Friday, August 19, 2011

DESTA VEZ É DIFERENTE

Porquê? V. aqui 
Os números do desemprego
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De cima para baixo: Finlândia, Suécia, Espanha, EUA, Japão, Noruega

O PREÇO DA MINESTRONE

Volto à melhor minestrone que conheço para aquilatar o desequilíbrio cambial entre o euro, o dólar e o franco suíço. 

Há dias fiz uma avaliação idêntica acerca do frango suíço para concluir aquilo que é sabido: o frango suíço está caríssimo para quem o quiser comprar com dólares ou euros.

Quanto à melhor minestrone o preço dela é imbativel: é gratuita.

Quem encomendar um prato da lista (fomos por uma grelhada mista de carne de vaca e frango acompanhada de legumes diversos) pode escolher uma minestrone ou uma salada, igualmente estupenda, a preço zero. Mais: pode repetir.

Resumindo: A grelhada mista custa 16,5 dólares, um copo de vinho Arancio Nero d´Avola (Sicília), 6,5 dólares, o pão é igualmente gratuito. Total: 23 dólares, a que deve juntar pelo menos 4 dólares de gratificação (aqui o serviço é pago pelo cliente). 27 dólares são, ao câmbio do dia, cerca de 19 euros. Não se come por menos em Portugal.

Se o cliente é de poucas comidas, o prato pode ser partilhado (como na fotografia, meia dose)  e, neste caso, a conta baixa para cerca de 13 euros por cada um.

Em Zurique, o preço é pelo menos o dobro.

(clicar nas imagens para ampliar)

ALBERTO E DEULADEU

Jacques Delors, agora com 86 anos, afirma em entrevista concedida a dois jornais, um belga, outro suíço, que a Europa se encontra à beira do abismo. Exagero? Admitamos que sim. Mas, sem exagero, não podemos deixar de considerar Portugal em muito maus lençóis.  

E, no entanto, como diversas vezes já tenho apontado neste bloco de notas, o Banco de Portugal ainda detem (presume-se que detenha, porque nada foi informado em contrário, 382 toneladas de ouro das 865,936 herdadas do antigo regime).  

Ora o ouro, segundo as notícias mais recentes continua a subir e atingiu hoje 1877 dólares/onça troy
Em meados de Maio do ano passado, segundo cálculos referidos aqui, as 382 tons  valiam, naquela altura, cerca de 12,1 mil milhões de euros, quando o preço do ouro estava em 1244 dólares/onça. Entretanto o dólar desvalorizou-se contra o euro cerca de 13%, o que quer dizer que as nossas reservas em ouro valem, ao preço de hoje mais que 16 008 milhões de euros, ou seja, um pouco menos que 10% da dívida pública.

Faz sentido que um país esteja ameaçado de bancarrota quando detem recursos deste dimensão adormecidos?

Se Portugal se dispusesse a entregar o ouro ao BCE não teria, só essa iniciativa, o condão de amansar os credores? As regras não deixam? Alterem-se as regras.
Como dizia o Alberto, é estúpido continuar a fazer o mesmo e esperar resultados diferentes.
Aliás, foi também o que pensou Deuladeu.

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Aqui, o que pensa o actual ministro da Economia & etc., acerca do asssunto.
Aqui, uma explicação das regras pelo BP
Alemães qurem que Espanha e Itália vendam o ouro, aqui
M Cadilhe propôs a venda do ouro para indemnização a funcionários dispensáveis, aqui 

BASKETCHAIR

Uma equipa de basquetebol de Georgetown deslocou-se a Beijing onde se confrontou com uma equipa profissional do exército chinês. O jogo foi dado por terminado antes do tempo regulamentar, quando as equipas se encontravam empatadas, por ter degenerado em batalha campal, com os jogadores a defrontarem-se corpo-a-corpo e a usarem cadeiras e tudo o mais e que estava à mão, salvo a bola do encontro. Vem tudo relatado aqui com vídeo da cena.

O que é que terão dado ou dito aos chineses os seus bem amados líderes para os seus rapazes se portarem daquela maneira? Que se perdessem seriam fuzilados?

EMPREGO MUNICIPAL

Thursday, August 18, 2011

EL ANATSUI



El-Anatsui

« pormenor

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UM FÉTIDO CHEIRO A ESTURRO

Segundo o Negócios online, aqui, o BE terá pedido esclarecimentos acerca de um eventual empréstimo concedido pelo BPN a Américo Amorim,  no montante de 1,6 mil milhões de euros, para a compra da Galp. Amorim nega que alguma vez tenha negociado com o BPN com esse propósito. Não se sabe, no entanto, se o rumor tem ou não tem fundamento, isto é, se Amorim deve ou não deve 1,6 mil milhões ao BPN.

Deva ou não deva, o que há muito é devido aos portugueses é o esclarecimento sem ambiguidades do que, realmente, se passou no BPN, antes e depois da nacionalização, e que está na origem de uma factura esmagadora que os contribuintes portugueses estão a ser chamados a pagar.   

Quando a administração presidida por Miguel Cadilhe propôs ao governo que, em simultâneo com o aumento do capital do banco de 380 milhões de euros pelos accionistas, o Estado emprestasse 600 milhões, Teixeira dos Santos recusou invocando que seria inaceitável que os contribuintes portugueses viessem a pagar parte desse empréstimo. O que mereceu aplausos. Lamentavelmente, a seguir a  uma decisão correcta T Santos envolveu o Estado num nacionalização que permitiu aos ratos saltarem todos do barco arrombado.

T Santos, se entendia que havia risco sistémico na falência do BPN deveria ter garantido os depósitos sem cláusulas especiais, extinto o banco e vendido  os activos. A marca já se encontrava demasiado degradada para valer alguma coisa. Não o tendo feito, arrastou o estafermo e aumentou as perdas por conta dos contribuintes que ele disse ter querido proteger.

Agora que a troica impôs a venda ou a extinção, o actual governo optou pela venda. Optou mal. E a negociação exclusiva com o BCI, onde Amorim é patrão, cheira a esturro e faz lembrar a marosca de Champalimaud quando comprou com um cheque careca o Pinto & Sotto Mayor.

Eventualmente, Amorim não deve nada ao BPN nem ninguém por ele.
Mas o caso BPN cheira cada vez mais fetidamente a esturro.

Wednesday, August 17, 2011

EUROPA FAZ DE CONTA

Merkel e Sarkozy reuniram-se ontem e decidiram que, resumidamente, a defesa do euro e da União Europeia passa pela constitucionalização dos limites da dívida, pela harmonização fiscal, pela imposição de uma taxa sobre as operações financeiras (tipo taxa Tobin), e por um governo económico chefiado por Van Rompuy.  As eurobrigações, que muitos consideram serem o remédio incontornável para enfrentar os especuladores (vulgo mercados), continuam rejeitadas. E sabe-se porquê.

Segundo Schäuble, o ministro alemão das Finanças,  “não haverá uma divisão de dívidas nem um apoio ilimitado”. Enquanto for necessário, os países devem ter “diferentes taxas de juro para que haja incentivo e mecanismos de sanção para forçar a consolidação”. E, nesse quadro,  a emissão de títulos de dívida comuns – as euro-obrigações, são indesejáveis"

Se o euro forçou os políticos europeus a avançarem por caminhos federativos, a Alemanha continua a opor-se que as eurobrigações forcem definitivamente a federação de responsabilidades desamparada de meios de um  governo federal. 

O "governo económico europeu" parece, à partida, poder contar apenas com a taxa Tobin para poder governar alguma coisa. Por outro lado, é questionável se um governo económico europeu é orgânicamente compatível com a continuidade das actuais atribuições da Comissão Europeia. Ao anunciar a intenção de constituir um governo económico e, até, a proposta do primeiro titular para o cargo, Merkel e Sarkozy, os efectivos governantes da União (parecem, logo são) deveriam ter tido a ousadia mínima de avançar para o anúncio das alterações na superestrutura dos orgãos comunitários  que as suas propostas implicam, a menos que, inconfessadamente, queiram continuar a coser a manta de retalhos para, realmente, continuarem a dominar a ribalta.

Se assim for, têm razão os que os acusam de falta de dimensão política adequada para os cargos que desempenham.  

Tuesday, August 16, 2011

O GRANDE BANQUETE

Short sellers ganham milhoes com a queda da bolsa portuguesa, afirma o presidente do Millennium Bcp, que adianta ser o banco a que preside o mais castigado com as vendas de acções a descoberto.

Todas as vendas a descoberto (short sales) apostam na descida dos mercados, o mesmo é dizer que o objectivo dos apostadores é encaminhá-los no sentido que pretendem: a baixa. Nada mais óbvio. Ganham se as cotações descem, perdem se elas sobem. Os mercados financeiros comportam-se como bancas de casino onde o bluff  é uma arte. A semelhança, contudo, cessa aí.

No casino os jogadores conhecem as regras e sabem ao que vão. Uns perdem, outros ganham, a banca ganha sempre.

Nos mercados financeiros as apostas são geralmente intermediadas por fundos, ditos de investimento, geridos por quem, ganhe ou perca, ganha sempre.

Assim se percebe que o jogo de casino em larga escala continue a ser jogado fora dos casinos stricto sensu. 
O presidente do bcp sabe bem que assim é. Lamenta-se porquê?

DOW JONES

A HISTÓRIA DO DOW, aqui
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Mais: What is the market telling us?
Five myths about the Dow

AFIRMA WARREN BUFFET

STOP CODDLING THE SUPPER-RICH  (aqui )

OUR leaders have asked for “shared sacrifice.” But when they did the asking, they spared me. I checked with my mega-rich friends to learn what pain they were expecting. They, too, were left untouched.

While the poor and middle class fight for us in Afghanistan, and while most Americans struggle to make ends meet, we mega-rich continue to get our extraordinary tax breaks. Some of us are investment managers who earn billions from our daily labors but are allowed to classify our income as “carried interest,” thereby getting a bargain 15 percent tax rate. Others own stock index futures for 10 minutes and have 60 percent of their gain taxed at 15 percent, as if they’d been long-term investors.

These and other blessings are showered upon us by legislators in Washington who feel compelled to protect us, much as if we were spotted owls or some other endangered species. It’s nice to have friends in high places.

Last year my federal tax bill — the income tax I paid, as well as payroll taxes paid by me and on my behalf — was $6,938,744. That sounds like a lot of money. But what I paid was only 17.4 percent of my taxable income — and that’s actually a lower percentage than was paid by any of the other 20 people in our office. Their tax burdens ranged from 33 percent to 41 percent and averaged 36 percent.

If you make money with money, as some of my super-rich friends do, your percentage may be a bit lower than mine. But if you earn money from a job, your percentage will surely exceed mine — most likely by a lot.

To understand why, you need to examine the sources of government revenue. Last year about 80 percent of these revenues came from personal income taxes and payroll taxes. The mega-rich pay income taxes at a rate of 15 percent on most of their earnings but pay practically nothing in payroll taxes. It’s a different story for the middle class: typically, they fall into the 15 percent and 25 percent income tax brackets, and then are hit with heavy payroll taxes to boot.

Back in the 1980s and 1990s, tax rates for the rich were far higher, and my percentage rate was in the middle of the pack. According to a theory I sometimes hear, I should have thrown a fit and refused to invest because of the elevated tax rates on capital gains and dividends.

I didn’t refuse, nor did others. I have worked with investors for 60 years and I have yet to see anyone — not even when capital gains rates were 39.9 percent in 1976-77 — shy away from a sensible investment because of the tax rate on the potential gain. People invest to make money, and potential taxes have never scared them off. And to those who argue that higher rates hurt job creation, I would note that a net of nearly 40 million jobs were added between 1980 and 2000. You know what’s happened since then: lower tax rates and far lower job creation.

Since 1992, the I.R.S. has compiled data from the returns of the 400 Americans reporting the largest income. In 1992, the top 400 had aggregate taxable income of $16.9 billion and paid federal taxes of 29.2 percent on that sum. In 2008, the aggregate income of the highest 400 had soared to $90.9 billion — a staggering $227.4 million on average — but the rate paid had fallen to 21.5 percent.

The taxes I refer to here include only federal income tax, but you can be sure that any payroll tax for the 400 was inconsequential compared to income. In fact, 88 of the 400 in 2008 reported no wages at all, though every one of them reported capital gains. Some of my brethren may shun work but they all like to invest. (I can relate to that.)

I know well many of the mega-rich and, by and large, they are very decent people. They love America and appreciate the opportunity this country has given them. Many have joined the Giving Pledge, promising to give most of their wealth to philanthropy. Most wouldn’t mind being told to pay more in taxes as well, particularly when so many of their fellow citizens are truly suffering.

Twelve members of Congress will soon take on the crucial job of rearranging our country’s finances. They’ve been instructed to devise a plan that reduces the 10-year deficit by at least $1.5 trillion. It’s vital, however, that they achieve far more than that. Americans are rapidly losing faith in the ability of Congress to deal with our country’s fiscal problems. Only action that is immediate, real and very substantial will prevent that doubt from morphing into hopelessness. That feeling can create its own reality.

Job one for the 12 is to pare down some future promises that even a rich America can’t fulfill. Big money must be saved here. The 12 should then turn to the issue of revenues. I would leave rates for 99.7 percent of taxpayers unchanged and continue the current 2-percentage-point reduction in the employee contribution to the payroll tax. This cut helps the poor and the middle class, who need every break they can get.

But for those making more than $1 million — there were 236,883 such households in 2009 — I would raise rates immediately on taxable income in excess of $1 million, including, of course, dividends and capital gains. And for those who make $10 million or more — there were 8,274 in 2009 — I would suggest an additional increase in rate.

My friends and I have been coddled long enough by a billionaire-friendly Congress. It’s time for our government to get serious about shared sacrifice.

Warren E. Buffett is the chairman and chief executive of Berkshire Hathaway.


The people gathered at a Monday afternoon town hall in rural Minnesota don’t make as much money as Warren Buffett, but they likely pay a higher tax rate than him, President Barack Obama said during his appearance, citing the billionaire investor’s op-ed in The New York Times to make the case the Washington needs more revenues.
“Now, I may be wrong, but I think you’re a little less wealthy than Warren Buffett, but that’s just a guess,” Obama said to laughter along the waterfront in Cannon Falls.
Even so, those who turned out to hear Obama are likely taxed at a higher rate than the 17 percent Buffett said he pays, the president said.
“You don’t get those tax breaks, you’re paying more than that,” Obama said, using Buffett’s argument to make the case that the congressional supercommittee needs to find ways to bring in additional revenues to help reduce the deficit.
He said we’ve got to stop coddling billionaires like me,” Obama said. “That’s what Warren Buffett said.”
 
c/p aqui

AS BOMBAS DOS BANCOS

A notícia vem no Independent e denuncia o financiamento do fabrico de bombas de fragmentação feito por bancos britânicos, Royal Bank of Scotland, Lloyds TSB, Barclays e HSBC, dois dos quais foram resgatados com o dinheiro dos contribuintes britânicos.

Há cerca de um ano, o Reino Unido tornou-se um membro activo da Convention on Cluster Munitions, um tratado que condena o uso, a produção, o armazenamento e transferência de bombas de fragmentação.  Até agora, 108 países assinaram este tratado, que proibe ainda os seus membros de cooperar na produção de tais armas.  

Ao que parece, os ingénuos bancos estarão a argumentar que não fizeram nada de ilegal. Os financiamentos não foram feitos directamente aos fabricantes nem aos traficantes. Foram feitos, a quem? A justiça anda apodrecida um pouco por toda a parte.

Descaramento e hipocrisia ao mais elevado grau.
E ainda há quem fique chocado quando o povão se enfurece e se animaliza.

OJM NO BIRDLAND


Um caso de sucesso musical internacional que não  anglicizou o nome: É a Orquestra de Jazz de Matosinhos (OJM), e esteve a actuar durante cinco noites no Birdland, a casa do lendário Charlie Parker, em Nova Iorque.  Casa cheia, fria, inicialmente, aqueceu progressivamente.
No Village Vanguard, uma toca a que Zé Duarte chama o Vaticano do Jazz, Greg Osby, um saxofonista que já gravou com Jacinta e Sara Serpa. Surpreendente, a réplica da chilena Melissa Aldana, uma saxofonista tenor de 23 anos. Buraco cheio, soube a pouco.

Monday, August 15, 2011

NEGÓCIOS DA CHINA

Mais de 80% dos ingredientes activos para os fármacos vendidos nos EUA são importados, a maior parte deles proveniente de fornecedores a trabalhar em redes de economia informal na China e na Índia. Esses fornecedores são raramente inspeccionados e, mesmo quando isso ocorre é frequente não encontrarem os inspectores as instalações de produção.

A notícia (esta ) é do New York Times de anteontem que acrescenta ter a actual administração federal norte-americana acordado com a indústria farmacêutica de genéricos - que nos EUA representam 75% das prescrições  -  a constituição de um fundo anual de 299  milhões de dólares que permita a inspecção destes fornecedores com a mesma frequência com que já são inspeccionados os produtores norte-americanos.

Não tenho a mínima ideia do que acontece na União Europeia mas sou levado a pensar, por semelhança do que acontece com outras importações europeias da China e Índia, que a ausência de fiscalização deve ser idêntica. 

O comércio livre não significa, antes pelo contrário, o laxismo na exigência de qualidade do que se compra.

PELO MENOS CEM MIL DÓLARES

Agosto, 14

Hans-Peter_Feldmann tem 70 anos, e "durante quatro décadas investigou a influência da realidade visual na percepção subjectiva que cada um de nós tem dessa mesma realidade".
Foi-lhe atribuido o Prémio Hugo Boss 2010, no valor de cem mil dólares. Com o cheque, foi  ao banco e carregou com 100 mil notas de um dólar, já circuladas. Com elas forrou as paredes de um espaço do rés-do-chão do Guggenheim de Nova Iorque.

Interrogamo-nos frequentemente acerca do valor da arte e, muito particularmente, da arte moderna. 
Esta instalação de Hans-Peter Felmann vale, seguramente, 100 mil dólares.  

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Saturday, August 13, 2011

A DEMOCRACIA CONTRA A DEMOCRACIA

Quando os rebeldes no Norte de África usam o twitter e o face book como uma arma decisiva para apear regimes totalitários e caducos, as democracias regozijam-se e aplaudem. Quando os mesmos meios são utilizados para mobilizar hostes em fúria  e descontrolar os sistemas de defesa interna nos países democráticos, muita gente assustada reclama medidas que anulem as transmissões rebeldes.

Como? Pois só calando tais meios, o mesmo é dizer, acabar com eles.

Impensável? Também me parece. Impensável é também que haja muita gente que, em democracia,  pense assim.  

 
LONDON — After four nights of lawlessness that has upended British society and seen 1,200 alleged looters and arsonists swept off the streets, the government is also targeting a digital culprit: social media.

Governments from China to the authoritarian regimes challenged by the Arab Spring have sought to control social networking sites, fearing their power to connect and organize dissidents hungry for democracy. But Britain is weighing an unprecedented move to intervene in the personal communication of its citizens after concluding just the opposite: that social media, including BlackBerry Messenger and Twitter, are undermining its vibrant democracy.

Prime Minister David Cameron told parliament that the government is looking at whether there should be limits on social media sites like Twitter and Facebook if they are being used to spread disorder. (Aug. 10)

The plan touched off an immediate firestorm in Britain’s thriving social media community, igniting charges of an assault on freedom of speech. Prime Minister David Cameron, however, made clear that he felt the greater threat was allowing violent speech to circulate.

“Everyone watching these horrific actions will be struck by how they were organized via social media,” Cameron said in an emergency session of Parliament on Thursday, during which he announced that officials were working with the intelligence services and police to look at how and whether to “stop people communicating via these Web sites and services when we know they are plotting violence, disorder and criminality.”

Cameron said: “Free flow of information can be used for good. But it can also be used for ill. And when people are using social media for violence, we need to stop them.”

Police in Britain have been monitoring social networking sites — and pouncing. Authorities in England and Scotland, for instance, have arrested more than a dozen youths on suspicion of using the Internet and text messages to incite unrest. In Greater Manchester, hit hard by rioting Tuesday night, the police fought fire with fire, issuing this warning from an official police Twitter account: “If you have been using social networking sites to incite disorder, expect us to come knocking on your door very soon.”

The Twitter universe in Britain was among the first to respond to Cameron’s announcement, with irate comments flooding the nation’s digital space. Spoofing Sky News — Fox News’s sister network in Britain — one Twitter user employed classic British humor as political statement, sending out a fake bulletin: “Breaking: Sky News understands David Cameron has been in talks with the Chinese government to share web-filter technologies.”


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Friday, August 12, 2011

TRILEMA EM QUESTÃO

De Dani Rodrik, professor de Política Económica Internacional, em Harvard,  saiu recentemente "The Globalization Paradox", onde o autor reflete sobre o trilema que condiciona  a compatibilização da globalização económica com a democracia e a auto determinação de cada povo para graduar as suas necessidades e os seus valores. Confrontados com este trilema, a solução passa por fazer algumas opções: para Rodrik, a democracia e a auto determinação devem sobrepor-se à globalização extrema. Dito de outro modo, a globalização deve ter os limites que a salvaguarda da democracia e da vontade dos povos impuserem. "Democracies have the right to protect their social arrangements, and when this right clashes with requirements of the global economy, it is the latter that shloud give way".
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Num artigo (este) publicado no Washington Post de ontem, o anterior primeiro ministro Gordon Brown, escreve sobre o mesmo tema resumindo que a crise global só pode ser superada por soluções globais. Afirma Brown: Quando se procura solução para um problema nos EUA, o Congresso e o Presidente têm de se entender; para os problemas da UE, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia têm de se por de acordo. Mas para os problemas decorrentes da globalização, que exigem soluções globais, não há sede para tratar desses assuntos.

A terminar Gordon recorda Bismark que comparava a economia com um comboio que prossegue consistente e seguro no seu caminho - e que, subitamente, acelera. Passa-se o mesmo com a globalização. Evitar que o comboio descarrile requer que a condução seja liderada capazmente.

Bem visto, Mr. Gordon.
Pena é que no combóio europeu não se vislumbre o maquinista.

A TROICA É QUEM MAIS ORDENHA

Tinha sido garantido pelo Governo que não haveria recurso a receitas extraordinárias para cumprir os compromissos assumidos decorrentes do plano de ajuda externa. Mas a troica pensa diferente (ou diz que não teve alternativa) e mandou chamar os fundos de pensões dos bancários para cobrir outro buraco no BPN e outro nas despesas de reconstrução na Madeira. (aqui).

No BPN continuam a descobrir buracos mas continuamos sem saber quem roubou e quanto esburacou. Tem justiça que é cega, pá.

A integração dos bancários no sistema geral de pensões é razoável, a situação de regimes especiais contraria até o princípio constitucional da universalidade. O que é lamentável são as razões pelas quais esta integração se vai proceder, aliás, em sentido divergente da ideologia liberal que comanda as intervenções do FMI. Daí a troica lamentar ter decidido em sentido oposto ao seu credo. O pior, contudo, é que a urgência da transferência não salvaguarde contratualmente a equidade nos proveitos e responsabilidades transferidos e o equilíbrio que uma operação destas terá no futuro, e, pior ainda, a utilização destes recursos agora coloca ainda em maior risco a solvabilidade futura do sistema.

Dificilmente uma medida destas irá passar sem uma forte constestação dos atingidos. Que, afinal, serão todos, os actuais e, sobretudo, os futuros pensionistas do sistema geral.

A partir daqui, presumo que a passagem da idade da reforma para os 67 anos e o não consentimento de reformas antecipadas será uma questão de muito pouco tempo.

Veremos.

Thursday, August 11, 2011

OUTRA VEZ, OS MESMOS?


Depois da reunião com a troica e, presumo, também para emendar os desvios observados no fim do primeiro trimestre de execução do plano-compromisso assinado, o Ministro das Finanças vai amanhã anunciar como é que o Governo pretende reduzir a despesa pública.  

Até agora, os custos do descalabro foram pagos sobretudo pelos rendimentos do trabalho e pelas pensões.

Assistiremos amanhã ao anúncio de mais um esmagamento, brutal, segundo parece, dos mesmos? É a mais fácil mas é também a mais injusta e a mais corrosiva do crescimento económico.
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Act. 12/08 - Afinal o anúncio da redução da despesa ficou-se, mais uma vez, quase pelo aumento da receita : desta vez,  do IVA do gás e electricidade de 6 para 23% já a partir de Setembro. Quanto à redução da despesa, o parto continua difícil.

SELL & BUY

cit aqui