Sunday, April 29, 2007

O ESTADO EXCURSIONISTA

MV,MJ,J,L, Caros amigos,
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Vocês sabem bem que gosto discutir. A discussão descontraída, sem preconceitos nem convencimentos, é uma boa prática para o exercício das meninges, e, conscientemente, inconsequente para qualquer outro fim. Uma discussão civilizada acerca de algumas ideias vale tanto como o exercício físico: não saímos do mesmo sítio mas ficamos convencidos que continuamos em forma. Vem isto a propósito do autocarro da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António que ontem estava estacionado junto à Praça de Espanha, em Sevilha, era o último dia da maior feira andaluza.
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É frequente ver, um pouco por todo o país, autocarros dos municípios em serviços excursionistas. Também já se sabia que algumas destas excursões promovidas por alguns municípios portugueses atravessam a fronteira, algumas chegam ao Vaticano. Esta, que vimos ontem foi até Sevilha.
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O que é um escandalo, digo eu. Porque, além de nos gastarem dos impostos para fins que notoriamente não deviam estar incluídos nas atribuições o Estado, estão a retirar às populações a iniciativa de promoverem a realização das actividades para os seus tempos livres.
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É esta actividade municipal uma iniciativa com a qual vocês, irredutivelmente, concordam porque "se não for deste modo os velhotes pobres não sairiam nunca de casa nem da sua solidão", fazendo eu, na peça, o papel de egoísta materialista e vocês de anjos-da-guarda do altruísmo materialista dialético.
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É um assunto que daria para congeminar até ao tutano mas vou abreviar os meus argumentos: Sou de uma aldeia, que vocês conhecem, onde o associativismo teve uma vitalidade notável e a rivalidade entre clubes recreativos emulou uma actividade cultural e lúdica impressiva; onde coexistem, ecumenicamente, há muitos anos a Igreja Católica e a Igreja Presbiteriana; onde as pessoas se organizavam para excursões por esse país fora, geralmente acompanhadas de tachos de arroz de cabidela e uns garrafões de tinto. Saiam a cantar o sim-carolina-ó-i-ó-ai e voltavam, dois ou três dias depois cheias de histórias para contar e recontar.
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Até que as juntas de freguesia, não tendo muito mais que fazer, tomaram conta do assunto. O "poder local" tomou conta da iniciativa local. Claro que toda a gente ficou contente como quando tem água quente: o pequeno poder local viu uma razão para existir e cobrar votos, os excursionistas satisfeitíssimos porque à borla é mais barato.
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E quem paga? As pessoas pensam que é o Estado.
E é nesta ilusão que bate o ponto. Quem paga somos todos nós, incluindo os excursionistas, e esta redistribuição de rendimentos ad hoc faz-se ao sabor da discricionariedade do pequeno poder local para comprar os votos dos seus eleitores através das excursões e algumas extorsões. Porque, sejamos conscientes, não vão em excursões os mais carenciados e os mais marginalizados. Em muitos casos aproveitam-se desta magninimidade, feita com o dinheiro dos outros, muitos que poderiam pagar a viagem e outros que são mais novos que vocês. Pode ir de excursão um doente acamado? Não pode. Se for pobre recebe, quanto muito, uma pensão tão miserável quanto o que está de boa saúde e vai para a festa. Pode o Estado garantir excursões a todos os pobres e indigentes da nossa terra? Não pode. Por que é que só vão de excursão, à custa de todos, apenas alguns?
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E por que é que teremos de pagar ordenado aos organizadores de excursões? Grande parte das receitas das juntas de freguesia (e também das câmaras municipais) destina-se ao pagamento de despesas de pessoal. No tempo em que as pessoas se organizavam para estas ocupações lúdicas o organizador pagava tanto quanto os outros se queria ir à festa.
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É evidente que numa sociedade sem restrições de meios toda a gente pode passear como e quando lhe der na real gana. Mas esse não é o nosso caso. As pensões pagas a muita gente são exíguas e o governo diz que não tem meios para as fazer crescer mais. Faz sentido cortar nas pensões de muitos para poder subsidiar as excursões a alguns? Não faz.
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E não faz porque o aumento de pensões é prioritário às excursões; depois porque não tem o Estado o direito de impor os seus critérios excursionistas. Há pessoas que não gostam de viajar e são, pelo menos, tão pobres quanto aquelas que excursionam. Se lhes perguntarem o que fariam com o dinheiro que custa um lugar no autocarro eles provavelmente optariam por comprar, por exemplo, qualquer coisa que lhes reduzisse as carências alimentares ou de saúde.
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Em conclusão: Se o orçamento do Estado consente uma redistribuição de rendimentos mais generosa, por pouco que seja, pois que se aumentem as pensões mais baixas dando-se às pessoas a possibilidade de optar por excursões ou outras alimentações. Para que essa redistribuição não seja feita em função dos filhos e dos enteados. A iniciativa local depressa suprirá a falta do cacique que agora é organizador da paródia. A intromissão do Estado neste tipo de actividades é castrador das capacidades das pessoas.
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E dá argumentos de sobra aqueles que vêm no Estado o mal de todas as nossas incapacidades colectivas. Trata-se de um problema menor? Toda a soma é feita de parcelas. E são os pequenos exemplos que apontam para os grandes princípios.
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Fico à espera os vossos comentários. Obviamente, discordantes.

Saturday, April 28, 2007

CÓRDOBA

Quando os vencedores chegaram e viram que tinha sido arrasado o templo que era a memória da vivência ali dos seus bisavós derrotados, a raiva que lhes entrou pelas veias dentro esvaiu-se na contemplação da elegância e frescura da casa construída por cima dos escombros da sua igreja destruída, e fizeram dela a sua catedral. Mas não resistiram, ao longo do tempo, em pendurar-lhe e implantar-lhe os seus adereços e os seus gostos.
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A mesquita-catedral de Córdoba não é um monumento ecuménico mas a resultante de dois valores estéticos desequilibrados. Ainda assim, o resultado é admirável pela coexistência que permitiu a sobrevivência do testemunho histórico.

ESTREMOZ

Estremoz, zero horas de 25 de Abril de 2007
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Um tiro de morteiro rasga a mansidão da noite. Seguem-se mais vinte quatro, espaçados e convencidos.
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É a celebração de uma revolução levada a cabo com pólvora seca: foi maior o estrondo e a fumaça que o impacto do tiro. Parafraseando o conde de Lampedusa: mudou-se alguma coisa mas há muita outra na mesma. Estremoz é uma amostra flagrante do Portugal que pouco mudou.

Wednesday, April 25, 2007

A HISTÓRIA AO CONTRÁRIO

Há dias, a Ministra da Educação visitou uma escola secundária e assinou um protocolo destinado a promover a divulgação dos acontecimentos que mais marcaram a nossa história recente e, nomeadamente, o 25 de Abril; uma professora da escola, na oportunidade, disse aos microfones que lhe colocaram à frente que não dispunha do tempo suficiente para ensinar todos os conteúdos do programa; uma aluna, de doze anos de idade, respondeu aos mesmos microfones que o 25 de Abril tinha sido uma guerra onde as crianças foram obrigadas a combater e muitas delas morreram em combate. Pelos vistos a professora não dispõe de tempo para tanto conteúdo mas alguém anda a ensinar, porventura nos tempos complementares, a história ao contrário.
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Dizia-se, noutros tempos, que uma quarta classe bem feita ficava para toda a vida. Hoje, é por demais evidente que as manobras experimentais a que os programas do ensino secundário têm sido sujeitos se em alguns casos formam em muitos deformam.

Tuesday, April 24, 2007

ÀS ARMAS!

O senhor chefe do Estado Maior do Exército continua a dar que falar. Hoje vai ser entrevistado pela Antena 1 mas já foi adiantado que o senhor General vai promover o repovoamento de Beja com a instalação de um batalhão, e avançará depois para o Algarve, onde pretende reutilizar as instalações do quartel que em tempos ali esteve instalado e que agora serve de estância de férias para os militares.
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33 anos depois do desmoronar do que restava das ruínas do Império, continuamos a pagar o preço da nossa vocação para marcar passo.

Monday, April 23, 2007

33 anos

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O MÉRITO DA MEDIDA

Caro J
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Não concordo consigo neste seu "post" de hoje que, aliás, repete a sua enorme desconfiança por tudo o que cheire a mudança na administração pública. O que, diga-se de passagem, é natural. A aversão à mudança é um sentimento que aflige a maior parte das pessoas.

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Mas a verdade é que não há outro modo de recompensar quem mostrar mais mérito se não proceder a avaliações. Podemos é discutir o método ou os métodos e a forma como são aplicados, mas essa já é outra história.
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Há dias V. insurgia-se, e com razão, contra a bajulação, que faz de qualquer chefe um reizinho no seu território. Já dessa vez lhe referi que, do meu ponto de vista, a única forma de extirpar essa forma abjecta de comportamento é adoptar meios objectivos de avaliação.
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E é isso que vale a pena discutir.
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Muitos dos métodos de avaliação estão sobejamente testados para poderem garantir razoáveis níveis de objectividade. Mas nenhum é perfeito. Não há métodos perfeitos. Mas os métodos, não sendo perfeitos, são susceptíveis de aperfeiçoamento.
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E não vale a pena, por vezes, fazer cálculos muito elaborados para se avaliarem as necessidades de meios para os objectivos a atingir. Um dos métodos é a comparação com outras situações reconhecidamente mais adequadas: no jargão destas coisas, o "benchmarking".
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Tomemos,por exemplo, o Ministério da Defesa. Precisamos de envolver nele os meios que hoje estamos a envolver quando sabemos que esse envolvimento excede, relativamente à riqueza que criamos, a média da União Europeia?
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E o Ministério da Agricultura, que V. cita, faz algum sentido com os resultados que apresenta?
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E o Ministério da Economia, V. é capaz de defender aquela estrutura para o que lhe compete fazer?
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E...por aí fora.
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Evidentemente que ninguém gosta de ser sentido a mais. É o insulto mais grave que pode fazer-se alguém. Mas já assume contornos bem diferentes pegar na questão exigindo competência para os lugares que desempenham e razão de ser para esses mesmos lugares.
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Se não cada vez mais haverá gente a mais.
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Neste país, caro J., há cada vez menos folga para jogar ao faz-de-conta
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Sunday, April 22, 2007

Friday, April 20, 2007

A MAIS

Ninguém gosta, obviamente, de ser considerado a mais. Estás a mais!, é o insulto supremo porque remete para o subconsciente, onde moram as nossos medos e as nossas angústias, o encontro com a anulação da existência. Mesmo aqueles que voluntariamente decidem excluir-se de um grupo sentem a afronta se ela se antecipa. Também ninguém gosta de ser confrontado com acusação, ou simples constatação feita por terceiros, de que tem meios a mais ao seu dispor.
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Ontem, ouvi através da rádio reacções indignadas do Chefe do Estado Maior do Exército relativamente a uma notícia do dia segundo a qual o Ministro da Defesa teria dito que os meios ao dispor do exército eram excessivos e iria propor plano de adequação às necessidades actuais. Onde o ministro terá subentendido meios em instalações imóveis o jornalista terá entendido meios humanos, e daí a indignação do senhor general que, logo ali, garantiu aos microfones da rádio de que o ministro se comprometera com ele a clarificar o equívoco. Não há meios humanos nenhuns a mais! sentenciou, sem deixar margens ao ministro. Quanto ao resto, se sobram imóveis, falta equipamento, alvos dentro do prazo de validade, por exemplo, que não se esgueirem às miras e se deixem abater: ainda há dias resultaram frustrados os exercícios porque os alvos eram velhos e sabidos, os tiros não davam com eles. De modo que, mesmo no negócio de meios materiais, o general só aceita troca por troca.
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O que se passa com o exército, passa-se com a justiça, com a economia, com a agricultura, com todas as áreas onde o Estado, isto é, todos nós, tem folhas de salários a pagar e fornecedores ávidos de encomendas. Em todas há famílias que não podem prescindir do vencimento mensal ou da facturação, alguns de subsídios, muitas vezes por razões de sobrevivência. Dizer-lhes que alguns estão a mais é, para os eventuais atingidos, entendido como uma afronta e uma ameaça extrema.
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Há algumas semanas atrás, Luís Campos e Cunha escrevia no Público, sob o título "Liberal em Portugal" um artigo que concluía que "o Ministério da Economia devia apenas apoiar a "marca Portugal" e não sectores específicos (...) ficando reduzido a umas escassas dezenas de pessoas (qualificadas e bem pagas) que avaliavam resultados e estabaleciam objectivos. Ora isso não justificaria um ministério e muito menos um ministro. Exigir tal programa é pedir que a "máquina" se suicide mas as máquinas não se suicidam, antes pelo contrário, se as deixarem reproduzem-se e engordam".
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Ainda que se admita que há algum exagero na proposta de Luís Campos e Cunha não podemos, por outro lado, deixar de admitir forte exagero nas palavras do general. Há, geralmente, nas abordagens destes assuntos alguns exageros de apreciação ou de defesa de interesses próprios. No caso da defesa, não compete aos generais definir a política do país para esta área, mas compete-lhe dimensionar os meios para a execução das missões que lhe forem cometidas decorrentes daquela política, e esta está longe de ser conhecida dos portugueses. Portugal gasta com as suas forças armadas uma parcela da riqueza que produz muito acima da média europeia. A invocação irritada do general de que não dispõe de meios a mais só faria sentido se as missões que tem de desempenhar exigissem os meios actuais, pelo menos. Ora não é plausível que Portugal tenha, no contexto de defesa em que se insere, de despender mais que a maioria dos seus parceiros europeus.
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É imprecindível, portanto, uma política de redefinição do perímetro de atribuições do Estado que deveria mobilizar toda a classe política portuguesa e interessar todos os portugueses. O Estado em Portugal, quando não é considerado excessivo é, pelo menos, reconhecidamente ineficiente em muitas áreas, sobretudo naquelas que normalmente integram o arco do "estado mínimo". Menos Estado e melhor Estado, resume uma proposta muito generalizada, mas que não tem passado disso.
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A intervenção explícita do Presidente da República no sentido de congregar todos os partidos no sentido de consensualizar, tanto quanto possível, o âmbito do Estado, é condição fundamental para aumentar a sua eficiência. E seria a forma também mais conveniente de pacificamente promover a adequação dos meios aos objectivos do Estado sem que uma grande parte dos seus servidores fosse sentida a mais.
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Muitos (nomedamente os sindicatos) reagem às propostas de redução da intervenção do Estado com a invocação de que em outros países (os nórdicos, por exemplo) o Estado está mais presente e a economia funciona melhor. Mas a comparação de meios não compara os resultados, e estes é que determinam as possibilidades de melhores condições de vida. À menor produtividade dos meios corresponderá sempre uma constatação do seu excesso, gerando um círculo negativo onde haverá sempre cada vez mais gente que é sentida a mais.

OS iMORAIS

Nada mais comprometedor para a democracia do que o abuso que é feito das liberdades que ela concede. Em Portugal as denúncias são muitas mas as sanções escassas. De vez em quando há um ou outro desprevenido que se deixa agarrar para demonstrar que a Justiça não está morta, dorme a sono solto com raros períodos de estremunho, mas a maioria dos abusadores das liberdades democráticas regala-se de gozo. É esta letargia da Justiça que vai corroendo os alicerces da democracia, aproveitando-se os pregoeiros da desgraça para cantar à desgarrada ó-tempo-volta-para-trás.
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Morais com processo em curso tínhamos, pelo menos um. Se o processo já prescreveu ou está em vias disso, deixou de ser notícia. Entretanto, foram empilhados em cima desse vários outros que esperam que o tempo os faça amadurecer e cair de podres.
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De uma assentada, vão cair-lhe, se não cairam já, mais três Morais imorais, em princípio. Quem dá conta disto é o Público de hoje, "Instituto público ajudou a planear casa particular de Armando Vara. Governante recorreu a António José Morais, ex-professor de Sócrates. Morais, GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e construtora da Covilhã fizeram moradia de Vara em Montemor-o-Novo. Ex-professor de Sócrates, técnicos do GEPI e empresas à qual o MAI adjudicava as obras fizeram a casa, em 1999, do então Secretário de Estado"
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Há quem veja por detrás deste esforço que o Público tem feito ultimamente de noticiar vários escândalos relacionados, directa ou indirectamente, com o PM, o dedo do patrão do jornal, ressaibiado com a derrota na OPA da PT. Os sintomas deste desgosto de Belmiro de Azevedo não se ficam, aliás, por aqui, ele que foi um público entusiasta da ascensão de Sócrates.
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Pode ser. Mas é inquestionável que, de um momento para o outro, o PM viu-se enredado numa malha de escândalos que seriam pequenos e fáceis de ultrapassar por qualquer comendador mas dificilmente se curarão na pele de José Sócrates sem lhe deixarem marcas.
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Para Paulo Portas, este filme não podia ter estreado em melhor altura, apesar da fragilidade dos seus próprios telhados .

COM O RABO DE FORA

A liberdade, dizia-se no tempo do outro senhor doutor, servia em Portugal para dar o nome às Avenidas. Hoje a liberdade serve para muita coisa, inclusivamente para ser abusada. Há muita gente que se diz liberal, não porque a preze por aí além, mas porque a liberdade pode ser, e muitas vezes é, usada contra ela própria.
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Um dos exemplos mais recentes desta utilização sofismada da liberdade foi a posição do PS ontem assumida na Asembleia da República ao votar contra uma proposta que pretendia combater a corrupção: com o argumento de que essa proposta colocaria em perigo os direitos de todos os cidadãos, e seria portanto inconstitucional, o PS impediu que fossem desvendados alguns dos seus "rabos-de-palha" e, por tabela, todos os rabos que por aí se exibem sem que se possa intimá-los a mostrarem as cabeças.
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Noutro plano e noutro quadrante, se ouvem e lêem discursos "libertários" onde a liberdade é meramente instrumental dos seus objectivos, que são outros, e muitas vezes pretendem atentar contra a liberdade.
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A este propósito, coloquei comentário a "liberdade de expressão" no Blasfémias:
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"Há neste seu texto contradições, propositadas ou não, que, de tão evidentes, deixam o rabo de fora.Acontece geralmente a quem quer começar por adaptar o seu discurso primordial ao politicamente correcto e só depois dar a volta.
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V. começa por referir que
"Instigar alguém à prática da violência, fazendo-o de forma séria e eficaz, é um tipo legal de crime em qualquer Estado de direito digno desse nome."
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Desde logo, o qualificativo "séria" induz uma posição subliminar que se lhe escapa, suponho, por descuido.Porque "séria" pode ter significados múltiplos mas nenhum que seja antónimo...Portanto a forma "séria" de que fala pode ser, no seu entender, uma forma honesta.
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Sem querer, V. trai-se ao considerar crime (...) desde que seja realizado de uma forma honesta. Pode ir buscar outros significados que não andará longe desta conclusão contraditória.
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Depois refere "de forma eficaz"...Neste seu sentido, os crimes dos nazis, por exemplo, só o foram nos casos em que se concretizaram nos crematórios,... se é que os crematórios existiram!
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O texto é relativamente longo mas eu não vou por razões óbvias alongar-me.Há um aspecto em que estamos de acordo: Precisamos de um texto constitucional europeu. Mas, no meu entender, esse texto, mesmo que seja mínimo, ou inclui inequivocamente a reprovação de todos os actos que de alguma forma promovam o racismo e a xenofobia, ou a União Europeia desintegrar-se-á, e com essa desintegração voltará a guerra.Há muitos sintomas disso à volta. Só não repara quem não quer ver.

Thursday, April 19, 2007

OS INTOCÁVEIS

O PSD apresentou no Parlamento proposta de lei anti-corrupção que previa a inversão do ónus da prova, sujeita a certas condições de modo a garantir a sua constitucionalidade. Os outros partidos da oposição apoiaram a proposta apresentada, a bancada do PS votou contra. Aconteceu na Assembleia da República, hoje.
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Este resultado, que não era inesperado, uma vez que o PS já havia anunciado a sua posição, confirma, contudo, que os suspeitos rabos-de-palha de que falava João Cravinho, são intocáveis. Pelo menos enquanto o PS for quero-posso-e-mando. Resta-nos a esperança que, quando se trocar o disco, não se continue a ouvir a mesma música.
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Até lá, provado ficou que o governo diz querer tomar medidas contra a corrupção mas dá instruções ao seu grupo parlamentar para cortar todas as propostas que possam eficazmente combatê-la. E não o faz, seguramente, por amor aos indeclináveis direitos de todos os cidadãos. Se fosse esse o caso, o PS poderia deixar chegar o diploma ao PR e este, até pelas dúvidas levantadas pelo PS, enviá-lo-ia ao Tribunal Constitucional, a sede competente para dirimir estas questões da constitucionalidade. Mas não: O PS prefere invocar a Constituição para dar cobertura aos seus "rabos-de-palha". Mas falta-lhe tecido.

33 anos


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ACERCA DO AZEITE

Caro João,
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Acabo de ler a carta que me enviaste e que te agradeço muito. É um assunto que tem o máximo interesse, sobretudo para as gerações mais novas, às quais tu, felizardo, tens a sorte de pertencer. Para mim, que ainda sou do tempo da candeia de azeite e do candeeiro a petróleo, a questão interessa-me, sobretudo, do ponto de vista dialéctico. Como não tenho responsabilidades nem interesses na matéria que excedam as do vulgar cidadão, o gozo que estas questões me dão é escutar os argumentos de um lado e do outro, assim como quem vê um desafio de futebol mas não é partidário de nenhuma das equipas. Por mais estranho que pareça, há criaturas destas, e eu sou uma delas.

De modo que, sem discutir os pormenores, porque me falta competência para tanto, há um aspecto em que não concordo com Delgado Domingos, que, suponho, tem o teu apoio: quanto a mim, a proposta do PR é de aplaudir porque o assunto é importante demais para ser propositadamente esquecido. Ainda que se trate de uma má opção, discuti-la é a melhor forma de a condenar. Se, por convencimento próprio, uma ideia nos repugna e repugna-nos discuti-la, na melhor das hipóteses poderemos ser ultrapassados pelos desenvolvimentos futuros.

Discutamos pois sem preconceitos. Parece que, a despeito do nuclear, o azeite ensinou à verdade a forma de vir ao de cima. Voltemos ao azeite, portanto, se for essa a melhor opção.

Um abraço

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O Presidente da Republica e a Energia Nuclear
2007-04-16 16:51 posted by: José Delgado Domingos
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De acordo com a LUSA, Notícia SIR-8910982 de 11-04-2007:
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“Em Riga, na Letónia, O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmouque não tardará muito para a energia nuclear começar a ser abertamentedebatida em Portugal.(...) É difícil evitar a sua discussão, surgirá mais dia, menos dia",disse o Presidente à saída da conferência de imprensa do "Grupo deArraiolos"."Se não for descoberta outra fonte de energia como o hidrogénio, onuclear terá de ser debatido em Portugal de forma mais aberta"Esta posição de Cavaco Silva é periodicamente repetida desde a suacampanha eleitoral e pressurosamente difundida pela LUSA (e não só...)seguida das declarações do financeiro Patrick Monteiro de Barros (autorda proposta de uma refinaria em Sines cuja concretização dependia de seatropelar legislação relevante e da concessão de mais de mil milhões desubsídios injustificados) ou de seus colaboradores, na defesa demiraculosas centrais nucleares em Portugal, como solução para os gravesproblemas energéticos do país.Se não se tratasse do Presidente da República, as declarações referidasseriam motivo de galhofa quanto ao hidrogénio (o hidrogénio não é umafonte de energia, como afirma, mas sim uma forma de armazenar etransportar energia obtida de fontes primárias.). Por se tratar do PR,que significado a atribuir à afirmação de que “o nuclear terá de serdebatido em Portugal de forma mais aberta" ?Citando apenas de memória e relativamente ao ultimo ano, a energianuclear foi objecto de uma conferencia organizada pela Ordem dosEngenheiros e patrocinada pelas Associações Empresariais (CIP,AEP,AIP)intitulada “ENERGIA NUCLEAR-o debate necessário” (o programa e os textospodem ainda encontrar-se emhttp://www.ordemengenheiros.pt/Default.aspx?tabid=1874), a que seseguiu, nessa mesma noite, um debate sobre o tema na“SIC-Noticias:Expresso da Meia Noite”. Ainda durante 2006, O CDS/PPorganizou um conjunto de debates sobre o tema a que a comunicação socialdeu relevo (O Eng. P.Sampaio Nunes, vice presidente do CDS/PP,colaborador muito próximo e sócio do Sr. Monteiro de Barros naENUPOR-Energia Nuclear Portugal fez uma tournée pela país promovendo onuclear e oferecendo milhões às autarquias que o aceitassem). O PS,através do seu IED ( Intituto de Estudos para o Desenvolvimento) iniciouum significativo e alargado debate sobre o problema energéticoportuguês, o último dos quais em Fevereiro de 2007, exclusivamentededicado à energia nuclear. A ele se segue, em 8 de Maio próximo (com opatrocínio da REN, da Galp Energia e da Fundação Gulbenkian) umaconferência sobre “Segurança Energética: uma questão central da politicaenergética”.Em Novembro de 2006, dois conhecidos e prestigiados jornalistas,Nascimento Rodrigues e Virgílio Azevedo, publicaram o livro “NUCLEAR, odebate sobre o novo modelo energético em Portugal, CENTROATLANTICO.PT” ,com a colaboração dos mais conhecidos protagonistas na discussão do temaem Portugal. Além disso, o ex-ministro de Cavaco Silva, Eng. MiraAmaral, publicou “Energia e Mercado Ibérico “ , típico de uma certavisão da energia, do nuclear e de algumas populares miragenstecnológicas. Um comentário a este livro e intervenções minhas sobre otema, ao longo de mais de 30 anos, podem ser consultadas emhttp://jddomingos.ist.utl.pt .Para além destas, muitas mais realizações houve onde o tema foilargamente debatido por especialistas nacionais e estrangeiros,certamente estimulado pela Cimeira da Primavera (8-9 Março de 2007) , naqual os chefes de Estado e de Governo da União Europeia se iriampronunciar sobre as opções energéticas da UE na sequencia dasiniciativas da Comissão Europeia sobre a energia. A posição do governoportuguês sobre o assunto foi claramente enunciada pelo primeiroministro horas antes do inicio da Cimeira ao afirmar:«Os países que quiserem tomar a opção pelo nuclear, façam o favor. EmPortugal, não, o nosso caminho está definido».Tendo em conta todas estas realizações, a atitude do PR é preocupanteporque se insere na esteira da repetida mas infundada afirmação de que é(ou tem sido) tabu discutir a energia nuclear em Portugal, fazendoesquecer o véu de silencio sobre contratos como os da Lusoponte, ou dosPIN, para já não referir o aeroporto da Ota ou a Constituição Europeia,assuntos bem mais actuais e importantes para Portugal do que a opção porconstruir ou não centrais nucleares. Afirmar e reafirmar, contra toda aevidência factual que «o nuclear terá de ser debatido em Portugal deforma mais aberta» é aderir, consciente ou inconscientemente, àestratégia, nem sequer original, que visa desacreditar os que se opõem,procurando associá-los a ignorantes anti-progresso. Vindo de quemconsidera o hidrogénio uma fonte de energia é simplesmente lamentável,como lamentável foi a promoção e protecção que deu a universidades dotipo da Independente sem qualquer espécie de consulta ou debate público.Para quem acompanha o debate sobre a energia nuclear há tantos anos, éevidente que os promotores do nuclear só têm de queixar-se de sipróprios pelo generalizado descrédito em que caíram, quando a prometidaenergia abundante, barata limpa e segura foi confrontada com a durarealidade dos factos (mesmo em termos estrita¬mente económicos). Parailustração caseira dos métodos utilizados, basta documentar um exemplo.No livro acima citado, de Nascimento Rodrigues e Virgílio Azevedo,página 156, o Sr. Patrick Monteiro de Barros afirma:“ é importante verificar que há uma maioria favorável ao nuclear e ofacto de uma sondagem online, feita pelo Diário de Notícias(18/06/2006), com mais de 16000 inquiridos indicar que 70% estão a favor...” (...)”Esta sondagem só vem confirmar duas anteriores feitas peloExpresso com resultados a favor de cerca de 62% (Julho de 2005) e de 52%(Março de 2006).Esta percentagem de pessoas é das mais altas da UE ...”.A notícia do Expresso de 2006, objecto de título a toda a largura da 1ªpágina foi objecto de reclamação do Presidente do MPT para a entãoautoridade superior da comunicação social que censurou oficialmente osemanário por ter dado uma notícia sem fundamentação. Por outro lado,quem consultar o “Special Eurobarometer , Attitudes towards Energy”(Eurobarómetro Especial -247), da Comissão Europeia, publicado emJaneiro de 2006 pode constatar que em Portugal apenas 5% são favoráveisà Energia Nuclear contra a média de 12% na Europa dos 25. Mesmo emFrança, o campeão europeu da energia nuclear, apenas 8% se manifestarama favor do seu desen¬volvimento. Um novo Eurobarómetro, publicado em2007, em que especificamente se pergunta se a energia nuclear deveaumentar ou ser reduzida na UE, mostra que 61% consideram que deveriaser reduzida; 29% que deveria aumentar e 10% não sabem. Quanto aPortugal - 57% entendem que deve ser reduzida, 23% aumentada e 20% nãosabem. Em França, temos 59%, 28%, 13%, respectivamente .A infor¬ma¬çãopode ser consultada emhttp://ec.europa.eu/public_opinion/archives/
flash_arch_en.htm#206aA importância da questão energética para a Europa, e a posição assumidapela Comissão Europeia deram origem a um aceso debate na EU sobre orecurso à energia nuclear como opção estratégica. Todavia, goste-se ounão, muitas das questões nem sequer se põem em Portugal devido à suasituação geográfica e dimensão de mercado. Efectivamente, a potênciamínima para que um reactor nuclear seja economicamente viável, os custosde abastecimento para as paragens programadas e os custos de segurançaafastam liminarmente, por simples questões de dimensão, a viabilidadeeconómica de centrais nucleares em Portugal. Pensar em termos ibéricosnão faz sentido quando o governo espanhol confirma a apresentação do seuplano para o encerramento de TODAS as centrais nucleares espanholas numprazo de 30 anos. Por estas e muitas das outras razões discutidas nosdebates já havidos em Portugal o Governo tomou a decisão correcta e háproblemas bem mais actuais e urgentes onde investir recursos. Tal nãosignifica que não acompanhemos de perto a discussão a nível europeu. Épor isso da maior oportunidade referir o comunicado conjunto dosMinistros do Ambiente da Irlanda, Áustria, Islândia e Noruega, de 27 deMarço de 2007 em que afirmam:“ Exprimimos as mais sérias preocupações sobre a defesa que vem sendofeita da energia nuclear como uma solução para as alterações climáticas.(...) O debate actualmente em curso procura desvalorizar as questões doambiente, dos resíduos, da proliferação e da segurança, procurandoapresentar a energia nuclear como uma energia limpa, segura e semproblemas (...).A natureza transfronteiriça dos riscos associados à energia nuclear(...) e o regime específico de responsabilidade internacionalactualmente em vigor para a indústria nuclear não contempla umacompensação abrangente para os danos e prejuízos potenciais e constituium subsídio escondido a essa indústria.A realidade é que após 50 anos de energia nuclear a questão dos resíduospermanece na maior parte intratável, (...) continuando a aumentar olegado da indústria nuclear para as gerações vindouras com muito poucaevidência de qualquer real implementação de soluções para o problema dosresíduos. O reprocessamento dos resíduos nucleares, advogado como solução para a gestão dos resíduos nucleares já há muito perdeu o seubrilho e hoje a indústria nuclear permanece económica e ambientalmenteinsustentável.Continuaremos a insistir com os países com instalações nucleares paraque encarem com decisão as questões não resolvidas que decorrem da suaoperação, nomeadamente questões de segurança, riscos de poluição,descargas radioactivas, responsabilidade nuclear, resíduos e riscos deproliferação.”http://www.regjeringen.no/Upload/MD/
Vedlegg/Internasjonalt/Sellafield/Ministerial_Statement_Dublin2007.pdf.A Áustria tem uma central nuclear que nunca entrou em funcionamento. AIrlanda não tem nem nunca teve centrais nucleares e é neste momentoapontada como o exemplo de progresso e prosperidade económica que aadesão à UE proporcionou. Com as ajudas comunitárias investiu naformação e qualificação profissional, na investigação tecnológica e nasUniversidades em detrimento de auto-estradas, especulação imobiliária emiragens tecnológicas.José J.Delgado Domingos

Wednesday, April 18, 2007

BANCO EMISSOR

O Banco de Portugal, de banco emissor, tendo perdido a função de emissor de moeda, é agora só emissor de opiniões. Este governo, no início do seu mandato, entendeu por bem encomendar ao governador do nosso ex-banco central uma opinião acerca do real déficit das contas públicas herdado do governo anterior. O resultado foi apreciado e, por essa razão ou outras, o governador
viu o seu mandato renovado.
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Agora o Banco de Portugal acolhe no seu Boletim Económico da Primavera as críticas que têm surgido da parte de várias instituições internacionais ao regime da legislação laboral portuguesa, imputando-lhe a responsabilidade maior pelo não crescimento da produtividade e o desincentivo ao investimento. Por outro lado, o crescimento dos salários acima do crescimento da produtividade, tem vindo a reduzir significamente a competitividade das empresas portuguesas, contribuindo para o aumento do desemprego.
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Numa altura em que a CGTP prepara a convocação de uma greve geral em "protesto das medidas neo-liberais deste governo", terá o governador recebido nova encomenda ou as coincidências não passam apenas disso?
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Porque a análise que o Banco de Portugal faz neste seu Boletim das consequências perversas da rigidez laboral estão longe de constituir uma novidade. Por que é que só agora o Banco de Portugal decidiu adoptá-las? A confirmarem-se as opiniões mais perfilhadas de que a rigidez laboral correlaciona-se com o aumento do desemprego, é muito estranho que o Banco de Portugal tenha acordado tão tardiamente para este lado.
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Mas já se sabe: Quem pouco faz menos lhe apetece fazer. No Banco de Portugal ganha-se muito bem e é uma alegria.
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Banco de Portugal pede alteração à lei laboral para maior produção

O Banco de Portugal defendeu ontem que as empresas têm maiores dificuldades em adaptar-se à evolução da actividade económica devido à regidez do mercado de trabalho. E defendeu que a introdução de uma maior flexibilidade levaria a uma aceleração da produtividade nacional. No Boletim Económico da Primavera, destinado a avaliar a evolução da economia portuguesa durante o ano passado, o banco salientou a manutenção do crescimento da produtividade portuguesa a um nível muito baixo. E, com uma insistência pouco habitual nos seus relatórios, identificou a "rigidez no funcionamento dos mercados, em particular do mercado de trabalho", como uma das razões para este resultado. Publico - Economia, 18/04/2007

O DILEMA DO PP

Paulo Portas vai voltar a chefiar o PP, mas o país não gosta de Paulo Portas.

33 anos


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OS SEMEADORES DA GUERRA


Nacionalismo, racismo, xenofobia, termos que com o tempo se tornaram sinónimos.
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A xenofobia é a semente da desintegração europeia e de nova guerra na Europa. Nenhum Continente é tão vulnerável como europeu a um reacender de conflitos étnicos, porque nenhum é, historicamente, tão diversificado.
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As democracias europeias, se quiserem salvar-se, não têm alternativa se não matar a serpente no ovo, em legítima defesa.
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Dezenas de elementos da extrema-direita detidos numa operação da Judiciária -Lusa, PUBLICO.

Dezenas de elementos da extrema-direita foram hoje detidos pela Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa, alguns em flagrante delito, na posse de armas proibidas, numa operação que envolveu dezenas de buscas.
Segundo a agência Lusa, os detidos — mais de 30 e suspeitos do crime de discriminação racial — estão nas instalações da Judiciária para serem ouvidos e só amanhã deverão ser conduzidos a um juiz de instrução criminal. (...)

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1291504&idCanal=95

Tuesday, April 17, 2007

FÁTIMA E OS CONTRAS

Ontem, no Programa Prós e Contras dedicado à crise no ensino universitário privado, a apresentadora fez um esforço supremo para arrancar dos participantes no painel uma coisa que parecia simples: que reconhecessem a necessidade de se auto regulamentarem de modo a separarem o trigo do joio, ou que moeda forte substituísse a moeda fraca . Mas os senhores reitores, vice-reitores e outras sumidades preferiram responsabilizar o Estado e passar-lhe a bola. O que não admira: predominava o joio e a moeda fraca.

33 anos


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QUANTO MENOS FLEXÍVEL, MELHOR?

Em a destreza das dúvidas comenta-se um estudo que conclui que, contrariamente à opinião generalizada de que a falta de flexibilidade laboral provoca o aumento de desemprego, o desemprego aumenta com a flexibilidade.
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Comentei:
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Que uma maior flexibilidade das leis do trabalho reduzem o desemprego, e que o salário mínimo pode aumentá-lo, têm sido as conclusões resultantes da comparação entre o crescimento nos EUA e na União Europeia (maior crescimento nos EUA, menor desemprego, muito mais baixo salário mínimo); o que falta confirmar é se aquele maior crescimento se deve aqueles factores ou outros. A este propósito, convido-o a ver um "post" ( http://aliastu.blogspot.com/2007/03/contos-americanos-flexibilidade-laboral.html) correlacionado com este assunto.


Recentemente, um estudo apresentado na reunião anual da Royal Economic Society, citado pelo Financial Times (vd. http://aliastu.blogspot.com/2007/04/o-salrio-mnimo-visto-geralmente-pelos.html) concluía que a introdução do salário mínimo no UK estava a aumentar a produtividade.

Existem, portanto, conclusões muito divergentes acerca dos efeitos da flexibilidade salarial e do salário mínimo sobre o emprego, a produtividade e a produção. Essas divergências decorrem, do meu ponto de vista, da simplificação dos modelos que eliminam factores que são preponderantes se não os mais decisivos, e que diferem no espaço e no tempo.

No caso dos EUA, a conjuntura actual caracteriza-se por uma sustentação do crescimento pelo consumo e pelo investimento na habitação, financiados em grande medida pelos principais fornecedores, nomeadamente a China. Em que medida é que a flexibilidade salarial e os salários mínimos, muito mínimos, interferem, não sei.

Só sei que o Washington Post nos é distribuído à porta às 6 da manhã, que nos supermercados nos colocam as compras no saco, e nos levam o saco ao carro, se quisermos. Se esta gente tivesse um regime laboral rígido ou auferisse um salário mínimo de 1500 euros (proposta de Ségolène Royal para França), seguramente que estes postos de trabalho não existiriam. Mas também é preciso acrescentar que alguns deles são pluriemprego.

(vd. ttp://aliastu.blogspot.com/2007/03/contos-americanos-flexibilidade-laboral.html)

E também é fácil perceber que muitas deslocalizações realizadas de Portugal para países do Leste têm como razão principal os custos laborais.

O que vale menos? Perder emprego ou perder salário?

Hoje, de manhã, a rádio noticiava que na Alemanha, a Deutsh Telecom propôs a redução de 12% dos salários garantindo, em contrapartida 50 mil postos de trabalho. Os sindicatos estão a analisar. Em Portugal os sindicatos, provavelmente, estariam já a orquestrar uma manifestação à porta da empresa.




Poupa

Monday, April 16, 2007

33 anos


SALÁRIO MÍNIMO : PRODUTIVIDADE MÁXIMA?

O salário mínimo é visto, geralmente pelos economistas da escola liberal, como uma causa do aumento do desemprego: porque desincentiva o recrutamento para tarefas indiferenciadas (ajudantes de supermercado p.e.) ou incentiva a substituição de mão-de-obra por meios mecânicos de produção. É, segundo esta perspectiva, que explicam a tendencialmente mais baixa de desemprego nos EUA (onde o salário mínimo é muito baixo) relativamente à União Europeia onde são muito mais elevados os níveis de salários mínimos. Pelos mesmos motivos, explicam, a produtividade aumenta na razão inversa do salário mínimo.
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No UK, que nestas questões geralmente alinha com as perspectivas norte-americanas, foi recentemente apresentado na conferência anual da Royal Economic Society relatório que conclui pelo aumento da produtividade em consequência da introdução do salário mínimo.
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A cada qual a sua verdade.
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Minimum wage has cut sick leave of lowest paid

By Jamie Chisholm, Economics Reporter, Financial Times
Published: April 13 2007 03:00 Last updated: April 13 2007 03:00


The introduction of the national minimum wage has boosted productivity because the lower paid now take fewer sick days, a study published today has found.

Research into the correlation between pay rates and absence from work was presented to the Royal Economic Society's annual conference by Marco Ercolani from Birmingham University and Martin Robson from Durham University.


Low-paid employees are more likely to be off sick than those on higher earnings, the report finds, and this significantly affects the workplace and economy.
The direct cost of sick leave in value of lost output is estimated at more than £11bn, about 1 per cent of the country's annual gross domestic product.
"On top of this, there are the indirect costs such as the loss of employee morale among those required to cover for absent colleagues," the report states.
But a 1 percentage point rise in the rate of growth of the real value of employee earnings cuts the rate of sickness by about 0.05 percentage points on average.
Data from the Labour Force Survey were used by the authors to make their calculations.
The minimum wage raised the pay of those low-paid employees directly affected by about 4 per cent. It led to a reduction in the rate of employee sickness absence of about 0.2 percentage points on average.
This is a little under one-tenth of the average rate of sickness absence over the period studied.
"This effect might help to explain why the introduction of the minimum wage was greeted with apparent equanimity by many employers," the authors said.
A separate survey of 382 companies across Europe by Mercer, the human resource consultancy, published yesterday, found that morethan a quarter offered additional incentives - such as bonuses and vouchers - to discourage workers from calling in sick.
"Some employers believe that by offering incentives to reduce absence, they are encouraging employees who are genuinely sick to attend work," he said.
Meanwhile, a report by Incomes Data Services has found that average pay rises edged up to 3.5 per cent in the last few months, although one in four pay deals was worth at least4 per cent.
A study of 186 settlements, mainly in private companies, showed a slight rise in the average increase from 3.42 per cent to 3.5 per cent. One in three deals in April was4 per cent or above.
Ken Mulkearn of Incomes Data Services said: ''Wage setters are currently faced with the pressure of reviewing pay levels against much higher levels of inflation than before.''

Lisboa abandonada : Rua da Madalena


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TARAS NACIONAIS

"Sou finalmente doutora!" O grito de alegria soou estranho nos corredores da Universidade Independente: o ministro da Ciência e do Ensino Superior (...) acabava de anunciar o encerramento compulsivo da escola. "Sou finalmente doutora", repetia a aluna (...).
(...) AC desabafava, chorosa, com a sua professora (...) "Estava quase a ser doutora" (...)
in Expresso de 14 de Abril, "Diplomas na hora H"
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Em Portugal, no início do sec XXI, para a maior parte dos que frequentam o ensino superior, o objectivo é um título. Seja para o que for, em qualquer caso, é "doutor"! Com aspas.
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Não fosse também esse o objectivo de Sócrates, porque razão se esforçou ele tanto (o modo é outro assunto) para obter um diploma em engenharia quando as suas asas políticas já tinham envergadura suficiente para lhe evitar ter de aterrar em chão de cimento armado? A razão é óbvia, e o caminho escolhido mais óbvio ainda: se um título ainda é tão importante, num país que dentro de três anos celebrará 100 anos de República, um primeiro ministro tem, forçosamente de ter um título. Tivesse a história sido outra, e Manuel Alegre o escolhido, o poeta poderia invocar-se "Conde da Anadia" e não teria de usar um título entre aspas. Sem linhagem nobiliárquica, com pouco mais de metade das cadeiras feitas numa escola de engenharia, e pouco tempo disponível para frequentar as restantes, Sócrates arrematou de um lance um molho delas por causa de um título.
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Por imposição de uma mentalidade nacional retrógrada.

Sunday, April 15, 2007

Lisboa abandonada : Ajuda


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O DÉFICE DA MANUELA

No "Público" de hoje, caderno de "Economia, VC, refere que Manuela Fereeira Leite "voltou a estar presente nas notícias devido à operação de cedência de créditos fiscais do Estado em 2003 (...) Quatro anos depois vão-se avolumando as certezas de que adita operação, (...) se transformou em algo de ruinoso para o Estado (...) e, esta semana, um parecer de um órgão consultivo do Eurostat (...) veio dizer que aquele tipo de operações deve ser considerado um empréstimo e, como tal não pode beneficiar o saldo orçamental. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, (...) apressou-se a dizer que aquela orientação não poderia ser aplicada retroactivamente (...). "
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Se é espantoso que um órgão comunitário leve três anos para chegar à conclusão que uma operação de "factoring" não pode ser configurada se não como um empréstimo, mais espantoso ainda é o espanto com que esta notícia é agora recebida por alguns sectores políticos e por alguns órgãos da comunicação social.
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Uma cedência de créditos só não seria configurada como um empréstimo se a entidade tomadora, isto é o Banco, tivesse assumido o risco da cobrança, operação vulgarmente designada por "forfaiting" ou "factoring sem recurso". Ora não foi isso que aconteceu: a cedência foi feita subsistindo o risco da cobrança do lado do cedente, isto é, do Estado português, que, aliás, se manteve como entidade agente da cobrança dos créditos cedidos.
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Espantoso é também o espanto daqueles que só agora percebem que os créditos cedidos e cobrados não podem voltar a ser encaixados de novo, e os não cobrados têm de ser pagos pelo cedente ao tomador ou substituidos por outros de igual montante.
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Nunca ninguém pode comer o mesmo queijo duas vezes.
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Como é que isto é (será?) tão transcendente para tanta gente?

Saturday, April 14, 2007

Gruta da Lagoa azul - Mato Grosso do Sul


O DÉFICIT DE IDEIAS

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Há quanto tempo não tinha notícias tuas! Andamos nesta galáxia e passamos uns pelos outros como os asteróides, de vez em quando, enquanto estamos vivos.
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Foi, portanto, com alegria que li uma referência a este teu "post" e vim cá para te dizer que me causa perplexidade o estado da tua alma. E, como amigo, quero dar-te uma ajuda.
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Não sou partidário, não porque ache isso um mérito mas porque cada um nasce programado ou não. E eu nasci politicamente desprogramado. Atiro para qualquer lado, e nunca para o lado onde estou virado, porque esse lado para mim não existe.
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É essa ausência de alvo de referência que me leva a interrogar-te com intenções terapêuticas: Por que razão não é definida em AR a fórmula de cálculo do déficit?
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Como homem da rua com alguma ideia destas coisas, parece-me que não adiantamos nada na melhoria das nossas condições colectivas se continuarmos a fulanizar as questões em lugar de debater as ideias. Este país tem Vascos Pulidos Valentes a mais e gente que pegue nos assuntos pela positiva a menos.
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De modo que, meu caro Pinho Cardão, se ficaste surpreendido com os cálculos do Ministro, como este Ministro já tinha ficado surpreendido com os cálculos do seu antecessor, e este com os sua antecessora, e esta por aí fora para trás, tu que tens meios e modos para poder intervir que eu não tenho, propõe na sede própria que, de uma vez por todas se definam as regras quanto às parcelas que devem constar da soma que calcula o déficit. E depois, caramba, é só saber somar.
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Mesmo o nosso atavismo contra a aritmética não justifica tanto aparvalhamento de alma. Em último caso façam-se as contas pelos dedos. Está na moda.
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Um abraço

MILAGRES

Há milagres? Claro que há milagres, e devem-se a causas naturais, e não sobrenaturais, como pretendem, geralmente, os dicionários. Mas os milagres só acontecem a quem acredita neles. Enquanto os portugueses não acreditarem neles próprios, nenhum milagre acontecerá que possa melhorar a sua capacidade colectiva. Enquanto meio mundo continuar a acusar o outro (quando não acusam os que já partiram para o outro mundo), e ninguém mudar de vida, não há milagres que nos valham.

Penates


A CULPA DO MARQUÊS

Comentário ao "post" 1776, no Blasfémias
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(...) PA volta ao cemitério para condenar o passado. O problema não seria grave se PA fosse original, mas lamentavelmente não é: há um síndrome que se infectou na sociedade portuguesa e que leva muitos comentadores (e alguns comendadores) a olhar para ensimesmadamente para trás, uns embasbacados com metade do sec XV e metade do sec XVI, os outros a acusar os outros séculos todos pelo presente em nasceram.
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Serve para alguma coisa? Não serve para nada.
Serviria sim, que PA & Cª. tivessem competência para germinar ideias e capacidade para as levar a cabo.
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Há já muitos anos, deambulava pela Rua da Misericórdia em Lisboa uma velhinha que, volta e meia, berrava para a gente à volta: morra o Afonso Costa! Por aquela altura, Afonso Costa já teria morrido há uns trinta anos.
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PA lembra-me a velhinha da Rua da Misericórdia, com o agravante do Marquês já ter morrido há 225!
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Fale dos vivos, PA!, se quiser falar dos fulanos e não das ideias.

Thursday, April 12, 2007

CONTOS AMERICANOS - A FEBRE AMARELA 3

Corruption Stains Timber Trade

Forests Destroyed in China's Race to Feed Global Wood-Processing Industry

By Peter S. Goodman and Peter FinnWashington Post Foreign ServiceSunday, April 1, 2007; Page A01

MYITKYINA, Burma -- The Chinese logging boss set his sights on a thickly forested mountain just inside Burma, aiming to harvest one of the last natural stands of teak on Earth.
He handed a rice sack stuffed with $8,000 worth of Chinese currency to two agents with connections in the Burmese borderlands, the men said in interviews. They used that stash to bribe everyone standing between the teak and
China. In came Chinese logging crews. Out went huge logs, over Chinese-built roads.
About 2,500 miles to the northeast, Chinese and Russian crews hacked into the virgin forests of the Russian Far East and Siberia, hauling away 250-year-old Korean pines in often-illegal deals, according to trading companies and environmentalists. In the highlands of Papua New Guinea, Indonesia and Africa and in the forests of the Amazon, loggers working beyond the bounds of the law have sent a ceaseless flow of timber to China.

Some of the largest swaths of natural forest left on the planet are being dismantled at an alarming pace to feed a global wood-processing industry centered in coastal China.

Mountains of logs, many of them harvested in excess of legal limits aimed at preserving forests, are streaming toward Chinese factories where workers churn out such products as furniture and floorboards. These wares are shipped from China to major retailers such as Ikea, Home Depot, Lowe's and many others. They land in homes and offices in the United States and Europe, bought by shoppers with little inkling of the wood's origins or the environmental costs of chopping it down.

"Western consumers are leaving a violent ecological footprint in Burma and other countries," said an American environmental activist who frequently travels to Burma and goes by the pen name Zao Noam to preserve access to the authoritarian country. "Predominantly, the Burmese timber winds up as patio furniture for Americans. Without their demand, there wouldn't be a timber trade."

At the current pace of cutting, natural forests in Indonesia and Burma -- which send more than half their exported logs to China -- will be exhausted within a decade, according to research by Forest Trends, a consortium of industry and conservation groups. Forests in Papua New Guinea will be consumed in as little as 13 years, and those in the Russian Far East within two decades.
These forests are a bulwark against global warming, capturing carbon dioxide that would otherwise contribute to heating the planet. They hold some of the richest flora and fauna anywhere, and they have supplied generations of people with livelihoods that are now threatened.

In the world's poorest countries, illegal logging on public lands annually costs governments $10 billion in lost assets and revenues, a figure more than six times the aid these nations receive to help protect forests, a World Bank study found last year.

Environmental activists have prodded some of the largest purveyors of wood products to adopt conservation policies. Industry leaders and conservationists have crafted standards meant to give forests time to regenerate. They certify operations that comply and encourage consumers to buy certified goods.

But such efforts are in their infancy and are vulnerable to abuse. Corruption bedevils the timber trade in poor countries.

"What we've done very well so far with certification is to reward the best players in the marketplace," said Ned Daly, vice president of U.S. operations for a leading certification body, the Forest Stewardship Council. "What we haven't done very well is to figure out how to exclude the worst players. We're having a hard time getting the criminals to label their products 'illegal.'

more:

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/03/31/AR2007033101287.html

Amarante


O REFERENDO DA UNIÃO EUROPEIA

O PR mostrou-se favorável à votação da Constituição Europeia no Parlamento e, consequentemente, desfavorável à votação em referendo. Fez bem. Imediatamente, contudo, saltaram a terreiro sobretudo aqueles que são contra a União. Por uma razão facílima de entender: o referendo é sempre uma boa oportunidade para a demagogia funcionar à rédea solta; é o único meio que os anti-União Europeia dispõem para fermentar o descontentamento e obter um resultado que satisfaz os seus propósitos.
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Ao PR assiste o direito (e a obrigação) de dar conhecimento aos portugueses do seu pensamento e posicionamento sempre que o julgar conveniente. Acerca do instituto do referendo, este PR mostrou a maior abertura em convocá-lo sempre que ele lhe seja proposto mas nunca assumiu fazê-lo acriticamente.
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A Arte da Fuga aproveitou o ensejo para abordar a questão.
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Comentei:
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Este seu "post" não reclama, evidentemente, as virtudes da democracia directa. Este entendimento dificilmente se compatibilizaria com os ideais libertários, que rejeitam as "ditaduras das maiorias".
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A sua implícita preferência, neste caso, pelo referendo decorre, sobretudo, de ver nele uma forma de contestar a União Europeia: é mais provável que em referendo vença o não do que em votação no Parlamento. Para aqueles, que como eu, vêm (sempre viram) na União Europeia, uma grande oportunidade para Portugal (com alguns custos, evidentemente), a votação na Assembleia da República é aquela que melhor pode exprimir os interesses nacionais. Não porque a média de competência dos nossos deputados seja elevada mas porque a discussão em Parlamento é menos susceptível de aproveitamento demagógico.
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Em referendo, mais do que a discussão da Europa, através de um documento complexo, a discussão seria deslocalizada para a fixação da UE como bode expiarório das nossas incompetências colectivas.

Washington DC - National Gallery of Art - East Wing


CONTOS AMERICANOS - A FEBRE AMARELA 3

A guerra comercial com a China pode não passar de uma prova de força temporária. E oxalá que assim seja. A China afirma-se cada vez mais como a nova potência económica num mundo de nações cada vez mais interdependentes. Como já tínhamos referido em "post" anterior, a importação de "glossy paper" pelos EUA não tem expressão significativa: no editorial de hoje do Washington Post este item não representa mais do que um por mil do déficit comercial entre a China e os EUA. Mas o precedente pode abrir as portas às reivindicações de restrições por parte de produtores com peso muito significativo, entre eles os da indústria do aço.
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Nos próximos tempos se verá se a guerra do papel não passou disso. Em qualquer caso, nas eleições presidenciais do próximo ano dificilmente escaparão a dirimir-se as posições acerca de duas guerras: a do "petróleo" e a do "papel". As questões ecológicas serão secundarizadas por não serem susceptíveis de opções tão fracturantes.
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Trade Offensive

The Bush administration suddenly embraces tough tactics with China.
Thursday, April 12, 2007; Page A26

AFTER SIX years of relying on quiet diplomacy to resolve trade issues with China, the Bush administration has abruptly shifted to a more aggressive strategy. On Tuesday the U.S. trade representative filed two complaints at the World Trade Organization in Geneva, both related to the sale of American books, music and films. That action followed by less than two weeks a Commerce Department decision to impose tariffs on imports of Chinese paper. And that followed another WTO case filed in February, which charged China with providing illegal incentives to exporters.

The flurry of punches appears intended to force some Chinese concessions on long-standing disputes, to stave off more drastic measures by Congress and to persuade Democrats to compromise with the administration on other trade issues -- notably pending free-trade agreements with South Korea and three Latin American countries. The price is some considerable bending of the administration's professed free-trade principles and the risk of a Chinese backlash that could affect not only trade relations but cooperation on strategic issues such as North Korea's nuclear program. It might be worth it if the hoped-for payoff came through. History and present politics suggest it won't.

The most substantive and least unprincipled of the administration's measures are the intellectual property cases filed Tuesday. China is the world's worst offender when it comes to the illegal copying of American DVDs; Hollywood estimates that it lost $244 million to piracy there in 2005. By filing complaints with the WTO, the United States is employing an established multilateral mechanism that will allow for negotiations and a lengthy adjustment period by China if it loses the case. The question is one of effectiveness: The main problem is not Chinese law but the enforcement of it. It's doubtful that a WTO case will cause Chinese police to become more aggressive or successful in shutting down the counterfeiters.

The paper tariff addresses a much smaller problem -- total exports of Chinese glossy paper to the United States are equal to one-tenth of 1 percent of China's contribution to the U.S. trade deficit -- and is considerably harder to justify. Acting unilaterally, the administration set aside a 20-year-old policy of not attempting to target subsidies in state-run economies such as China's. Meanwhile, by giving in to the pressure of U.S. paper producers, the administration opened the way for a parade of copycat complaints by steel manufacturers and others. If they are not resisted, the result will certainly be a damaging trade war, with most of the costs paid by U.S. consumers.

The administration's embrace of trade confrontation with China accompanies multiple concessions to congressional Democrats on labor and environmental provisions of the pending free-trade agreements. Such protectionist pandering was used in President Bush's first term to help win congressional approval for trade negotiating authority, which will expire in June unless renewed. But while first-term steel tariffs damaged the economy and U.S. credibility in trade talks, there was not much long-term benefit -- there have been no multilateral trade agreements in the Bush presidency. Given the escalating Democratic resistance to constructive compromises on trade, it's doubtful that this round of China bashing will yield much, either.

Wednesday, April 11, 2007

Castelos do Potomac


KITSCH

"Kitsch is a term of German origin that has been used to categorize art that is considered an inferior copy of an existing style. The term is also used more loosely in referring to any art that is pretentious or in bad taste, and also commercially produced items that are considered trite or crass." (Wikipedia)"
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O crescimento económico e a ascenção de milhões de pessoas a mais elevados níveis de rendimentos tem, obviamente, uma importância decisiva na melhoria da qualidade de vida em quase todos os aspectos. E dizemos, em quase todos, por que nem tudo o que pode contribuir para a felicidade das pessoas se encontra disponível no mercado. E mesmo quanto aquilo que o mercado oferece, a angústia que gera uma passada mais curta da prosperidade individual relativamente à passada mais rápida do progresso publicitado explica o síndrome da infelicidade permanente. É o paradoxo do progresso.
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Mas, para além desta angústia que se procura desforrar em consumos muitas vezes excessivos de objectos sem originalidade nem préstimo, existe um consumo kitsch de ostentação de um novo riquismo de imitação, totalmente desprovido de cultura própria.
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Nos EUA a globalização tem contribuído de forma muito evidente para o crescimento do consumo, que em grande parte contribuiu para o crescimento económico observado nos últimos anos, e para o crescimento excepcional do mercado da habitação: o crescimento do consumo é, em grande medida, suportado pelos preços baixos das importações, com particular relevo para as originárias da China; o mercado da habitação tem beneficiado das baixas taxas de juro, também elas suportadas, em grande parte, pelos empréstimos dos fornecedores dos norte-americanos, e muito particularmente dos chineses, ao Tesouro dos EUA.
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Num e noutro lado do mercado estão, entretanto, a ocorrer fenómenos curiosos de "Kitsch" na habitação: os norte-americanos mais bem pagos voltaram ao estilo colonial em tamanho XL, adquirindo casas que em volumetria e ambição de ostentação superam os castelos dos duques do "Loire"; na China, aqueles que por obras engenhosas se vão da lei do socialismo chinês libertando, replicam os núcleos históricos das cidades europeias que eles, na maior parte dos casos, nunca visitaram.
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É a inundação Kisch que acabará com todas as referências culturais: um dia, ao olhar em redor, poucos se aperceberão se acordaram em Chester ou em Xangai.

West Rises In China's Back Yard

Developers Build Ersatz European, American Communities for New Middle Class

By Ariana Eunjung ChaWashington Post Foreign ServiceWednesday, April 11, 2007; Page D01

SONGJIANG, China The ding-dong from the neo-Gothic church next door signals to Wu Yuqing that it's time to wake up. On her way to the grocery store each day, she walks past the Cob Gate Fish & Chip shop and bronze statues of Winston Churchill, Florence Nightingale and William Shakespeare. Tall men decked out in the red uniforms of the Queens Guard nod hello.
The place looks a lot like a small town on the Thames River, but Wu's new home is actually in a suburb of Shanghai.

As China's modernization continues to pull hundreds of millions of people from farms to cities and suburbs, a construction boom has given rise to a vast landscape of foreign-looking settlements. These real estate developments are the latest manifestation of the technique that has fueled China's economic boom: making copies.

In Nanjing, there are Balinese retreats and Italian villas. In the southeastern city of Hangzhou, there are Venice and Zurich. In downtown Beijing, everything is about Manhattan, with Soho, Central Park and Park Avenue.

"Many people in China today associate the exotic with wealth. They buy into these developments to differentiate themselves from ordinary people," said Tino Wan, a manager of ERA Real Estate in Shanghai.

Shanghai's plan is among the most ambitious, calling for a ring of satellite developments modeled after different parts of Europe, including German, Czech, Spanish and Scandanavian districts, in addition to the one that looks like London, known as Thames Town.

Between now and 2015, about half the world's new construction will take place in China, with as much as 6 billion square feet of space expected to be added each year. All over the country, block-like concrete edifices and empty fields are giving way to flashy architectural developments that promise to give the new middle class a taste of places most of them have never seen.

Some traditionalists, however, have lamented the trend, blaming it for the destruction of older, Chinese-style homes and attacking it as a form of "self-colonization."

Yu Renze, 74, a retired government administrator from Shanghai, said she didn't not understand the appeal of the Western-style developments and that she would not allow her family to live in them even if someone gave her a house. "We're not foreigners," she said.
But Ren Bing, general manager of Venice Aquatic City in Hangzhou, said these theme complexes should not be disparaged. "Even many Americans in America also prefer to buy non-American things," Bing said. "It doesn't mean people are denying traditions their ancestors have passed down."

Indeed, Wu said she has no desire to leave her country even though she likes the comfort and ambience of her new four-bedroom townhouse. "It's like I'm living abroad, but it's still China and everyone still speaks Chinese," said Wu, 45, an investor.

If not for the street signs with Chinese characters in Venice Aquatic City, it would be difficult to place where in the world you were exactly. Gondolas ply canals just below Hu Jun's new apartment. Her view includes porticos with flowers and half-moon bridges. "St. Mark's Plaza" is a five-minute stroll away.
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Castelos do Potomac

CONTOS AMERICANOS - CÁ COMO LÁ, OPORTUNISTAS HÁ

Rural Development

Today's beneficiaries aren't exactly enduring a dust bowl.

Wednesday, April 11, 2007; Page A14

DURING THE DUSTY days of 1930s Oklahoma, destitute farming communities on barren land could hardly afford to invest in power lines or sewage systems. So the federal government intervened, creating a rural development program under the Agriculture Department. It had notable successes, such as rural electrification, that improved the lives of millions. But federal rural development has expanded into 40 programs offering low-cost loans and grants to all sorts of American communities, some of which are neither rural nor deserving.

Last week, The Post's ongoing investigation of federal agriculture programs described a number of distressing cases of misdirected rural development cash. Take the example of charming Provincetown, Mass., a resort town on the tip of Cape Cod famous for beaches as picturesque as the oceanfront real estate is expensive. Because the town is almost deserted for most of the year, it qualifies for special rural community loans and grants. The town got a $1.95 million loan to renovate its pier -- presumably to serve the local fishing industry -- even though the pier is mainly used for tourism. The Provincetown Art Association and Museum got four federal grants and loans in the past three years for, among other purposes, renovating a historic house that was the home of a sea captain.

Consider the story from reporters Gilbert M. Gaul and Sarah Cohen concerning three utility companies serving growing suburban communities near Atlanta: Together, the utilities have gotten $400 million in cut-rate loans since 2001. Even though their customers are hardly rural, the utilities still have access to government financing because of the "once a borrower, always a borrower" policy, under which these companies can continue to receive money long after the areas they serve become suburban. Since 2001, federal rural development loans and grants have topped $70 billion.

Rural development programs should not exist to support pork projects in communities with the resources to build and maintain their own infrastructure. At most, such programs should buoy communities unable to provide basic services, such as rapid ambulance response, for their residents because of their out-of-the-way locations. As Congress prepares to consider farm policy over the coming months, it should aim to pare down not only scandalously wasteful subsidies that go to wealthy farmers but also to eliminate unnecessary rural development financing. After all, the House and Senate will have to remove obvious waste if they wish to pump up more useful conservation programs.

"Four-Sided Pyramid" - Sol LeWitt - National Art Gallery Garden


Sol LeWitt faleceu no passado domindo. Tinha 78 anos de idade.
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"The drawings he produced are mentally delicious. What makes them so delicious, so pleasing to the mind, is that he didn´t have to draw them. That´s because the artist, (...) employed what one might call the conceptual cookbook method..."
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Paul Richard - WP
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FREI TOMÁS

Uma das formas mais corriqueiras de confrontação política partidária é a denúncia mútua de contradições. Como os votos obrigam frequentemente a contorcionismos políticos, os seus actores dizem hoje o que negam amanhã e vice-versa. Deste modo são facilmente apanhados e facilmente apanham os adversários na ratoeira da contradição. Os indefectíveis, aqueles que não vêm no partido mais do que o nome, que têm da cidadania uma perspectiva de clubite, aplaudem sem reservas as habilidades óbvias dos seus artistas.
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Também acontece usarem os partidários argumentos de confrontação pessoal quando lhes faltam armas, ou engenho para as usar, na discussão das ideias. No fim de contas a táctica resume-se em denegrir a mensagem denegrindo a conduta do seu autor. A partir daí, a discussão desloca-se para a fulanização e o confronto de ideias esvai-se. Já não se ouve a abertura de Tannhauser, discutem-se as libertinagens de Wagner.
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Lembro-me disto, hoje, a propósito de uma crítica a Al Gore (entre muitas com objectivos idênticos) acerca da forma perdulária como consome energia, sendo ele um dos mais reconhecidos lutadores pela conservação do planeta em que vivemos, publicada hoje no
Blasfémias (Al Gore Rhytm), que comentei:
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A forma mais corrente de desvalorizar as sentenças de Frei Tomás consiste em apontar as incongruências do autor. Mas a História está cheia de casos de grandes autores cujas vidas se afastaram para o lado contrário do caminho que eles apontaram.
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É sofisma, portanto, confundir o mérito das teses com as vidas dos seus autores. Uma coisa são as consequências da intervenção humana no desequilíbrio ecológico, outra, bem diferente, a forma como intervêm alguns daqueles que defendem aquilo que eles próprios não prosseguem.
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Na luta política percebe-se que os opositores se confrontem com as suas próprias contradições; para aqueles que não são partidários, contudo, o que importa é o mérito relativo das propostas, independentemente da conduta dos seus proponentes.
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A mim pouco me importa se Al Gore tem ou não tem um consumo excessivo com o seu Jet particular, porque me importa, sobretudo, é saber se a sua mensagem é ou não importante para o futuro da humanidade.
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A mim não me importa se MMendes, que defende a privatização da RTP (proposta que eu apoio), podia ou não podia ter feito essa proposta quando foi membro do Governo. As contradições de MMendes são uma coisa, as propostas, dele ou doutros, são outra.
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Discutamos ideias em vez de discutir fulanos!

Tuesday, April 10, 2007

Casa rotativa - Roy Lichenstein - National Gallery - Washington DC


CONTOS AMERICANOS - A FEBRE AMARELA 2

Taking a Harder Line on Piracy

After Six Years of Talk and Little Action, The U.S. Toughens Its Stance on China

By Lori Montgomery and Ariana Eunjung ChaWashington Post Staff WritersTuesday, April 10, 2007; Page D01

The Bush administration fired another salvo in its campaign against Chinese trade practices yesterday, announcing suits to force Beijing to crack down on rampant counterfeiting and drop restrictions on the distribution of American music, movies and books.
U.S. Trade Representative Susan C. Schwab said the United States will file two formal complaints today against China at the World Trade Organization in Geneva.

U.S. Trade Representative Susan Schwab holds a pirated DVD copy of Night at the Museum, which is to be released on April 24th, during a news conference, Monday in Washington, April 9, 2007. The pirated material, made in China, was brought into the country last week. (Manuel The first accuses China of setting "excessively high thresholds for launching criminal prosecutions" against the makers and distributors of pirated products, such as DVDs of American movies and the humble Zippo lighter.
The second challenges China's insistence that some of the counterfeiters' chief targets -- books, movies, music and computer software -- be handled solely by state-owned importers, a policy that can delay distribution of legitimate material and create an opening for pirates, Schwab said.
"This is more than a handbag here or logo item there; it is often theft on a grand scale," Schwab said. "It is not fair, and we must thwart the pirates and counterfeiters who are responsible."
The new cases mark the third trade action this year by the United States against China, a sign that the Bush administration is getting tough after six years of talk and conciliation, analysts said. Last month, the administration said it would impose tariffs on imports of glossy paper from China to combat Chinese government subsidies. And in February, Schwab announced another WTO case charging China with providing illegal incentives to Chinese manufacturers to export their products.
All three moves follow long-standing frustration with Chinese policies. But analysts said the actions may also be intended to defuse mounting political pressure on Capitol Hill to reverse a growing trade deficit with China, which last year hit a record $232.5 billion, according to U.S. figures. Lawmakers contend that China keeps its currency, the yuan, deliberately undervalued to boost exports. They have also complained about China's widespread piracy of copyrighted U.S. goods and have threatened to slap huge tariffs on Chinese products in an effort to protect American jobs.
"The timing is clearly [designed] to tell the Congress especially, but also to tell the Chinese: 'We're going to thump you as a way of trying to head off congressional legislation. Our cases are reasonable, and you ought to respond to them because, if you don't, you'll make it easier for very strong legislation to pass,' " said Gary Hufbauer, a senior fellow at the Peter G. Peterson Institute for International Economics.
Sen. Charles E. Schumer (D-N.Y.), a leader in the effort to force China to revalue its currency, hailed the WTO cases yesterday. "I hope this is just the beginning of a much stronger administration stance on China's nonstop violation of free-trade rules," he said in a statement.
Sen. Charles E. Grassley of Iowa, the senior Republican on the Finance Committee, also welcomed the news. "When China continues to refuse to play by the rules, then we need to take strong action, like we're doing today," he said in a statement.
Schwab said the cases "should not be viewed as hostile actions against China," adding that they follow lengthy negotiations and represent "the normal way for mature trading partners" to resolve their differences.
"There is no trade war, per se, between China and the United States," she said.
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