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Saturday, December 03, 2016

O JOGO DOS MAÇONS PINGAS

Variante do JOGO DA CABRA CEGA

A história já tem barbas notáveis.
Apontei-a aqui. Hoje o DN publica mais um capítulo aqui juntamente com a notícia de estarem escamados os maçons - vd. aqui - com a ultrapassagem que lhes fizeram os da Opus Dei na curva do Montepio e que - vd. aqui - segundo Fernando Lima, Grão Mestre de Não Sei Quê, "muitos melhores no país foram ou são maçons". 

Toda esta lavagem de roupa, ou pouco limpa ou nada transparente, a propósito da eleição que deverá ocorrer a 10 de Junho do próximo ano do substituto do próximo, ou do mesmo, venerável Grão Mestre. Perfila-se como candidato, mas há mais, o sr. Adelino Maltez, "republicamente monárquico", segundo ele mesmo. 

O artigo do DN termina desta forma deliciosa:

"A maçonaria está sempre envolvida em polémicas mas as mais recentes não envolvem o Grande Oriente Lusitano mas sim uma outra obediência, a Grande Loja Legal de Portugal (GLLP). Foi dentro desta obediência, na loja Mozart, que Nuno Vasconcelos, patrão do grupo de media Ongoing, conheceu Jorge Silva Carvalho, então chefe do SIED (a secreta externa). Silva Carvalho passou a Nuno Vasconcelos informação classificada e foi por isso condenado por violação de segredo de Estado."

Pena suspensa, evidentemente. É para isso que valem os "melhores irmãos", não?


Tuesday, April 22, 2014

O JOGO DA CABRA CEGA

Já vem de longe.

Hoje foram divulgados os resultados de uma sondagem à opinião pública conduzida pla Universidade Católica para o DN, JN, RTP, Antena 1, que, além do mais confirmam, a imagem mais negativa dos tribunais junto da opinião pública, mal acompanhados pelos bancos e pelos políticos. 


Um amigo enviou-me hoje por e-mail um artigo de M Sousa Tavares publicado no Expresso em 29/12/2007, onde a tríade se reune. Deve andar a cirandar pela net desde então.  Mas vale sempre a pena recordá-lo. Os protagonistas de um jogo jogo iniciado há mais de uma década atrás estão em vias de ser todos ilibados nos dias de hoje. 

Da Opus Dei à maçonaria: a incrível história do BCP
Em países onde o capitalismo, as leis da concorrência e a seriedade do negócio bancário são levados a sério, a inacreditável história do BCP já teria levado a prisões e a um escândalo público de todo o tamanho. Em Portugal, como tudo vai acabar sem responsáveis e sem responsabilidades, convém recordar os principais momentos deste "case study", para que ao menos a falta de vergonha não passe impune.
 
1 Até ao 25 de Abril, o negócio bancário em Portugal obedecia a regras simples: cada grande família, intimamente ligada ao regime, tinha o seu banco. Os bancos tinham um só dono ou uma só família como dono e sustentavam os demais negócios do respectivo grupo. Com o 25 de Abril e a nacionalização sumária de toda a banca, entrámos num período 'revolucionário' em que "a banca ao serviço do povo" se traduzia, aos olhos do povo, por uns camaradas mal vestidos e mal encarados que nos atendiam aos balcões como se nos estivessem a fazer um grande favor. Jardim Gonçalves veio revolucionar isso, com a criação do BCP e, mais tarde, da Nova Rede, onde as pessoas passaram a ser tratadas como clientes e recebidas por profissionais do ofício. Mas, mais: ele conseguiu criar um banco através de um MBO informal que, na prática, assentava na ideia de valorizar a competência sobre o capital. O BCP reuniu uma série de accionistas fundadores, mas quem de facto mandava eram os administradores - que não tinham capital, mas tinham "know-how". Todos os fundadores aceitaram o contrato proposto pelo "engenheiro" - à excepção de Américo Amorim, que tratou de sair, com grandes lucros, assim que achou que os gestores não respeitavam o estatuto a que se achava com direito (e dinheiro).
 
2 Com essa imagem, aliás merecida, de profissionalismo e competência, o BCP foi crescendo, crescendo, até se tornar o maior banco privado português, apenas atrás do único banco público, a Caixa Geral de Depósitos. E, de cada vez que crescia, era necessário um aumento de capital. E, em cada aumento de capital, era necessário evitar que algum accionista individual ganhasse tanta dimensão que pudesse passar a interferir na gestão do banco. Para tal, o BCP começou a fazer coisas pouco recomendáveis: aos pequenos depositantes, que lhe tinham confiado as suas poupanças para gestão, o BCP tratava de lhes comprar, sem os consultar, acções do próprio banco nos aumentos de capital, deixando-os depois desamparados perante as perdas em bolsa; aos grandes depositantes e amigos dos gestores, abria-lhes créditos de milhões em "off-shores" para comprarem acções do banco, cobrindo-lhes, em caso de necessidade, os prejuízos do investimento. Desta forma exemplar, o banco financiou o seu crescimento com o pêlo do próprio cão - aliás, com o dinheiro dos depositantes - e subtraiu ao Estado uma fortuna em lucros não declarados para impostos. Ano após ano, também o próprio BCP declarava lucros astronómicos, pelos quais pagava menos de impostos do que os porteiros do banco pagavam de IRS em percentagem. E, enquanto isso, aqueles que lhe tinham confiado as suas pequenas ou médias poupanças viam-nas sistematicamente estagnadas ou até diminuídas e, de seis em seis meses, recebiam uma carta-circular do engenheiro a explicar que os mercados estavam muito mal.
 
3 Depois, e seguindo a velha profecia marxista, o BCP quis crescer ainda mais e engolir o BPI. Não conseguiu, mas, no processo, o engenheiro trucidou o sucessor que ele próprio havia escolhido, mostrando que a tímida "renovação" anunciada não passava de uma farsa. E descobriu-se ainda uma outra coisa extraordinária e que se diria impossível: que o BCP e o BPI tinham participações cruzadas, ao ponto de hoje o BPI deter 8% do capital do BCP e, como maior accionista individual, ter-se tornado determinante no processo de escolha da nova administração... do concorrente! Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o presidente do BPI dá uma conferência de imprensa a explicar quem deve integrar a nova administração do banco que o quis opar e com o qual é suposto concorrer no mercado, todos os dias... 
 
4 Instalada entretanto a guerra interna, entra em cena o notável comendador Berardo - o homem que mais riqueza acumula e menos produz no país - protegido de Sócrates, que lhe deu um museu do Estado para ele armazenar a sua colecção de arte privada. Mas, verdade se diga, as brasas espalhadas por Berardo tiveram o mérito de revelar segredos ocultos e inconfessáveis daquela casa. E assim ficámos a saber que o filho do engenheiro fora financiado em milhões para um negócio de vão de escada, e perdoado em milhões quando o negócio inevitavelmente foi por água abaixo. E que havia também amigos do engenheiro e da administração, gente que se prestara ao esquema das "off-shores", que igualmente viam os seus créditos malparados serem perdoados e esquecidos por acto de favor pessoal.
 
5 E foi quando, lá do fundo do sono dos justos onde dormia tranquilo, acorda inesperadamente o governador do Banco de Portugal e resolve dizer que já bastava: aquela gente não podia continuar a dirigir o banco, sob pena de acontecer alguma coisa de mais grave - como, por exemplo, a própria falência, a prazo.

6 Reúnem-se, então, as seguintes personalidades de eleição: o comendador Berardo, o presidente de uma empresa pública com participação no BCP e ele próprio ex-ministro de um governo PSD e da confiança pessoal de Sócrates, mais, ao que consta, alguém em representação do doutor "honoris causa" Stanley Ho - a quem tantos socialistas tanto devem e vice-versa. E, entre todos, congeminam um "take over" sobre a administração do BCP, com o "agréement" do dr. Fernando Ulrich, do BPI. E olhando para o panorama perturbante a que se tinha chegado, a juntar ao súbito despertar do dr. Vítor Constâncio, acharam todos avisado entregar o BCP ao PS. Para que não restassem dúvidas das suas boas intenções, até concordaram em que a vice-presidência fosse entregue ao sr. Armando Vara (que também usa 'dr.') - esse expoente político e bancário que o país inteiro conhece e respeita.
 
7 E eis como um banco, que era tão independente que fazia tremer os governos, desagua nos braços cândidos de um partido político - e logo o do Governo. E eis como um banco, que era tão cristão, tão "opus dei", tão boas famílias, acaba na esfera dessa curiosa seita do avental, a que chamam maçonaria. E, revelada a trama em todo o seu esplendor, que faz o líder da oposição? Pede em troca, para o seu partido, a Caixa Geral de Depósitos, o banco público.
 
8. Pede e vai receber, porque há 'matérias de regime' que mesmo um governo com maioria absoluta no parlamento não se atreve a pôr em causa. Um governo inteligente, em Portugal, sabe que nunca pode abocanhar o bolo todo. Sob pena de os escândalos começarem a rolar na praça pública, não pode haver durante muito tempo um pequeno exército de desempregados da Grande Família do Bloco Central.
 
Se alguém me tivesse contado esta história, eu não teria acreditado. Mas vemos, ouvimos e lemos. E foi tal e qual.

Thursday, June 15, 2006

À DIREITA DA RELIGIÃO

Para quem acredita nas virtudes indiscutíveis do liberalismo, qualquer que seja a vertente, a religião, como qualquer outra atitude humana, tem de ter liberdade de expressão inteiramente garantida.
O corolário deste postulado conduzirá a uma concorrência perfeita e à preponderância dos melhores. Neste sentido, a religião não é de direita nem de esquerda, porque se vivifica no terreno fértil da liberdade. E esse campo verde tem de espraiar-se em todos os sentidos do horizonte, se não fenecerá mais tarde ou mais cedo.A religião, tal como a liberdade, portanto, não está de um lado, mas de um lado e de outro.

A discussão deste tema, com esta abordagem, é peregrina, porque se alimenta de (pretensas) boas intenções, e dessas, diz a filosofia popular, está o inferno cheio, o que parece ser verdade mesmo para quem não acredita no inferno.

A questão é outra: Com quem se enleia a religião, já não enquanto vaso de fé, mas como teocracia.

A história demonstra que a religião se enleia com a direita, enquanto guardiã das forças conservadoras. No seu início, o movimento que depois veio a chamar-se cristianismo, não se carecterizava por ser religioso, mas por ser revolucionário, porque pregava contra a ordem estabelecida.Quando percebeu que tinha a batalha perdida, o Imperador romano seguiu o lema de se juntar ao inimigo que não conseguira vencer.

E o cristianismo, ao deixar-se enlear no Estado, deu meia volta e ficou à direita. De onde nunca mais saiu.Claro que há sempre uns rebentos que teimam em crescer em sentido contrário ao da haste-mãe, mas não são suficientemente robustos para destruir o enleio milenar.

De tudo isto decorre, contudo, mais uma contradição, aparente, para a direita, que maldiz o Estado: Sem Estado não há enleio, sem enleio não há modo de convocar os pobres de espírito para a comunhão das almas no outro mundo.Não há religião sem a promessa de outro mundo melhor.
É por essas e por outras que a direita diz que não, mas precisa do Estado, do mesmo modo que que a religião preponderante necessita do enleio ao Estado para preservar o exclusivo desse enleio. Exemplo flagrante desta cumplicidade foi (e ainda é) a discussão acerca do incómodo não posicionamento do senhor Cardeal Patriarca na lista de precedências do protocolo de Estado e do discurso político, com pinças, que ele incómodo despoletou.

E não é com os cilícios da Opus Dei, ou outros tormentos e autoflagelos quaisquer, que a Obra nos atinge, exorbitando da sua liberdade. As sociedades secretas, quaisquer que elas sejam, formam-se sempre com o intuito de poderam ver sem ser vistas. E das suas posições escondidas manobram a seu belo prazer.

Com inteira liberdade, se o país é livre, o que coloca a questão da bondade da liberdade sem limites.

Mas esse é um problema igualmente complicado.


direita, religião e liberdade


O debate sobre o conceito, ou os conceitos, de direita e das várias direitas dá sempre pano para mangas e azo a animadas discussões. Curiosamente, à esquerda, a discussão ideológica não é tão acesa ou, pelo menos, não transparece com tanta intensidade para o exterior, o que já é uma primeira lição que a direita deveria saber aproveitar e não aproveita.…A direita nunca expressou uma posição uniforme sobre a religião: existem direitas confessionais, mais ou menos laicas e mais ou menos clericais; como existem direitas não confessionais, pagãs e ateias.No grupo das direitas confessionais ou que, de algum modo, fazem reverter alguns princípios da doutrina religiosa na sua doutrina política, encontramos uma tradição cristã nuclear, mas que é diferente de caso para caso. Assim, tivemos experiências autocráticas e ditatoriais influenciadas pela religião católica e pela doutrina cristã mais conservadora, como a de Charles Maurras, como sucedeu no salazarismo e no franquismo. Nas direitas democráticas encontramos, também, um pouco de tudo, sendo embora a tradição da democracia-cristã a mais influente, nomeadamente, em Itália e na Alemanha. Só que, provavelmente, o cristianismo de cada uma dessas duas experiências, ambas muito marcantes no pós-1945 e até à década de 90, não é o mesmo: em Itália, a influência católica é dominante, enquanto que na Alemanha a tradição luterana e protestante prevaleceu sempre na CDU. O que, em política, pode ter (e teve) consequências muito distintas.Mas existem também direitas (embora, muitas vezes se possa discutir a propriedade do termo, esta é a sua qualificação mais corrente, pelo que a deveremos utilizar) que não reclamam a mais breve influência do cristianismo, mesmo até de qualquer forma de expressão religiosa: o nazismo foi uma manifestação contemporânea de paganismo anticristão e a «Nova Direita» de criação francesa ainda o é. Quando, há para aí uns bons vinte anos, se traduziu e editou em Portugal a obra de referência de Alain de Benoist, o «Vu de Droite», o editor português negociou com o autor a não inclusão do último capítulo, precisamente para evitar melindrar algumas consciências católicas mais sensíveis. Na tradição evoliana, que a Nova Direita segue de perto, o cristianismo, na melhor das hipóteses, não conta, ou é sujeito a uma interpretação esotérica que o descaracteriza totalmente se comparado com o cristianismo revelado. Para outros, ele foi mesmo um factor de degenerescência do Ocidente e da cultura europeia, à qual uma certa direita guarda suposta fidelidade.Por outro lado, o facto das direitas serem ou não influenciadas pela religião, não garante a mesma posição sobre a natureza laica ou clerical do Estado. Salazar era maurrasiano e, contudo, deixou sempre o Cardeal Cerejeira a uma respeitável distância dos negócios públicos. Já Franco saiu do pretorianismo militar e, contudo, deixou à Igreja de Espanha uma margem de manobra muito mais ampla no Estado espanhol, de que a Opus Dei foi certamente a mais bem sucedida de todas as influências.Por mim, que cada vez mais me considero essencialmente liberal e só (muito) acessoriamente de direita, julgo que a política deve ser neutra perante a religião. Se, por princípio, o liberalismo invoca a redução máxima do domínio público, a religião e as suas formas de estruturação social serão certamente matéria de natureza privada ou até mesmo íntima. Na vida privada, o que cada um, à esquerda ou à direita, faz com o credo em que acredita, a religião que segue, os cilícios que usa ou não, é matéria do mais absoluto foro íntimo, em relação à qual a política nada tem que, ou deve, dizer.Não se ignora, porém, sob pena de ingenuidade, que as igrejas e os seus grupos internos possam constituir poderes reais e expressivos na sociedade, ao ponto de tentarem influenciar o domínio público. Também aqui, os termos do problema são invariavelmente mal colocados e denunciam a enorme atracção que a direita (até mesmo a que se considera liberal) tem pelo Estado. Nesta matéria, um liberal deverá «somente» pugnar por dois aspectos: a existência da livre concorrência entre religiões e igrejas, isto é, a garantia de um mercado religioso livre e incondicionado; e a não ingerência do Estado e dos poderes públicos na vida das igrejas. Já a influência destas sobre o Estado é, infelizmente, um mal inevitável. Como o é a influência dos clubes de futebol, dos media, das associações patronais e sindicais, isto é, de todo o tipo de interesses privados organizados, cuja satisfação dependa do governo e, sensu lato, do Estado. Mais uma vez, também aqui não podemos contrariar a humanidade, senão regressando aos postulados clássicos do liberalismo: essa influência será tanto maior, quanto maiores forem as funções e as competências do Estado. Razão para, muito liberalmente, as exigir diminutas, ou mesmo até inexistentes.

blasfémias-rui/2006-06-15