADO

Depois da ansiedade geral gerada pela tensão da incerteza acerca do resultado das votações do limite da dívida no Congresso e no Senado dos EUA, a onda da crise financeira voltou a recrudescer na Europa com a subida insuportável das taxas de juro nos últimos empréstimos contraídos pela Itália e Espanha.

Se um eventual default dos EUA poderia causar estragos incalculáveis a nível mundial, o risco de uma situação semelhante poder ocorrer em Itália (a sétima maior economia do mundo) ou mesmo da Espanha, está a abanar fortemente de novo os alicerces da União Europeia e, particularmente, da Zona Euro. Porque um default de qualquer delas, provocado por esta asfixiante escalada dos juros, teria consequências não menos dramáticas no sistema financeiro e na economia globais do que aquele que ameaçou o mundo a partir dos EUA até anteontem.

Uma enorme diatância, contudo, separa as circunstâncias que condicionaram a ultrapassagem da crise nos EUA daquelas que se impõem aos membros da União Europeia, sobretudo aos membros do euro e, muito particularmente à Alemanha. À proposta de compra de obrigações pelo BCE na reunião de governadores de hoje, opôs-se o governador do Bundesbank.

No caso dos EUA, esteve em causa o equilíbrio financeiro mundial. Da crise na Europa pode resultar o começo do fim da União Europeia ou o começo de uma União Europeia a caminho de uma federação que a torne politicamente suficientemente coesa para não poder ser posta em causa pelas imposições dos mercados financeiros e as notações das agências de rating. Mais do que nunca, a União Europeia encontra-se agora mesmo no meio da encruzilhada.

Entretanto, o ouro e o franco suíço vão continuar a valorizer-se enquanto se mantiver a situação de crise. O franco suíço nunca esteve tão valorizado contra todas as outras moedas desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O pânico começa a rondar o mundo.

Wednesday, August 03, 2011

GABRIELLE GIFFORDS

A votação do aumento do limite da dívida pública norte-americana teve um momento emocionante de aplauso a Gabrielle Giffords, a congressista norte-americana alvo de um atentado que a levou à beira da morte ou da incapacidade total para toda a vida. Registei esse facto horrível, na altura, aqui.

Apesar de ainda muito debilitada, Gabrielle Giffords compareceu ontem na votação do aumento do limite dívida, uma questão que, por poder colocar em causa a estabilidade o sistema financeiro internacional, interessava a todo o mundo, mas, antes de mais, sitiava a administração democrática pela qual Giffords democraticamente se bateu sem receio das ameaças que a rondavam.

Admirável exemplo de cidadania e de doação democrática.
Mais aqui

ACERCA DE UM IMPRESCINDÍVEL MAU ACORDO

Senadores e Congressistas norte-americanos acabaram por se entender e votar o aumento do limite défice dos EUA que passará dos actuais 14,3 trilhões dólares (ou 14,3 milhões de milhões) para mais 400 biliões, imediatamente, mais 500 biliões durante o Outono deste ano, e mais 1,2 triliões no início do próximo ano. Paralelamente, o executivo compromete-se a reduzir a despesa durante os próximos dez anos num valor equivalente, pressupondo assim a contenção da dívida aos níveis actuais nos anos iniciais da  próxima década.

Mas ninguém ficou satisfeito: os radicais do Tea Party porque queriam impedir o aumento do limite do défice, os outros conservadores republicanos porque acabaram por ceder mais do que pretendiam, os democratas, porque o acordo impõe fortes limitações à administração Obama, restringe o alcance dos programas sociais, e condiciona fortemente a intervenção do governo federal na animação da economia e na redução do desemprego.  

A dívida pública americana atinigirá em 2012 cerca de 100% do PIB. Nada de muito extraordinário quando comparada com as de alguns outros países (o Japão, por exemplo) mas flagrantemente exorbitante quando comparada com os valores observados nas últimas décadas. No termo da presidência de Clinton (2000) situava-se em 55% do PIB depois de ter atingido um pico de 65%. No fim dos mandatos de George W. Bush (2008) situava-se em 68% do PIB, e subiu acentuadamente a partir daí muito em consequência da crise financeira forjada durante o mandato de G W Bush.

Se Main Street não se regozijou com o acordo nem Wall Street arrebitou, se, por exemplo,  os chineses, que detêm cerca de 1,2 triliões de dólares em reservas, e os britânicos , que têm aplicados 320 biliões em fundos de pensões privados, continuam preocupados com as perspectivas de crescimento dos EUA e com a solidez da sua moeda, o mundo inteiro respirou de alívio com o entendimento de última hora alcançado ontem. 

No gráfico seguinte, publicado hoje no Washington Post, estão resumidos os termos do acordo.
    
Clicar na imagem para a poder ler 


PERGUNTA O HUMBERTO

Digam-me lá se isto não contribui para o emagrecimento do Estado:

Andava eu bastante intrigado sobre o significado do emagrecimento do Estado ,de que tanto se fala, e eis, senão quando, o negócio da compra do BPN pelo BIC, lançou luz sobre o meu bestunto.

Na verdade, se o Estado já contribuiu com 5.400 milhões de euros para, numa acção patriótica, salvar o BPN e se aprontapara entregar mais 500 milhões de euros para a recapitalização do referido cujo BPN recebendo, em troca,  40 milhões de euros, que podem ser deduzidos dos valores a pagar aos trabalhadores que forem despedidos pelo BIC digam-me lá se isto não contribui decisivamente para o emagrecimento do Estado???

Tuesday, August 02, 2011

BASÍLICA DE SAN PEDRO

Basílica de san pedro

Di, Jesucristo, ¿por qué
me besan tanto los pies?

Soy San Pedro aquí sentado,
en bronce inmovilizado,
no puedo mirar de lado
ni pegar un puntapié,
pues tengo los pies gastados,
como ves.

Haz un milagro, Señor.
Déjame bajar al río,
volver a ser pescador,
que es lo mío.

Ricardo Alberti
....

(O Humberto enviou-me um e-mail com a tradução deste poema. Agradeço-lhe e peço-lhe que me releve a opção de o colocar aqui na versão original)

CONVERSA FIADA

Depois do propósito do PS anunciado de ontem por Maria de Belém de pedir contas ao Governo sobre as condições de venda do BPN soube-se hoje que PSD e CDS pedem audição urgente da Secretária de Estado do Tesouro sobre o mesmo assunto.

Geralmente, as tácticas convergentes conduzem a empates no fim do tempo regulamentar.
O Governo argumentará que o anterior executivo reduziu a margem de manobra do Estado quando arrastou o problema e não o solucionou; o PS criticará os termos do acordo da venda, que aumentam substancialmente a factura a pagar pelos contribuintes portugueses.

Enquanto isto, no tribunal, a justiça nem a pestana levanta.
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Act. Para o BE a venda do BPN tem contornos de cambalacho, e quer o ministro na AR para esclarecimentos.

Monday, August 01, 2011

SE O RIDÍCULO PAGASSE IMPOSTO

O processo BPN foi, desde que rebentou há quase três anos, considerado, além do mais, um caso de polícia. Até agora, Oliveira e Costa foi preso preventivamente e colocado em prisão domiciliária há cerca de um ano. Quanto ao resto, o que se sabe é que temos, os que pagam impostos, que contribuir para o buraco que já mede 2,4 mil milhões de euros com forte tendência para medir mais. Ontem foi decidida a venda por 40 milhões de euros, menos de 2% do valor provisório do roubo, mas o Estado terá, ao que parece, que imdemnizar os trabalhadores que forem dispensados pelo comprador.

Quem roubou? Para onde foi o produto do roubo?, são algumas das mais elementares dúvidas que há muito deviam estar esclarecidas. O anterior governo, ao nacionalizar o BPN sem estancar a sangria, e considerar abusivamente como depósitos à ordem aplicações de risco, alargou o buraco e tornou-se participante no saque. Quanto aos crimes, a justiça dorme o sono da cumplicidade sem que haja coragem neste país para lhe dar um safanão e bradar, acorda!

É neste contexto de lassidão e modorra estival que, a propósito da venda do peseudo banco, que, com os dados disponíveis, considerei no meu apontamento de ontem uma má opção, que o PS pede mais esclarecimentos sobre o BPN e citica o atraso nas decisões legais  (aqui).
Tanta verdade e, no entanto, tanto ridículo, por vir de quem vem! 
Está gozar connosco Maria de Belém.
Até onde pode chegar a falta de vergonha neste país político?

AFIRMA KRUGMAN

The President Surrenders
By PAUL KRUGMAN

A deal to raise the federal debt ceiling is in the works. If it goes through, many commentators will declare that disaster was avoided. But they will be wrong.

For the deal itself, given the available information, is a disaster, and not just for President Obama and his party. It will damage an already depressed economy; it will probably make America’s long-run deficit problem worse, not better; and most important, by demonstrating that raw extortion works and carries no political cost, it will take America a long way down the road to banana-republic status.

Start with the economics. We currently have a deeply depressed economy. We will almost certainly continue to have a depressed economy all through next year. And we will probably have a depressed economy through 2013 as well, if not beyond.

The worst thing you can do in these circumstances is slash government spending, since that will depress the economy even further. Pay no attention to those who invoke the confidence fairy, claiming that tough action on the budget will reassure businesses and consumers, leading them to spend more. It doesn’t work that way, a fact confirmed by many studies of the historical record.

Indeed, slashing spending while the economy is depressed won’t even help the budget situation much, and might well make it worse. On one side, interest rates on federal borrowing are currently very low, so spending cuts now will do little to reduce future interest costs. On the other side, making the economy weaker now will also hurt its long-run prospects, which will in turn reduce future revenue. So those demanding spending cuts now are like medieval doctors who treated the sick by bleeding them, and thereby made them even sicker.

And then there are the reported terms of the deal, which amount to an abject surrender on the part of the president. First, there will be big spending cuts, with no increase in revenue. Then a panel will make recommendations for further deficit reduction — and if these recommendations aren’t accepted, there will be more spending cuts.

Republicans will supposedly have an incentive to make concessions the next time around, because defense spending will be among the areas cut. But the G.O.P. has just demonstrated its willingness to risk financial collapse unless it gets everything its most extreme members want. Why expect it to be more reasonable in the next round?

In fact, Republicans will surely be emboldened by the way Mr. Obama keeps folding in the face of their threats. He surrendered last December, extending all the Bush tax cuts; he surrendered in the spring when they threatened to shut down the government; and he has now surrendered on a grand scale to raw extortion over the debt ceiling. Maybe it’s just me, but I see a pattern here.

Did the president have any alternative this time around? Yes.

First of all, he could and should have demanded an increase in the debt ceiling back in December. When asked why he didn’t, he replied that he was sure that Republicans would act responsibly. Great call.

And even now, the Obama administration could have resorted to legal maneuvering to sidestep the debt ceiling, using any of several options. In ordinary circumstances, this might have been an extreme step. But faced with the reality of what is happening, namely raw extortion on the part of a party that, after all, only controls one house of Congress, it would have been totally justifiable.

At the very least, Mr. Obama could have used the possibility of a legal end run to strengthen his bargaining position. Instead, however, he ruled all such options out from the beginning.

But wouldn’t taking a tough stance have worried markets? Probably not. In fact, if I were an investor I would be reassured, not dismayed, by a demonstration that the president is willing and able to stand up to blackmail on the part of right-wing extremists. Instead, he has chosen to demonstrate the opposite.

Make no mistake about it, what we’re witnessing here is a catastrophe on multiple levels.

It is, of course, a political catastrophe for Democrats, who just a few weeks ago seemed to have Republicans on the run over their plan to dismantle Medicare; now Mr. Obama has thrown all that away. And the damage isn’t over: there will be more choke points where Republicans can threaten to create a crisis unless the president surrenders, and they can now act with the confident expectation that he will.

In the long run, however, Democrats won’t be the only losers. What Republicans have just gotten away with calls our whole system of government into question. After all, how can American democracy work if whichever party is most prepared to be ruthless, to threaten the nation’s economic security, gets to dictate policy? And the answer is, maybe it can’t.