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Wednesday, November 28, 2012

O VELHO MAPA DE PORTUGAL

Foi o tema do "Prós e Contras" de anteontem. Objectivo: Discussão à volta da reforma administrativa do País. Entre os participantes no painel, o secretário de estado da Administração Local e Reforma Administrativa. Vimos apenas uma pequena parte do programa, mas o suficiente para perceber que o membro do governo destacado para uma missão impossível tinha caído noutra armadilha: a de comparecer perante uma audiência que, por razões mais que previsíveis, seria sempre muito maioritariamente hostil quaisquer que fossem os argumentos do secretário de estado. Mesmo com o tema do problema resumido apenas à redução do número de freguesias. 
 
Mais do que um dos compromissos assumidos no memorando de entendimento com a troica, a reforma do estado e, nomeadamente, a reformulação da divisão administrativa do país impõe-se há muitas décadas como condição da racionalização do aproveitamento dos meios e da satisfação mais conveniente dos interesses colectivos. Sobre a bondade dos objectivos em abstracto poucos terão dúvidas, a começar pelos autarcas. Aliás, de um modo geral todos começam os seus dircursos, a popósito do tema, por aí. Mas a partir da convergência nos propósitos gerais, a discordância acerca dos novos traçados em concreto é quase geral.
 
Comprometeu-se o Governo e o trio com a troica que, no âmbito da Adminitração Pública "o Governo tomará as seguintes medidas para aumentar a eficiência e eficácia da Administração Pública - vd aqui -
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3.44. Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesias. Até Julho 2012, o Governo desenvolverá um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número destas entidades. O Governo implementará estes planos baseado num acordo com a CE e o FMI. Estas alterações, que deverão entrar em vigor no próximo ciclo eleitoral local, reforçarão a prestação do serviço público, aumentarão a eficiência e reduzirão custos."
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Ninguém, minimamente informado, ignora, nem ignorava quando foi assinado o memorando de entendimento,  que qualquer alteração da divisão administrativa do país é um dos pontos politicamente mais sensíveis e mais propenso a discursos demagógicos. Se houvesse boa fé na assinatura do memorando e a noção consciente da dimensão dos compromissos assumidos, nunca o actual primeiro-ministro poderia ter dispensado de envolver o primeiro elemento do trio, aquele que suportou o anterior governo, de participar activamente na consecução dos compromissos assumidos. E se isto era essencial para o cumprimento da generalidade do memorando, era condição sine qua non para atingir um objectivo válido em matéria de alteração da divisão administrativa e das competências do poder local.
 
Não tendo ido por esse caminho, é mais que previsível que, no próximo ciclo eleitoral, continuarão a existir em Portugal 308 municípios e 4259 freguesias.
Provavelmente, é esse o objectivo do quinteto parlamentar.
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E continuo a interrogar-me a que horas começam a trabalhar os portugueses que assistem a programas da televisão do Estado - serviço público, suponho - como o "Prós e Contras" até quase de madrugada.

Thursday, January 20, 2011

O ABSURDO EM CADA ESQUINA

PS e PSD de acordo: Lisboa passará a ter 24 minicâmaras em vez de 53 freguesias.

Se os partidos cedem facilmente ao populismo com o objectivo de garantir votos, lamentavelmente as coligações não reduzem necessariamente a  apetência pela demagogia, e podem até potenciá-la.

Muita gente dos quadrantes políticos responsáveis, isto é, daqueles que se propõem assumir responsabilidades de governo, concorda que o número de freguesias deve ser drasticamente reduzida. Do meu ponto de vista, tenho-o anotado neste caderno várias vezes, deveriam ser todas extintas.

Segundo notícias divulgadas hoje, em Lisboa haverá já um acordo que permite transformar as actuais 53 juntas de freguesia em 24 minicâmaras.

Se isso acontecer é criado um precedente que abrirá caminho a uma institucionalização da pulverização do municipalismo que será ainda mais abusurda, do ponto de vista da racionalidade dos governos  locais, que a multiplicidade incompreensível de freguesias que hoje existem.